Arritmias cardíacas aumentam durante a menopausa?
- Redação Saúde Minuto
- 08/04/2026
- Menopausa Mulher Saúde
A menopausa, período em que o corpo da mulher interrompe a produção de hormônios reprodutivos, ocorre entre os 45 e 55 anos e provoca impactos importantes no organismo, principalmente em relação aos riscos cardiovasculares. Segundo pesquisa divulgada pela American Heart Association, cerca de 25% das mulheres após a menopausa podem apresentar fibrilação atrial, principal tipo de arritmia cardíaca. Em termos práticos, o dado indica que uma em cada quatro mulheres poderá desenvolver a arritmia após a menopausa. Além disso, a Diretriz Brasileira sobre Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa (2024) mostra que a menopausa precoce pode elevar em 21% o risco de AVC.
A Dra. Thais Aguiar do Nascimento, cardiologista, especialista em eletrofisiologia e coordenadora de Cardiopatia na Mulher da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, explica que “a redução do estrogênio na menopausa pode provocar uma disfunção do sistema nervoso autônomo, responsável por regular a pressão arterial e a frequência cardíaca”. A especialista esclarece como essas alterações se manifestam no dia a dia e quais medidas ajudam a preservar a saúde do coração ao longo desse período.
O que são arritmias cardíacas e por que podem se tornar mais frequentes na menopausa?
As arritmias cardíacas são alterações no ritmo do coração. Em condições normais, ele bate cerca de 100 mil vezes por dia de forma organizada, em um padrão chamado ritmo sinusal. Quando esse funcionamento sofre mudanças, os batimentos podem se tornar acelerados, lentos ou irregulares, o que pode comprometer a circulação do sangue e causar sintomas como palpitações, tontura e falta de ar e, em casos mais graves, desmaio, AVC, infarto ou até parada cardíaca.
O corpo feminino conta com uma proteção natural que ajuda a manter o ritmo do coração: o estrogênio. Esse hormônio, além de atuar na função reprodutiva, contribui para a saúde cardiovascular ao auxiliar no controle do colesterol, preservar a elasticidade dos vasos sanguíneos e colaborar para o equilíbrio dos batimentos cardíacos. Com a chegada da menopausa e a queda dos níveis hormonais, essa proteção diminui, o que pode favorecer o aumento do risco de arritmias cardíacas.
Alterações emocionais frequentes nessa fase, como ansiedade, insônia e sintomas depressivos, também podem impactar a saúde cardiovascular ao elevar hormônios relacionados ao estresse e favorecer processos inflamatórios no organismo. A combinação desses fatores contribui para o desenvolvimento da aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias, que podem reduzir ou bloquear o fluxo sanguíneo.
Como prevenir as arritmias cardíacas?
“A menopausa é uma fase natural da vida da mulher e, com acompanhamento adequado, é possível atravessá-la com qualidade de vida e segurança para o coração”, afirma a Dra. Thais Aguiar do Nascimento.
Entre as principais recomendações estão:
- Mudanças no estilo de vida, como a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada com alimentos naturais, controle do peso, melhora da qualidade do sono com, no mínimo, sete horas por noite, redução do consumo de álcool e abandono do tabagismo;
- Uso de medicamentos, quando indicados. Entre eles estão os betabloqueadores, que ajudam a controlar a frequência cardíaca e reduzir palpitações; os anticoagulantes, recomendados principalmente em casos de fibrilação atrial para evitar a formação de coágulos e reduzir o risco de AVC;
- Ablação por cateter, procedimento minimamente invasivo indicado em situações específicas para corrigir a origem da arritmia;
- Terapia hormonal, quando recomendada. Ela pode ser indicada de forma individualizada para o controle dos sintomas da menopausa, principalmente no início dessa fase, e geralmente não é recomendada após os 60 anos;
- Controle da pressão arterial e do colesterol, com acompanhamento médico regular, também é fundamental para reduzir o risco de arritmias e outras doenças cardiovasculares.
O acompanhamento com especialistas cardíacos deve ser feito de forma regular ao longo da vida, e não apenas durante a menopausa. Alguns sinais de alerta merecem atenção. Ao apresentar palpitações em repouso, tontura, desmaio, dor no peito ou falta de ar, é importante procurar atendimento médico.
Texto por: Dra. Thais Aguiar do Nascimento