Tudo que uma mãe precisa saber sobre candidíase mamária
- Redação Saúde Minuto
- 04/11/2024
- Saúde
A candidíase mamária é uma infecção causada por fungo que pode afetar os mamilos e ductos lactíferos, principalmente em mulheres que estão amamentando. Esta infecção ocorre quando o fungo aproveita pequenos cortes ou fissuras nos mamilos para se estabelecer, especialmente em condições de baixa imunidade na mãe. A infecção também pode se espalhar para o seio se o bebê apresentar candidíase oral, conhecida como “sapinho”, facilitando a transmissão durante a amamentação.
Causas e Fatores de Risco
Conforme a Dra. Aline Ambrósio, ginecologista, sexóloga e psicoterapeuta, especialista em cirurgia íntima formada pela (EPM/UNIFESP), a candidíase mamária em lactantes é frequentemente causada pelos fungos presentes na pele e na boca do bebê. “No aleitamento é mais comum esta infecção frequente em mulheres, causada pelos fungos que estão presentes na pele e na boca do lactente, chamada Candida albicans”, explica a Dra.
Diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolver a infecção. “Com a queda da imunidade nesta etapa da vida, por estresse, cansaço inerente do ato de amamentar, o fungo encontra as condições para causar os sintomas”, complementa a médica. A presença de fissuras na pele da mama aumenta a chance do fungo alcançar os ductos mamários. “Se houver fissuras na pele da mama, maior a chance do fungo alcançar os ductos mamários e produzir o quadro clínico”, afirma a Dra.
Além disso, o uso de antibióticos pela mãe pode afetar tanto a sua microbiota quanto a do bebê. “Também o uso de antibióticos pode alterar a flora natural da pele, produzindo as condições que elevam o risco da candidíase mamária”, alerta a especialista. O uso de antibióticos pode impactar a microbiota intestinal do bebê, favorecendo o crescimento do fungo.
Sintomas Característicos
A candidíase mamária pode se manifestar por meio de diversos sintomas. “Dores durante a amamentação, ardor local nos mamilos, manchas brancas, coceira e vermelhidão são os sintomas mais comuns”, descreve a Dra. Aline. Outros sintomas incluem:
- Sensação de pontada nas mamas ou nos mamilos, durante ou fora da amamentação.
- Cor mais brilhante ou esbranquiçada dos mamilos.
- Presença de ferida na pele do mamilo.
Diagnóstico
O diagnóstico da candidíase mamária é majoritariamente clínico, dispensando exames específicos. “O diagnóstico é clínico, e não há necessidade de exame específico”, afirma a Dra. Aline. Em alguns casos, a cultura da secreção pode ser realizada para confirmar a presença do fungo. “Porém, a cultura da secreção pode demonstrar a presença do fungo, mas demora a execução e pode retardar o tratamento”, pondera a especialista.
Tratamento
O tratamento inicial geralmente inclui antifúngicos tópicos, como clotrimazol e nistatina, aplicados diretamente nos mamilos. “O tratamento é inicialmente feito com aplicação de antifúngicos tópicos, como o clotrimazol e a nistatina”, explica a Dra. Em casos mais graves, ou quando o tratamento tópico não é suficiente, o médico pode prescrever antifúngicos orais, como o fluconazol. “O tratamento oral, com fluconazol, só é utilizado quando a infecção não melhora com tratamento local”, complementa.
É fundamental seguir o tratamento pelo tempo recomendado pelo médico, mesmo que os sintomas desapareçam antes, para evitar a recorrência da infecção.
Tratamento do Bebê
Em casos em que a mãe é diagnosticada com candidíase mamária, o bebê também deve ser avaliado e tratado caso apresente sinais de candidíase oral “Sapinho”. A Dra. Aline recomenda observar os seguintes sinais no bebê:
- Pontos esbranquiçados na língua.
- Fissuras nos lábios ou ângulo dos lábios.
- Vermelhidão nos lábios.
- Choro vigoroso nas mamadas.
- Perda de peso (em casos mais graves).
“Observar se o bebe apresenta os seguintes sinais, denota a necessidade do tratamento em conjunto da lactante”, alerta a médica. O tratamento do bebê envolve geralmente a aplicação de antifúngicos tópicos na boca.
Prevenção
Manter os mamilos limpos e secos é essencial para prevenir a candidíase mamária. A Dra. Aline recomenda a exposição ao sol ou à luz vermelha, além do uso de discos de amamentação para ventilação dos mamilos. “A manutenção dos mamilos mantendo-os secos e limpos é essencial para prevenir novos episódios de candidíase mamária. Tomar banho de sol ou exposição à luz vermelha pode ser útil. O uso de discos de amamentação, que tem o princípio de ventilar os mamilos, é bastante recomendado também”, orienta a Dra.
A higiene apropriada também é crucial. “Todos os utensílios e tecidos que tocam a pele das mamas devem ser devidamente higienizados”, reforça a especialista. Isso inclui lavar cuidadosamente bicos de mamadeira, chupetas, bombas de tirar leite e outros objetos que entram em contato com o bebê, além de trocar os absorventes de seio com frequência.
Complicações
A ausência de tratamento para a candidíase mamária pode trazer diversas complicações. “A infecção não tratada pode prejudicar o aleitamento e alterar a composição do leite adequado para o lactente”, adverte a Dra. Aline. Além disso, a infecção pode evoluir para quadros mais graves. “Também pode complicar com infecção bacteriana, que pode ser gravíssima, levando ao abscesso mamário, passível de tratamento cirúrgico com drenagem em alguns casos”, alerta.
Embora incômoda, a candidíase mamaria pode ser tratada de forma eficaz. Com cuidados consistentes, higiene adequada e orientação médica, a amamentação pode ser mantida e a infecção superada. Em caso de suspeita de candidíase mamária, procure um médico para obter o diagnóstico e tratamento corretos.
Profissional consultada: Dra. Aline Ambrósio, ginecologista, sexóloga e psicoterapeuta.
Texto por: Giovanni Stein | Redação Saúde Minuto | Editado por: Francisco Varkala