Ansiedade e intestino: como o estresse afeta o aparelho digestivo
- Redação Saúde Minuto
- 25/01/2026
- Saúde
Especialista explica como ansiedade, estresse e depressão influenciam o intestino e quando é necessário buscar ajuda médica.
Dor abdominal, diarreia, prisão de ventre e sensação de estufamento são queixas comuns em períodos de estresse e ansiedade. A ciência comprova que essa relação é inegável: mais de 50% dos pacientes com sintomas gastrointestinais sofrem de ansiedade moderada a severa, indicando que o transtorno psicológico frequentemente exacerba ou até origina a doença digestiva (Bioinformation Journal, 2025). Segundo o Dr. André Augusto Pinto, cirurgião do aparelho digestivo da clínica Gastro ABC, essas manifestações têm explicação científica e estão relacionadas ao chamado eixo cérebro-intestino, uma via de comunicação direta entre o sistema nervoso e o aparelho digestivo.
Segundo o especialista, situações de estresse, ansiedade e até depressão estimulam a liberação de hormônios como cortisol e adrenalina, que interferem diretamente no funcionamento do intestino. “Esses hormônios podem acelerar o trânsito intestinal, causando diarreia e cólicas, ou, em outros casos, deixar o intestino mais lento, levando à prisão de ventre”, explica.
Entre as doenças mais associadas a esse desequilíbrio emocional está a síndrome do intestino irritável (SII), condição funcional caracterizada por dor abdominal, alteração do hábito intestinal, distensão abdominal, náuseas, indigestão e, em alguns casos, vômitos.
O Dr. André destaca que a síndrome do intestino irritável é um diagnóstico de exclusão, ou seja, antes de confirmá-la é necessário descartar outras doenças que apresentam sintomas semelhantes, como tumores do aparelho digestivo, alterações da vesícula biliar, doenças do estômago e doenças inflamatórias intestinais. Por isso, a recomendação é procurar um gastroenterologista ou cirurgião do aparelho digestivo logo no início dos sintomas.
O tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar. Mudanças nos hábitos alimentares são fundamentais, com uma dieta rica em fibras, boa ingestão de líquidos, consumo de verduras, legumes e alimentos ricos em vitaminas, além da redução do consumo de carnes muito vermelhas, enlatados e embutidos. A prática regular de atividade física, o controle do estresse e o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico também fazem parte do cuidado.
“Não tratar o estresse, a ansiedade e os sintomas intestinais de forma adequada pode levar à cronificação do quadro e a problemas mais sérios. O intestino responde diretamente ao nosso estado emocional, e cuidar da saúde mental é essencial para o bom funcionamento do aparelho digestivo”, conclui o especialista.
Texto por: Dr. André Augusto Pinto