Conheça o tratamento para o refluxo
- Redação Saúde Minuto
- 12/07/2022
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- Eduardo Grecco Video
Sente desconforto no estômago sempre que come algo? Você tem aquela sensação de queimação e às vezes sente até dores no peito? Você pode estar sofrendo de refluxo e ainda não sabe! Confira essas e outras curiosidades sobre refluxo com o cirurgião, endoscopista e colunista do Saúde Minuto, Dr. Eduardo Grecco.
P) Raquel Rojas:
“Doutor Eduardo, por que quem sofre de refluxo tem a sensação de que a comida volta?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Pensar do modo simples, simplesmente o refluxo é voltar, é algo que reflui. Então, aquele ácido que está lá no estômago dentro do estômago do paciente, esse ácido vai refluir. Então ele sai do estômago, voltando pro nosso esôfago.
P) Raquel Rojas:
“Doutor, a gente sabe que além da boca amarga, azia, queimação, tem também a dor torácica, né? Aquela dor no peito que muitas vezes é até confundida com o infarto quais são os principais sintomas do refluxo, doutor?
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Os clássicos é como você bem disse, é a queimação que a gente vai dar pirose, aquela sensação do dragão, de ardência aqui no peito, esse é o sintoma mais clássico, podendo ser tão grave, tão intenso que simula o infarto. A dor é tão importante no peito que o paciente pode achar que ele está infartando. Além disso, a gente tem os atípicos, mas que hoje também são mais frequentes, que é na parte da orofaringe. Dor de garganta, rouquidão, a pessoa está rouca, não sabe o que es tá acontecendo na verdade sintoma, pigarro a pessoa o dia inteiro pigarreando pode ser refluxo e alguns outros quadros também evolui até com quadros de sinusite em alguns pacientes, alguns pacientes evoluem com quadro de tosse, procura uma informação com o pneumologista, não identifica, pode ser refluxo.”
P) Raquel Rojas:
“A acidez que o refluxo proporciona pode causar danos nas cordas vocais?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Sim, sim, exatamente, porque esse processo inflama do refluxo, essa lesão que ele traz na mucosa do esôfago vem até a garganta atingindo a corda vocal, e isso pode prejudicar o funcionamento adequado dessa corda vocal.”
P) Raquel Rojas:
“ Pneumonia de repetição também o refluxo pode causar ou não?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Sim, para pacientes mais graves, então você tem aqueles paciente com poucos sintomas que você trata, pacientes que tem refluxo de repetição, hérnias de ato grande, refluxo bem importante, um ácido muito forte ele pode começar a trazer lesão pra essa traqueia e evoluir com quadros até mesmo de pneumonia.”
P) Raquel Rojas:
“Quais são os exames que devem ser realizados por um diagnóstico preciso?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“O primeiro passo, quem está com refluxo, que está tendo sintomas, que está com dor, procurar um colega médico. Lá no médico vai ser identificado. O que é feito geralmente? Você trata, que é tipo de um tratamento empírico, com as medicações devidas, existe uma série de medicações disponíveis pra tratamento. A partir desse primeiro tratamento, ele vai realizar exames. O principal deles é a endoscopia. Um exame hoje simples, tranquilo, com sedação, o paciente vai lá, vai ter um soninho bom, vai fazer o exame e volta pra casa pro diagnóstico. A partir dessa endoscopia você vai direcionar esse paciente, ele tinha um refluxo que era por má alimentação comportamental e está resolvido o tratamento dele, mas se o paciente continua com o sintoma, a endoscopia mostra algum outro tipo de lesão, você precisa investigar melhor, que é o que a gente fala que esse paciente pode ter uma doença no esôfago, aí esse paciente vai ter que fazer principalmente dois exames é a manometria, que vai medir a pressão e a função do esôfago e a PHmetria que vai medir a acidez gástrica. Com esses dois exames a gente vai poder propor o melhor tratamento pra esse paciente.”
P) Raquel Rojas:
“É muito comum a pessoa quando sofre de refluxo se automedicar, tomar aquele antiácido, né? Aqueles remédios que aliviam, isso pode mascarar algo mais grave, possivelmente até um câncer de esôfago?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Sim, esse é o grande problema, porque as medicações elas são extremamente potentes, então os antiácidos são medicações ótimas que devem ser utilizadas, porém seguindo a devida recomendação médica, a dose correta pelo tempo correto. Tomou porque o amigo tomou, o vizinho tomou, algum familiar tomou. Você pode estar mascarando uma úlcera, uma lesão gástrica, um tumor gástrico, a medicação ela deve ser tomada, ela é super segura eficaz, mas com o acompanhamento médico pra que não haja essa esse problema de mascarar uma doença pior.”
