As noites mal dormidas e as doenças neurodegenerativas
- Giovanni Ghioldi
- 06/03/2025
- Bem-estar Neurologia Saúde
Dormir bem sempre deve ser uma das prioridades na hora de cuidar da sua saúde. A perda na qualidade do sono pode levar a consequências graves, dentre elas, estão as doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson e outras formas de demência. A qualidade do sono não apenas influencia o bem-estar diário, mas também se torna presente na prevenção e progressão dessas condições. E saber como o seu sono afeta a sua saúde pode auxiliar na prevenção de riscos associados a essas doenças.
O impacto da falta de sono no cérebro
Segundo o Dr. Fábio Porto, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), regional São Paulo e neurologista, explica como ocorre o surgimento deste tipo de doença em um cérebro que não teve a chance de repousar corretamente:
“Existe um sistema chamado sistema glinfático, que funciona como uma limpeza do cérebro. Ele atua predominantemente à noite, durante o sono de ondas lentas, também conhecido como sono profundo. Neste estágio do sono, os canais de limpeza se abrem e há um fluxo de remoção de detritos. Quando a pessoa não atinge o sono profundo, seja por dormir mal, ter apneia ou dormir pouco, ocorre um acúmulo desses detritos. Entre os detritos acumulados estão proteínas como a amiloide, a tau e a sinucleína (associada ao Parkinson). Essas proteínas, que se acumulam em doenças degenerativas, permanecem no cérebro porque o organismo não as elimina.”
Como a falta de sono contribui para diferentes tipos de demência
A falta de sono causa diversos tipos de demências devido a danos cerebrais, incluindo a doença de Alzheimer, caracterizada pelo acúmulo de placas de beta-amiloide e emaranhados de proteína tau, cuja progressão é influenciada pela qualidade do sono. Durante o sono profundo, o sistema glinfático realiza a limpeza do cérebro, e o sono insuficiente ou de má qualidade compromete este processo, contribuindo para o acúmulo dessas proteínas e agravando os déficits cognitivos.
Além disso, distúrbios do sono, como insônia e fragmentação do sono, são comuns em pacientes com Alzheimer e podem acelerar a progressão da doença. Já na doença de Parkinson, distúrbios do sono, como comportamentos anormais durante o sono REM, insônia e fragmentação do sono, frequentemente precedem os sintomas motores e podem ser exacerbados por sintomas físicos ou medicamentos. Condições como a síndrome das pernas inquietas e a apneia do sono também são prevalentes, podendo piorar a neurodegeneração.
Outras demências relacionadas ao sono
Outras demências, como a demência vascular e a demência com corpos de Lewy, também estão ligadas a problemas de sono. A demência vascular está associada à apneia do sono, que causa flutuações na oxigenação cerebral e danos vasculares, enquanto a demência com corpos de Lewy frequentemente apresenta distúrbios do sono REM como um dos primeiros sintomas. Assim, os distúrbios do sono não apenas refletem a presença dessas doenças, mas também desempenham um papel ativo em sua progressão.
Melhorar o sono pode ser uma estratégia de prevenção
Distúrbios do sono não apenas podem ser um sintoma dessas condições, mas também um dos fatores que mais contribui para a progressão de tais doenças. Melhorar a qualidade do sono e tratar distúrbios do sono precocemente pode ser uma estratégia para reduzir o risco e o impacto dos danos cerebrais e os distúrbios pela baixa qualidade do sono.
Priorize sua saúde cerebral
Portanto, nunca subestime o bem que cuidar de si pode trazer. Priorizar o descanso adequado não é somente uma questão de bem-estar imediato, mas uma medida preventiva essencial para a saúde cerebral a longo prazo. Como bem destacam os especialistas, dormir não é um luxo, mas uma necessidade biológica essencial. Reserve as horas necessárias para o sono e cuide da saúde do seu cérebro hoje!
Texto por: Giovanni Ghioldi | Redação Saúde Minuto | Editado por: Rafaela Navarro