Câncer infantil e as particularidades dos cuidados especializados às crianças e adolescentes nessa jornada oncológica
- Redação Saúde Minuto
- 23/11/2023
- Oncologia Pediatria Saúde
Falar sobre o câncer infantojuvenil pode ser considerado algo delicado, afinal, é incomum pensar que pessoas tão jovens, no início de suas vidas, irão passar por um momento tão difícil. No entanto, trazer este tema em pauta é muito importante. Afinal, somente conhecendo bem os sinais e sintomas da doença é que o diagnóstico poderá ser feito o quanto antes e o tratamento corretamente, em ambiente adequado.
Conhecendo o câncer infantil
O primeiro ponto é saber que câncer não é uma doença única. Pelo contrário! As neoplasias, benignas ou malignas, são muito heterogêneas e, a depender de sua característica e da célula que for atingida, serão apresentados tipos de doenças oncológicas diferentes.
Os tipos mais comuns são:
- Leucemias
Esse é o câncer mais incidente na infância e afeta a produção dos glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo. As leucemias agudas, em especial a leucemia linfoide aguda (LLA), são as mais frequentes nessa faixa etária.
- Tumores do Sistema Nervoso Central
Acontecem por conta do crescimento de células anormais no cérebro. São o segundo tipo de neoplasias mais comuns na infância.
- Linfomas
Esse câncer surge quando os linfócitos, tipo de glóbulos brancos que defendem o organismo contra invasores, passam a se proliferar de forma errada.
Os subtipos de linfoma não-Hodgkin têm maior incidência entre crianças e adolescentes.
- Neuroblastoma
Geralmente é encontrado nas pequenas glândulas que ficam em cima dos rins, as chamadas glândulas adrenais. Ele pode se desenvolver na barriga, no peito, no pescoço, na pelve e nos ossos.
- Tumor de Wilms
Também chamado de nefroblastoma, este é um tumor renal e pode acometer um ou ambos os rins.
- Retinoblastoma
Este é um câncer ocular, que começa na retina (parte de trás do olho). Ele pode
- Tumor germinativo
Ele pode ser benigno ou maligno e afeta as células que dão origem aos espermatozoides (nos testículos) e óvulos (nos ovários).
- Osteossarcoma
É um tipo de câncer ósseo, que tem início nas células formadoras dos ossos. Ele costuma acontecer nos ossos longos dos braços e pernas, mas é possível de desenvolver em qualquer outro osso do corpo.
- Sarcomas
Esses tumores malignos são raros e têm origem nas células que formam as partes moles do corpo, como músculos, gordura, tendões, ligamentos, vasos sanguíneos e nervos periféricos.
CRIANÇA PRECISA DE EQUIPE MULTIDISCIPLINAR ESPECIALIZADA
O tratamento das doenças oncológicas pediátricas é bastante particular e exige cuidados singulares. É necessária uma equipe multidisciplinar especializada em pediatria, como, por exemplo, oncologista pediátrico, cirurgião pediátrico, neurocirurgião pediátrico, anestesista pediátrico, além de um ambiente lúdico e seguro para receber os pequenos durante o tratamento oncológico, que costuma ser longo.
Além disso, é preciso garantir que todas as dimensões que constituem essa criança possam ser acolhidas e cuidadas de forma integral, por meio do serviço de psicologia, serviço social, odontologia e pedagogia.
Tais cuidados só serão encontrados em centros de tratamentos especializados de excelência.
MUITOS ANOS DE VIDA PELA FRENTE
Temos avançado muito no desenvolvimento de tratamento do câncer como um todo. Acompanhamos novas descobertas em publicações científicas novas, avanços terapêuticos, Medicina de Precisão, terapias alvo.
Atualmente, o tratamento oncológico visa não somente a cura, mas também promover uma melhora na qualidade de vida e redução dos efeitos tardios para essas crianças. Isso está sendo possível com o conhecimento mais aprofundado dos tumores e das formas de tratar mais eficientemente as neoplasias.
Além disso, com essas descobertas, já existem diversas terapias alvo que, para tipos específicos de neoplasias, atuam diretamente na alteração molecular encontrada no tumor e, assim, reduzem os efeitos colaterais tanto a curto, quanto a longo prazo, o que é importante quando se trata de crianças que terão muitos anos de vida pela frente.
MAS OS DESAFIOS AINDA EXISTEM…
É consenso entre a maior parte dos profissionais que atuam na Oncologia Pediátrica que as novas descobertas terapêuticas também precisam estar disponíveis às crianças e adolescentes. Hoje, grande parte dos medicamentos inovadores lançados são para o tratamento de pacientes adultos.
Outro desafio é a ampla conscientização da população quanto aos sinais e sintomas da doença, para que o diagnóstico seja feito logo ao início do câncer e o tratamento adequado iniciado no momento oportuno. Dentre eles estão:
- Palidez, hematomas ou sangramento
- Caroços ou inchaços no corpo
- Perda de peso, febre, tosse, falta de ar e sudorese noturna
- Alterações oculares, como pupila branca e perda visual
- Inchado abdominal
- Enxaquecas persistentes e vômitos ou dor em membros/dor óssea
- Fadiga e mudanças no comportamento
- Tontura, perda de equilíbrio ou coordenação
PROJETO DODÓI
VAMOS TRAZER SORRISOS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM CÂNCER!
O Projeto Dodói, uma parceria da Abrale com o Instituto Mauricio de Sousa, oferece uma experiência humanizada para crianças e adolescentes em tratamento oncológico em todo o Brasil.
Por meio do Kit Dodói, que contém boneco da Mônica ou Cebolinha, livros informativos sobre os cânceres e seu tratamento, revista de atividades, avisos de porta, escala de dor, máscara hospitalar personalizada, cartas para contação de histórias e muito mais, a criança passa a entender por todo o processo que está passando e se comunicar melhor com a equipe médica.
No triênio 2023/2025, mais de 12 mil crianças de 0 a 19 anos irão receber o diagnóstico de um câncer e precisarão, e muito, deste alento.
Conheça mais sobre o projeto e saiba como ajudar em www.dodoi.abrale.org.br
Texto por Catherine Moura | Médica Sanitarista e CEO da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale)