Brigadeiro: pequeno no tamanho, mas e nas calorias?
- Redação Saúde Minuto
- 10/09/2026
- Nutrição Saúde
Tem bolo, tem parabéns, tem balão. Mas se não tiver brigadeiro, para muito brasileiro parece que está faltando alguma coisa.
Enrolado no granulado, servido na colher, no copinho ou comido ainda morno direto da panela, o brigadeiro ultrapassou há muito tempo a categoria de simples sobremesa. Virou parte da memória afetiva do brasileiro. Festa de criança, casamento, aniversário de adulto, reunião de família: ele está lá.
E não é por acaso. A receita clássica é simples e irresistível: leite condensado, chocolate ou cacau em pó e manteiga. Justamente essa combinação, porém, faz do brigadeiro um alimento com alta concentração de açúcar, carboidratos e gordura.
“O brigadeiro é um doce que pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas é importante ter atenção à quantidade consumida. Por ser pequeno e bastante palatável, é fácil comer várias unidades sem perceber, o que pode aumentar significativamente a ingestão de calorias, açúcar e gordura ao longo do dia”, explica Leonardo Andrade, nutricionista.
Afinal, quantas calorias tem um brigadeiro?
Depende bastante da receita e, principalmente, do tamanho. Um brigadeiro tradicional pequeno, com cerca de 15 a 20 gramas, costuma ficar aproximadamente na faixa de 60 a 90 calorias. Versões maiores, gourmet ou preparadas com mais chocolate, creme de leite, confeitos e recheios podem facilmente ultrapassar 100 calorias por unidade.
Parece pouco? O problema é que ninguém costuma sentar diante de um brigadeiro pensando em uma refeição. Ele vai entrando: um, dois, três… E quatro unidades podem representar algumas centenas de calorias.
Além disso, boa parte dessas calorias vem de açúcares adicionados e gorduras, enquanto a quantidade de fibras é pequena. É justamente por isso que doces devem ocupar um espaço menor dentro de uma alimentação equilibrada. A Sociedade Brasileira de Diabetes lembra que doces não precisam ser completamente excluídos, mas recomenda moderação e atenção especial às porções.
Tem alguma coisa boa no brigadeiro?
Tem. E não estamos falando apenas do prazer de comer.
O leite condensado fornece pequenas quantidades de proteína e cálcio, enquanto o cacau contém compostos bioativos, entre eles flavonoides. Mas é importante colocar isso em perspectiva: brigadeiro não deve ser escolhido como fonte de cálcio, proteína ou antioxidantes.
Se a intenção for melhorar um pouco o perfil da receita, vale olhar para o chocolate.
Quanto maior a proporção de cacau e menor a quantidade de açúcar adicionado, mais interessante tende a ser a escolha. A Sociedade Brasileira de Diabetes, ao falar sobre chocolates, recomenda observar o rótulo e aponta que versões com 60% ou mais de cacau apresentam maior proporção de flavonoides.
Isso significa que trocar o achocolatado por cacau em pó ou chocolate com maior percentual de cacau pode reduzir a quantidade de açúcar da receita, dependendo dos demais ingredientes.
Mas atenção: 70% cacau não significa 70% menos calorias. Chocolates com alto teor de cacau continuam sendo alimentos calóricos e ricos em gordura.
E o açúcar?
Aqui está o ponto que merece mais atenção.
Leite condensado tradicional já contém uma quantidade importante de açúcar. Quando a receita ainda leva achocolatado, chocolate açucarado e granulado, esse total aumenta.
Por isso, vale fazer uma pequena investigação no supermercado: olhe a tabela nutricional e a lista de ingredientes. Compare a quantidade de açúcares adicionados entre marcas e produtos. Se açúcar aparece entre os primeiros ingredientes de um chocolate, é sinal de que está presente em quantidade relevante.
E não se deixe enganar automaticamente pelas palavras “diet” ou “zero”. Um chocolate sem açúcar pode continuar bastante calórico e apresentar mais gordura. Além disso, produtos sem adição de açúcar podem conter outros carboidratos capazes de interferir na glicemia.
Quem tem diabetes pode comer brigadeiro?
Pode, mas não é “liberado”.
A ideia de que uma pessoa com diabetes nunca mais pode comer um doce está ultrapassada. A questão principal passa pela quantidade de carboidratos, tamanho da porção, frequência de consumo e controle glicêmico individual.
As diretrizes atuais da Sociedade Brasileira de Diabetes recomendam reduzir carboidratos refinados e açúcares adicionados e priorizar fontes de carboidratos ricas em fibras e menos processadas. Para quem faz contagem de carboidratos, o doce precisa entrar nessa conta.
Portanto, o brigadeiro pode aparecer eventualmente, mas a quantidade deve ser compatível com o plano alimentar estabelecido para aquela pessoa.
Intolerantes à lactose precisam ter atenção
A receita tradicional leva leite condensado e, portanto, contém lactose. Quem tem intolerância pode apresentar sintomas como distensão abdominal, gases, cólicas e diarreia, dependendo do grau de intolerância e da quantidade consumida.
Nesse caso, existem leites condensados sem lactose que permitem adaptar a receita.
E existe uma diferença importante: intolerância à lactose não é a mesma coisa que alergia à proteína do leite de vaca. Um produto “zero lactose” continua podendo conter proteínas do leite e, portanto, não é automaticamente adequado para quem tem alergia.
Então brigadeiro engorda?
Nenhum alimento isoladamente determina ganho de peso. O problema aparece quando o consumo frequente contribui para um excesso calórico ao longo do tempo.
E o brigadeiro reúne justamente características que facilitam esse excesso: é pequeno, muito palatável e concentra bastante energia em poucas mordidas.
Isso não significa que você precise olhar para a bandeja de brigadeiros como se estivesse diante de um inimigo.
Texto por: Leonardo Andrade, nutricionista