P) Raquel Rojas:
“Uma vez feito o diagnóstico, vocês vão seguir, existem várias linhas de tratamento. Quando o medicamento não funciona quais são os outros tipos de tratamento?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“O que você tem é que a medicação a longo prazo, pra alguns casos, o paciente pode ficar não tão responsivo necessitando de altas doses. A medicação funciona, porém, com altas doses. Ou aquele paciente também que não quer mais ficar tomando medicação pra sempre, pro resto da vida. Então, a partir daí, com os exames, demonstrando que existam alterações no esôfago, na motilidade do esôfago, no funcionamento da musculatura aqui, dessa musculatura que controla esse refluxo. A musculatura do esôfago a gente chama de esfíncter inferior, o esfíncter inferior pode ficar hipotônico, frouxo. E a partir daí a gente pode tomar medidas, tratamentos por endoscopia. Então você vai conseguir fazer com que esse paciente deixe de usar a medicação em altas doses, passe a usar talvez de forma esporádica e melhore a sua qualidade de vida, saindo desses sintomas que ele possui.
P) Raquel Rojas:
“Bom, a gente sabe que mudança alimentar é essencial pra quem sofre de refluxo Doutor, o que não deve de jeito nenhum ter no prato ou no copo de quem sofre de refluxo?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“ Exatamente. Pra você ter ideia, 75% das pessoas de cinquenta milhões, se você trata adequadamente com medidas comportamentais alimentares e a dose correta da medicação vai se curar desse problema. Como? o que a gente tem que evitar de toda forma. A parte comportamental é tentar se alimentar várias vezes ao dia. Evitar aquela refeição noturna, então a pessoa precisa de duas a três horas pra poder deitar aqui de fato, se alimentar e fazer uma caminhada, ficar sentado aguardando a digestão. E a cabeceira ser elevada na cama, você levar um pouco praqueles pacientes que tem essa volta, essas são situações comprovadas cientificamente e da alimentação. Eu brinco, né Raquel? Pros meus pacientes que a gente tem na palma da mão, que a gente pede pra eles evitarem. Você nunca vai proibir nada, é claro que numa fase aguda, numa fase de crise a gente proíbe. Mas se a pessoa evitar, vai conseguir ter um controle melhor do refluxo. Café é um grande vilão, né? E a preferência nacional, é difícil pros pacientes. O chocolate eu vejo também que é difícil de você controlar a situação com os pacientes, o álcool, a bebida alcoólica ela também é extremamente danificosa pro nosso organismo, as frituras, por quê? As frituras, você vai ter que sempre dobrar a quantidade de ácido pra poder fazer a digestão daquele alimento. Então muito cuidado com o excesso de frituras. E os gasosos, os refrigerantes que também além das substâncias, eles vão fazer uma produção de ácido maior, fazendo com que o paciente tenha mais refluxo.
P) Raquel Rojas:
“Doutor, a obesidade também piora o quadro de refluxo?”
R) Eduardo Grecco:
“Esse é hoje um dos fatores mais importantes e predisponentes. Os pacientes com obesidade se eles emagrecem se tratou também o refluxo junto. Por quê? Quando você tem a obesidade, você vai ter uma situação que é um aumento da pressão abdominal. Então, ao abdômen fica com uma pressão maior do que a do tórax. Isso comprime o estômago, faz uma pressão maior, favorecendo esses pacientes a ter refluxo.
P) Raquel Rojas:
“O refluxo diagnosticado, a gente já sabe que existem vários tipos de tratamento, como já falamos aqui com medicamentos, mas quando o medicamento não funciona existe um novo tratamento que é feito através de endoscopia, sem incisão. Gostaria que o senhor explicasse pra gente como é que funciona esse procedimento, doutor?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Exatamente. Depois que esse paciente, já passou por esses diversos tipos de tratamento, ele não tem uma indicação cirúrgica, porque dependendo de alguns pacientes, existe o tratamento cirúrgico também, que ele pode realizar hoje, há um ano que existe no Brasil, nós somos os pioneiros, trouxemos esse método pro Brasil. É um método totalmente endoscópico. Não é cirurgia, não tem cortes, não tem incisão é o TIF. Nada mais é do que um fundo aplicadora endoscópica, é o nome mais difícil, né? Nomes médicos. Então, na verdade o que a pessoas entendem? É confeccionar uma válvula, é essa região do esôfago aonde existe essa frouxidão, você por endoscopia, você vai até lá e vai usar algumas âncoras. e essas âncoras vão apertar essa região de maneira mais simples, vai diminuir esse espaço. Então, com essa fundo aplicatura endoscópica com o a TIF, a gente vai reduzir esse espaço fazendo com você consiga conter a acidez. Esse método mecânico ele vai o quê? Diminuir a exposição.Com a Menos ácido retornando. Você não fecha cem por cento. Só que pra aquele paciente que estava com espaço alargado, que existe essa frouxidão da musculatura, vai ser o método que vai proporcionar e resultados extremamente efetivos, né? A literatura mostra resultados acima de 90% de sucesso., em um acompanhamento de quatro, cinco anos. Então, é um método que está disponível, é um que os pacientes hoje podem se beneficiar desse método totalmente endoscópico pra conter o refluxo e melhorar principalmente o quê? Redução do uso das medicações a longo prazo e a sua qualidade de vida.”
