Conjuntivite: calor, piscina e descuido explicam o aumento dos casos
- Redação Saúde Minuto
- 29/01/2026
- Oftalmologia Saúde
Verão combina com praia, piscina, sol forte, vento no rosto e aquele mergulho para se refrescar. O problema é que tudo isso, junto e misturado, cria o cenário perfeito para um visitante nada bem-vindo: a conjuntivite.
De acordo com o oftalmologista Dr. Celso Cunha, consultor da HOYA Vision Care, os meses mais quentes do ano concentram uma série de fatores que deixam os olhos mais vulneráveis. “Calor, vento, exposição solar intensa, cloro das piscinas e água potencialmente contaminada, como a do mar, favorecem inflamações e aumentam a circulação de vírus e bactérias”, explica. Não à toa, os casos podem crescer até 46% no verão.
Piscina e praia aumentam mesmo o risco?
Sim. E não é mito. A água das piscinas pode conter cloro e microrganismos irritantes, enquanto o mar pode carregar agentes contaminantes. Além disso, hábitos comuns da estação, como abrir os olhos debaixo d’água, usar lentes de contato na piscina ou no mar e coçar os olhos com as mãos sujas, facilitam a infecção ocular.
Nem toda conjuntivite é igual
Existem diferentes tipos de conjuntivite, e eles não se manifestam da mesma forma.
A conjuntivite viral é a mais comum no verão e também a mais contagiosa. Provoca sensação de areia nos olhos, lacrimejamento, secreção clara, inchaço e, em alguns casos, ínguas próximas à orelha. A aglomeração típica das férias favorece sua disseminação.
A conjuntivite bacteriana, mais frequente em crianças, costuma causar secreção amarelada e abundante, olhos bem vermelhos e, geralmente, não provoca coceira.
Já a conjuntivite alérgica não é contagiosa. Ela se caracteriza por coceira intensa, secreção clara e vermelhidão leve a moderada, sendo comum em pessoas com histórico de alergias.
Independentemente do tipo, o alerta é claro: nada de usar colírios por conta própria. “O diagnóstico correto e a prescrição médica fazem toda a diferença”, reforça o especialista.
Olho vermelho nem sempre é conjuntivite
Embora seja a suspeita mais comum no verão, olho vermelho pode indicar outras condições, como ceratite, pterígio, fotoceratite, olho seco ou alergias oculares. Todas exigem avaliação adequada para evitar complicações.
Conjuntivite é sempre contagiosa?
Não. As formas viral e bacteriana são contagiosas, especialmente a viral. O risco aumenta com contato direto com secreções, compartilhamento de toalhas, maquiagem, colírios e pela falta de higiene das mãos. A conjuntivite alérgica, por outro lado, não é transmissível.
Hábitos de verão que facilitam a transmissão
Coçar os olhos com as mãos sujas, compartilhar objetos pessoais, frequentar piscinas sem os devidos cuidados, não trocar toalhas e fronhas com frequência e usar colírios sem orientação médica estão entre os principais vilões.
Óculos escuros protegem ou são só estilo?
Protegem, sim, desde que tenham 100% de proteção contra raios UVA e UVB. Eles ajudam a reduzir os danos da radiação ultravioleta, prevenindo irritações, queimaduras oculares e o agravamento de doenças como pterígio e catarata. Não é só estética, é cuidado com a saúde ocular.
Como prevenir a conjuntivite no verão?
Algumas atitudes simples fazem diferença:
- Manter boa higiene das mãos;
- Evitar coçar os olhos;
- Não compartilhar objetos pessoais;
- Usar óculos de sol com proteção UV;
- Evitar lentes de contato na água;
- Usar óculos de natação;
- Recorrer a lágrimas artificiais apenas com orientação médica.
Quando procurar o oftalmologista imediatamente?
Dor persistente, vermelhidão intensa, secreção espessa ou purulenta, sensibilidade extrema à luz ou visão embaçada são sinais de alerta. O diagnóstico precoce evita complicações e acelera a recuperação.
Os erros mais comuns no tratamento
Automedicação, uso indiscriminado de colírios, interromper o tratamento antes do tempo prescrito e usar colírios de outras pessoas são práticas que podem piorar o quadro e aumentar o risco de transmissão.
No verão, curtir o lazer é essencial, mas cuidar dos olhos também. Afinal, férias boas são aquelas que não terminam no consultório médico.
Texto por: Dr. Celso Cunha