Canetas emagrecedoras: O que é mito e o que é verdade nesse tratamento que virou febre
- Redação Saúde Minuto
- 15/03/2026
- Medicamentos Saúde
As canetas emagrecedoras viraram assunto em todo lugar. Estão nas redes sociais, nas conversas entre amigos, na mesa de bar e, claro, nos consultórios médicos. Com fama de revolucionárias, para muita gente elas parecem quase uma varinha de condão moderna, capaz de fazer os quilos desaparecerem.
Mas calma.
Apesar dos resultados promissores, esses medicamentos também estão cercados de muita expectativa, desinformação e promessas exageradas. Entender o que realmente é verdade e o que é mito é fundamental para que o tratamento seja feito de forma segura, consciente e com orientação médica.
A seguir, Dra. Karla Bandeira, médica endocrinologista e Consultora Científica da Voy (RQE 64373), explica os principais mitos e verdades sobre as canetas emagrecedoras.
1. As canetas emagrecedoras funcionam para qualquer pessoa
Mito. Esse é um dos equívocos mais comuns e potencialmente perigosos.
Esses medicamentos não são indicados para uso indiscriminado. A prescrição precisa ser individualizada e baseada em critérios clínicos bem estabelecidos, como obesidade ou sobrepeso associado a outras doenças. Por isso, o uso deve sempre acontecer com avaliação e acompanhamento médico.
2. Não é necessário fazer dieta e exercício
Mito.
Embora os análogos de GLP-1 sejam eficazes, os melhores resultados aparecem quando o tratamento medicamentoso é combinado com mudanças no estilo de vida. Isso inclui reeducação alimentar, prática de atividade física e acompanhamento multiprofissional. O medicamento não substitui esses pilares, ele funciona como uma ferramenta complementar no tratamento.
3. Não têm efeitos colaterais
Mito.
Como qualquer medicamento, podem ocorrer efeitos adversos. Os mais comuns são náuseas, vômitos, constipação, diarreia e desconforto gastrointestinal, especialmente no início do tratamento. Em geral, são sintomas transitórios e controláveis quando há acompanhamento médico. O uso sem supervisão aumenta o risco de complicações.
4. Podem ser usados para tratar outras doenças
Verdade.
Esses medicamentos foram inicialmente aprovados para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Alguns já vêm sendo utilizados também em outras condições associadas ao excesso de peso, sempre com avaliação médica individualizada.
5. Podem levar à perda de peso significativa
Verdade.
Estudos clínicos mostram reduções expressivas de peso corporal em pacientes que têm indicação para o tratamento. No entanto, os resultados variam de pessoa para pessoa e dependem de fatores como adesão ao tratamento, dose utilizada, perfil metabólico e mudanças sustentadas no estilo de vida.
6. O peso pode voltar após parar o uso
Verdade.
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial. Quando o tratamento é interrompido, principalmente sem manter as mudanças de hábitos, pode ocorrer reganho de peso. Por isso, o acompanhamento médico contínuo é fundamental para definir o tempo adequado de uso e estratégias de manutenção.
Segundo Dra. Karla Bandeira esses medicamentos representam um avanço importante no tratamento da obesidade.
“É notório que esses medicamentos representam uma mudança relevante na abordagem farmacológica da obesidade. Ainda assim, eles não eliminam a necessidade de políticas públicas e estratégias preventivas, sempre focadas em saúde e bem-estar de forma individualizada”, explica a especialista.
Texto por: Dra. Karla Bandeira