P) Raquel Rojas:
“Doutor e a recuperação? Ele faz quanto tempo dura? É anestesia geral? Como funciona?
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Para que as pessoas entendam, hospital dia, vai em um hospital, anestesia geral, um procedimento de cerca de trinta a quarenta minutos, claro pra pessoas exatamente bem treinadas e vai pra casa no mesmo dia. Não precisa ficar internado. Vai ter um leve desconforto, receber orientações nutricionais importantes por conta dessa nova válvula que fo realizada. E depois, a partir daí, faz o segmento mensal. E nós já temos acompanhamento dos paciente de um ano de tratamento com resultados excelentes”.
Mitos e verdades
P) Raquel Rojas:
“Álcool piora o refluxo, mito ou verdade?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Verdade.”
P) Raquel Rojas:
“Comidas gordurosas acentuam o quadro?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Muito, porque aumentam ainda mais a produção de ácido.”
P) Raquel Rojas:
“Chocolate não piora o quadro de refluxo. Tem gente torcendo por essa resposta.”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“É, mas infelizmente é um mito, porque a substância do chocolate inibe o funcionamento” adequado da região do esôfago. Então, é prejudicial.”
P) Raquel Rojas:
“Ingerir bebida durante a refeição, piora o quadro de refluxo. Mito ou verdade, doutor?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Verdade. Para todas as refeições devemos procurar evitar o excesso de bebida junto, por quê? É mais líquido, é mais volume dentro do estômago, maior pressão favorecendo o refluxo.”
P) Raquel Rojas:
“Comer duas horas antes de dormir pode aliviar os sintomas de refluxo, mito ou verdade?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Verdade, isso é fundamental, é um comportamento importante porque se você se alimenta com duas horas você dá chance da digestão adequada, menos ácido, porque a hora que você se deita esse ácido pode escorrer, como se você pegasse um copo de água e virasse aqui na mesa. Vai espalhar aqui a mesma coisa. Você comendo antes, menos acidez, menos refluxo.”
P) Raquel Rojas:
“Esse é polêmico, antiácido, nem sempre é indicado no tratamento para o refluxo. Mito ou verdade?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Verdade. só vai usar medicação de acordo com a orientação do seu médico, senão você pode estar mascarando uma doença pior, até mesmo um câncer.”
P) Raquel Rojas:
“Travesseiro antirrefluxo é bem-vindo no tratamento do refluxo.”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Verdade, ótima ideia, ótima dica. Ou você eleva a cabeceira ou travesseiro antirrefluxo. Cuidado de colorar dois, três, travesseiro. Vai acordar com refluxo e torcicolo.”
P) Raquel Rojas:
“Refluxo causa problemas odontológicos. Mito ou verdade?
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Mito. Existem muitas situação em virtude de você ter uma acidez maior na boca mas não a ponto de trazer ser a causa principal de problemas dentários. Geralmente associado a outros fatores.”
P) Raquel Rojas:
“O estresse eleva e muito a incidência do refluxo, mito ou verdade?
R) Dr. Eduardo Grecco:
“ Verdade. Isso é fundamental porque não só a condição da pessoa estressada de uma hiperacidez faz com que a pessoa se alimente mal, tenha péssima refeição, não busque uma alimentação saudável ou uma rotina alimentar. Você não ter uma rotina, uma tranquilidade gera ansiedade, refluxo.”
P) Raquel Rojas:
“Água com gás, essa eu tenho certeza que muita gente tem dúvida, alivia o sintoma do refluxo?”
R) Dr. Eduardo Grecco:
“Mito, água com gás é um gasoso, mesma coisa de refrigerantes, vai aumentar essa acidez também. E aqui a sensação frescor da água com gás, faz com que você tenha uma sensação imediata, porém na sequência você vai ter uma hiperprodução ácida.”
Raquel Rojas:
“Sempre muito bom conversar com o doutor Eduardo Grecco. esclareceu todas as nossas dúvidas, mais uma vez muito obrigada pela aula que você nos deu, nos encontramos numa próxima aqui no Saúde Minuto.”
Dr. Eduardo Grecco:
“Eu que agradeço, um prazer estar com vocês no Saúde Minuto, sempre a disposição, forte abraço a todos!”
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Dr. Eduardo Grecco
Cirurgião do Aparelho Digestivo e Endoscopista
Comments (3)
Flor de liz Ribeiro
17 jul 2022Eu estou sofrendo muito com crise de refluxo. Obrigado pelas informações.
Maria cilda
29 jul 2022Gostaria que o doutor falasse sobre síndrome do intestino irritável