Blefaroplastia: 6 mitos e verdades para quem pensa em fazer a cirurgia
- Redação Saúde Minuto
- 28/08/2026
- Saúde
Um olhar cansado nem sempre significa uma noite mal dormida. Bolsas abaixo dos olhos, excesso de pele, flacidez e algumas características da própria anatomia podem deixar a expressão mais pesada e fazer com que a aparência não corresponda exatamente a como a pessoa se sente.
É justamente aí que entra a blefaroplastia, uma das cirurgias plásticas mais conhecidas quando o assunto é rejuvenescimento do olhar. Mas, apesar da popularidade, ainda existem muitas dúvidas sobre o procedimento. Afinal, é preciso esperar determinada idade? Toda aquela “bolsinha” de gordura precisa ser retirada? A cirurgia deixa cicatriz aparente?
Segundo o cirurgião plástico David Di Sessa, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, as técnicas atuais permitem tratamentos cada vez mais individualizados. Isso porque o aspecto envelhecido ou cansado pode ter diferentes causas e nem sempre a resposta está simplesmente em retirar pele.
“A blefaroplastia começa pela identificação da queixa. Estruturas diferentes podem produzir um aspecto parecido, por isso nem sempre a solução está apenas na retirada de pele. Quando avaliamos a anatomia de forma completa, conseguimos escolher a técnica mais adequada e explicar ao paciente, com clareza, quais mudanças podem ser esperadas com o procedimento”, explica.
1. Blefaroplastia é apenas para retirar pele das pálpebras
MITO
Essa talvez seja uma das ideias mais comuns sobre a cirurgia. Embora o excesso de pele possa fazer parte do problema, ele está longe de ser a única questão avaliada.
O cirurgião também pode analisar as bolsas de gordura, a musculatura, a posição das pálpebras e até a transição entre a região dos olhos e as bochechas. É esse conjunto que ajuda a determinar por que o olhar parece pesado ou cansado e qual abordagem pode proporcionar um resultado mais natural.
2. Existe uma idade certa para fazer blefaroplastia
MITO
Não existe aniversário marcado para começar a pensar no procedimento. Algumas pessoas apresentam bolsas hereditárias, flacidez ou excesso de pele ainda relativamente jovens. Outras chegam a idades mais avançadas sem precisar de cirurgia.
Mais importante do que o número no RG é avaliar a anatomia, as queixas, possíveis sintomas e as condições de saúde de cada pessoa. A idade faz parte dessa análise, mas não decide sozinha se existe ou não indicação.
3. Para acabar com as bolsas, é preciso retirar toda a gordura
MITO
Menos pode ser mais, inclusive na blefaroplastia. Retirar gordura demais pode deixar a região abaixo dos olhos excessivamente funda e comprometer a naturalidade do resultado.
Em alguns casos, em vez de simplesmente remover o tecido, o cirurgião pode preservar ou reposicionar parte da gordura para suavizar sulcos e melhorar a passagem entre a pálpebra e a bochecha. Tudo depende da anatomia e da distribuição do volume naquela região.
4. Quem tem olhos secos precisa contar ao médico antes da cirurgia
VERDADE
Aquela ardência frequente, sensação de areia nos olhos, lacrimejamento ou necessidade constante de usar lágrimas artificiais não deve ser ignorada.
Sintomas relacionados à saúde ocular precisam ser informados antes da blefaroplastia. Isso porque algumas pessoas podem apresentar ressecamento e desconforto temporários durante a recuperação. Saber previamente que existe uma maior sensibilidade permite planejar melhor a cirurgia e os cuidados do pós-operatório.
5. Blefaroplastia inferior sempre deixa uma cicatriz do lado de fora
MITO
Nem sempre. Dependendo do que precisa ser tratado, a cirurgia da pálpebra inferior pode ser realizada por uma incisão na parte interna da pálpebra, conhecida como via transconjuntival.
Essa técnica pode ser indicada, por exemplo, quando existem bolsas de gordura, mas não há excesso importante de pele. Já quando há flacidez ou necessidade de tratar outras estruturas, uma abordagem diferente pode ser necessária.
Ou seja: não existe uma técnica única que sirva para todo mundo.
6. Tratamentos regenerativos podem complementar o rejuvenescimento do olhar
VERDADE, mas com ressalvas
PRP, PRF, nanofat e derivados da própria gordura do paciente vêm sendo estudados como recursos complementares para melhorar aspectos como textura e qualidade da pele, estimular processos de reparação e, dependendo da técnica, devolver discretamente volume à região.
Mas é importante não colocar todas essas técnicas no mesmo pacote. O nível de evidência científica e os possíveis benefícios variam entre elas. Por isso, a indicação deve ser individualizada e discutida com o médico.
No fim das contas, uma boa blefaroplastia não é aquela que simplesmente “tira tudo”. O objetivo é buscar equilíbrio e naturalidade.
“O melhor resultado não depende de retirar o máximo possível, mas de tratar cada estrutura na medida necessária. Preservar tecidos, respeitar a anatomia e entender as características individuais ajudam a manter equilíbrio na região dos olhos. Uma boa indicação também inclui orientar sobre recuperação, limites do procedimento e cuidados antes e depois da cirurgia”, conclui David Di Sessa.
Texto por: Dr. David Di Sessa, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

