Como a História pode nos ajudar a compreender a pandemia do novo coronavírus?
- Redação Saúde Minuto
- 07/06/2021
- COVID-19 João Aidar
Apesar de fazer parte da humanidade se deparar com pandemias, ninguém estava pronto para ter a vida parada por conta de um vírus
Há 2 milênios, a Ilíada, narrativa de Homero sobre a Guerra de Troia, descreveu a mortandade que caiu sobre os aqueus como castigo divino e como vingança de Apolo pelo sequestro da filha de um dos sacerdotes. Desde então, temos devastações que semearam o horror por todos os cantos da Terra. Evidentemente, tudo foi atribuído a bodes expiatórios, às bruxas, aos magos e à feitiçaria, gerando mortes estúpidas decorrentes da ignorância humana.
Tucídides é o primeiro historiador que descreve, em História da Guerra do Peloponeso, o episódio que destruiu Atenas no ano de 430 a.C., sem atribuir nenhuma responsabilidade aos deuses.
As pestes que devastaram a Europa, especificamente a peste negra, dizimaram 75% da população. A gripe espanhola do século passado dizimou 50 milhões de pessoas. Exemplos de que o homem sempre viveu à mercê de seres microscópicos, os quais, vez ou outra, resolvem dizimar parte da população da Terra.
Acontece que, em pleno século XXI, com tecnologia, antibióticos e medicina que alcançaram patamares nunca vistos antes, vem um vírus e começa a contaminar parte da população e devastar milhões de pessoas. Tudo isso sob o olhar incrédulo de toda a Ciência, que tenta compreender, atônita, o que vem ocorrendo. Esse maldito vírus teve a capacidade de parar o mundo. Parou a economia, o transporte, a livre iniciativa e nos tornou reféns de sua fúria avassaladora.
Assistimos a tudo atônitos e, até o momento, sem entender muito o que ocorre à nossa volta. Quando imaginamos que poderíamos controlá-lo, surgiram as variantes do Reino Unido, África do Sul, Brasil e Índia. Ainda estamos em fase de adaptação, sem sabermos se vem a tal falada terceira onda.
Se por um lado, até agora, o novo vírus já dizimou 3,5 milhões de pessoas no mundo, e no Brasil, mais de 450 mil pessoas, por outro lado, a Ciência também caminha a passos largos e nos trouxe alguns ganhos, tais como, a vacina de RNA, estudos promissores no tratamento de cânceres e o estabelecimento definitivo da Telemedicina, que caminhava a pequenos passos.
Finalmente, o que esperamos é que dentro de algum tempo possamos entender e compreender a epidemiologia desse vírus tão traiçoeiro e devastador.
Texto por: João Aidar | Clínico Geral e Diretor de Relações Corporativas e Institucionais do Instituto SAB