Seu filho pegou Mão-Pé-Boca? Saiba o que fazer.
- Redação Saúde Minuto
- 01/08/2026
- Kids
Você leva seu filho para a escola e, alguns dias depois, ele aparece com febre, reclama de dor na boca e surgem pequenas bolhas nas mãos e nos pés. O susto é grande e a primeira pergunta costuma ser: é Mão-Pé-Boca?
Apesar de assustar pelo nome e pela facilidade com que se espalha entre as crianças, a Síndrome Mão-Pé-Boca é uma infecção viral bastante comum na infância e, na maioria dos casos, evolui de forma leve. Ainda assim, causa bastante desconforto e costuma deixar mães, pais e cuidadores cheios de dúvidas.
“O importante é saber reconhecer os sintomas, manter a criança hidratada e ficar atento aos sinais de alerta”, explica o pediatra Antonio Carlos Turner, coordenador técnico da rede de clínicas Total Kids.
Pode pegar mais de uma vez?
Muita gente acredita que a criança fica imune depois de ter a doença, mas isso não é verdade.
A Síndrome Mão-Pé-Boca pode acontecer mais de uma vez porque ela não é causada por um único vírus. Existem diferentes tipos de enterovírus circulando, principalmente o Coxsackievirus A16 e o Coxsackievirus A6, responsáveis pela maioria dos casos no Brasil.
“O vírus A6 costuma provocar lesões mais espalhadas pelo corpo e, algumas semanas depois da recuperação, algumas crianças podem apresentar queda temporária das unhas. Apesar de assustar, esse quadro é passageiro e não costuma trazer consequências”, tranquiliza o especialista.
Como a criança pega Mão-Pé-Boca?
O vírus é altamente contagioso e circula principalmente em creches e escolas.
A transmissão acontece por:
- gotículas de saliva e tosse;
- contato com as bolhas;
- brinquedos e objetos contaminados;
- mãos mal higienizadas;
- contato com fezes de crianças infectadas.
Um detalhe importante é que o vírus pode continuar sendo eliminado nas fezes por até oito semanas após a recuperação.
Álcool em gel resolve?
Nem sempre.
Os enterovírus conseguem sobreviver por vários dias em superfícies e são mais resistentes ao álcool 70% do que muitos outros vírus.
Por isso, a principal recomendação continua sendo lavar bem as mãos com água e sabão e higienizar brinquedos e superfícies com solução de água sanitária diluída.
Como aliviar os sintomas?
Não existe um medicamento específico para eliminar o vírus. O tratamento é voltado para aliviar o desconforto até que o organismo combata a infecção, o que normalmente acontece em cerca de uma semana.
O maior risco não é o vírus, mas a desidratação.
Como as aftas na boca costumam doer bastante, muitas crianças deixam de beber água.
Para facilitar a hidratação, vale oferecer:
- água gelada;
- picolés de fruta;
- água de coco;
- alimentos frios e mais pastosos.
Já alimentos quentes, muito salgados ou cítricos podem aumentar a dor e devem ser evitados.
Quando a criança pode voltar para a escola?
A recomendação é aguardar entre cinco e sete dias após o início dos sintomas e só retornar quando:
- as lesões estiverem secas;
- não houver febre;
- a criança conseguir comer e beber normalmente.
Quando procurar atendimento médico?
Procure um pronto-socorro se a criança apresentar:
febre alta por mais de 48 horas;
muita sonolência;
dificuldade para beber líquidos;
sinais de desidratação;
tremores;
dificuldade para andar;
suor frio ou comportamento muito diferente do habitual.
Texto por: Dr. Antonio Carlos Turner