Descubra quando a terapia hormonal é indicada e contraindicada
- Redação Saúde Minuto
- 13/09/2021
- Aline Ambrósio Ginecologia
Não há consenso quanto ao tempo de uso, mas deve se ficar atento aos perfis que devem e não devem fazer a terapia
Com a longevidade atual, onde passamos mais de um terço de nossas vidas no climatério, faz-se necessária alguma terapêutica para manter ou restabelecer a qualidade de vida das mulheres nesta fase da vida.
Além das medidas preventivas no estilo de vida, como atividade física, alimentação, sono adequado e meditação, a terapia hormonal é uma grande aliada para atuar na qualidade de vida global e sexual durante o climatério.
Podemos entrar na menopausa a partir dos 40 anos, sendo mais comum entre as brasileiras perto dos 47 anos.
Quanto mais cedo entramos na menopausa, mais importante é o uso da terapia hormonal, pois ela promove menor incidência de doenças cardiovasculares, osteoporose, disfunções sexuais, e sintomas gênito-urinários (secura vaginal, urgência para urinar, perda urinária), e melhora dos quadros de calores, labilidade emocional, depressão e perda de memória.
Estudos mostram que podemos iniciar a terapia hormonal naquelas mulheres que entraram na menopausa nos últimos cinco anos, e não há consenso sobre o tempo máximo de uso.
Está contraindicada nas mulheres que tiveram: câncer de mama ou doença precursora de câncer de mama, câncer de endométrio, doença hepática descompensada, sangramento vaginal de causa desconhecida, doença coronariana e cerebrovascular prévias (anginas, infarto e AVC), trombose venosa, lúpus com risco de trombose, meningeoma (um tipo de tumor cerebral), porfiria (doença sanguínea).
Quanto às vias de uso da terapia hormonal e tipo:
- a terapia oral está associada à elevação do risco de trombose venosa de duas vezes ou mais, enquanto a transdérmica não apresenta este risco;
- risco de doenças coronarianas não se eleva com nenhuma das vias de administração;
- a terapia isolada de estrogênio (hormônio feminino) reduz risco para câncer de mama, mas pode elevar risco para câncer de endométrio (sendo necessário o uso da progesterona, mesmo que intermitente);
- a terapia combinada de estrogênio e progestagênio eleva muito pouco o risco para câncer de mama (5 casos a mais dentro das 22,5:1000 que surgem após 7 anos da menopausa sem uso de terapia hormonal);
- a terapia hormonal vaginal é melhor para tratar os sintomas genito-urinários e podem ser utilizados inclusive em casos selecionados de mulheres que tiveram câncer de mama.

Dra. Aline Ambrósio
Ginecologista