Corações em risco: pacientes com estenose aórtica lutam por acesso a tratamento minimamente invasivo
- Redação Saúde Minuto
- 21/09/2025
- Bem-estar Saúde
Dados demográficos mostram que o Brasil, assim como muitos países do mundo, está passando por um processo acelerado de envelhecimento populacional. Segundo o IBGE, estima-se que, até 2030, o número de pessoas idosas será maior que o de crianças e adolescentes. Esse novo perfil populacional traz impactos profundos para as políticas de saúde pública, já que doenças antes consideradas raras se tornam cada vez mais frequentes. Entre elas está a estenose aórtica, condição causada pela degeneração e calcificação progressiva da válvula aórtica, que dificulta a saída do sangue do coração para a aorta e compromete a circulação sanguínea.
Os sintomas mais comuns incluem cansaço, falta de ar, dor ou pressão no peito, arritmias e episódios de desmaio. Os estágios avançados são marcados por insuficiência cardíaca, angina e síncope. A perda de qualidade de vida é expressiva: o paciente enfrenta fadiga constante, limitações para realizar atividades simples do dia a dia e isolamento social. Esse quadro gera impacto não apenas individual, mas também familiar e coletivo, sobrecarregando cuidadores, o sistema público de saúde e a Previdência. Muitos deixam de trabalhar e de praticar atividades físicas, tornando-se dependentes, com todas as implicações econômicas e sociais decorrentes. Além disso, a estenose aórtica reduz de forma significativa a expectativa de vida, privando as pessoas de anos preciosos que poderiam ser vividos com autonomia e dignidade.
É nesse contexto que a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) abriu a Consulta Pública nº 160, a fim de receber críticas e sugestões sobre a ampliação do rol de procedimentos, com a inclusão do implante de válvula aórtica transcateter (TAVI) para pacientes com estenose aórtica grave de baixo risco cirúrgico. Ao permitir a substituição da válvula por via percutânea, sem a necessidade da cirurgia convencional de “peito aberto” – um procedimento invasivo que demanda longas internações, maior tempo de convalescença e recuperação prolongada – a TAVI apresenta importantes vantagens, entre elas:
Ø Menos riscos no pós-operatório: em pacientes selecionados, os procedimentos minimamente invasivos têm mostrado menor taxa de complicações logo após a cirurgia.
Ø Recuperação mais rápida: a volta às atividades do dia a dia acontece em menos tempo, garantindo maior independência ao paciente.
Ø Menos complicações: a técnica reduz problemas comuns da cirurgia aberta, especialmente em pessoas idosas ou com outras doenças associadas.
Ø Qualidade de vida: diversos estudos e análises internacionais já demonstraram ganhos reais tanto na qualidade de vida quanto na sobrevida desses pacientes.
Trata-se de um fato histórico que busca recuperar a fronteira da inovação e iniciar um novo ciclo no tratamento da alta complexidade cardiológica no Brasil. Esse procedimento foi realizado pela primeira vez em 2002, na França, e permite a substituição da válvula nativa por meio de um cateter introduzido em um acesso vascular arterial, geralmente pela virilha do paciente, de forma semelhante à angioplastia com implante de stent coronário. Essa característica torna o procedimento rápido e mais seguro, com impacto social positivo para as famílias e potencial reflexo no sistema público de saúde.
Apesar de já estar disponível no Brasil há 18 anos, a técnica permanecia restrita à rede privada de saúde até 2021, quando passou a integrar o rol de cobertura dos planos de saúde. Somente em 2022 foi incorporada ao SUS, destinada a pacientes com alto risco cirúrgico e idade acima de 75 anos. Nesse longo período desde a sua liberação, a cardiologia brasileira realizou um importante trabalho de especialização e capacitação para a TAVI, liderado pela SBHCI – Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista –, por meio de debates, simpósios, treinamentos e cursos.
“Hoje, os cardiologistas intervencionistas brasileiros estão entre os especialistas mais capacitados e reconhecidos no mundo para a implantação da TAVI, técnica alinhada à tendência moderna de tratamentos menos invasivos, com foco na segurança e na qualidade de vida do paciente após o procedimento”, afirma o Dr. José Airton de Arruda, Diretor Administrativo da SBHCI.
Para participar, acesse o site da ANS (www.gov.br/ans) e siga o caminho: “Participação Social” > “Consultas Públicas” > “Consulta pública nº 160 – Contribua agora”.