Dia Mundial do Rim: 5 hábitos que fazem mal aos rins e ninguém imagina
- Redação Saúde Minuto
- 12/03/2026
- Nefrologia Rins Saúde
Campanha alerta para o avanço da Doença Renal Crônica no mundo e destaca como atitudes simples do dia a dia podem comprometer a saúde dos rins de forma silenciosa.
O Dia Mundial do Rim, celebrado na segunda quinta-feira de março, reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das doenças renais. Em 2026, quando a campanha completa 20 anos, o tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta” amplia esse debate ao destacar a conexão entre sustentabilidade ambiental e saúde renal, abordando os riscos climáticos, o alto consumo de recursos na diálise e a necessidade de reduzir desigualdades no acesso ao tratamento.
O alerta é urgente. A Doença Renal Crônica (DRC), antes vista como uma “ameaça silenciosa”, tornou-se uma crise global de saúde pública: segundo estudo publicado na revista científica The Lancet, o número de pessoas com função renal reduzida quase dobrou nas últimas três décadas, passando de 378 milhões em 1990 para 788 milhões em 2023. Hoje, cerca de 14% dos adultos no mundo convivem com a doença, que já é a nona principal causa de morte global, responsável por 1,5 milhão de óbitos anualmente. Diante desse cenário, falar em saúde renal vai além do cuidado individual, exige políticas inclusivas, organização do sistema de saúde e ações concretas que garantam equidade, acesso ao tratamento e um futuro mais sustentável.
Para a Dra. Daphnne Camaroske, nefrologista da Fenix Nefrologia (CRM – 138.408 | RQE – 93247), o problema muitas vezes começa em pequenos hábitos do dia a dia. “Muitos hábitos considerados normais hoje são pequenas agressões repetidas aos rins. Os rins têm grande capacidade de compensação, por isso a perda de função pode evoluir durante anos sem sintomas.”
Entre as principais causas da doença renal estão hipertensão arterial e diabetes, duas condições altamente prevalentes e muitas vezes mal controladas. Dados do último Censo Brasileiro de Diálise indicam que a hipertensão é a principal causa de doença renal crônica em pacientes em diálise no país, enquanto o diabetes responde por cerca de 32% dos casos. Estima-se ainda que entre 20% e 40% das pessoas com diabetes desenvolvam Doença Renal do Diabetes (DRD) ao longo da vida.
Neste cenário, a nefrologista chama a atenção para erros cotidianos que parecem inofensivos, mas podem se transformar em verdadeiras armas contra a saúde renal.
1. Uso frequente de anti-inflamatórios e analgésicos
O hábito de recorrer a anti-inflamatórios para dores musculares, cólicas ou ressacas é muito comum, e pode ser perigoso. Os anti-inflamatórios reduzem a inflamação e a dor, mas também interferem no fluxo sanguíneo renal, especialmente no glomérulo, estrutura responsável pela filtração do sangue.
A doutora destaca: “Esses medicamentos diminuem a produção de substâncias que ajudam a manter os vasos renais dilatados. O sangue chega com menos força aos filtros dos rins e a filtração pode cair.”
Pessoas com idade avançada, hipertensão, diabetes, desidratação ou que usam diuréticos e antihipertensivos estão ainda mais vulneráveis. A automedicação e o uso indiscriminado aumentam o risco de lesão renal aguda e podem acelerar a progressão da doença renal crônica.
2. Dietas hiperproteicas e excesso de proteína animal
Dietas ricas em proteína, especialmente de origem animal, também merecem atenção. O consumo exagerado aumenta a filtração glomerular e pode gerar um estado de hiperfiltração, que sobrecarrega os rins ao longo do tempo, principalmente em pessoas com hipertensão, diabetes ou predisposição genética. Além disso, carnes processadas e alimentos ultraprocessados, ricos em sódio, gorduras e aditivos, estão associados à inflamação e a alterações metabólicas que impactam diretamente a saúde renal.
“Em indivíduos totalmente saudáveis, não é maléfico. O problema é que muitas pessoas não sabem que já possuem redução discreta da função renal ou fatores de risco como hipertensão e diabetes. Nesses casos, manter a hiperfiltração crônica pode acelerar a perda de função ao longo dos anos.”, diz a Dra. Daphnne.
3. Desidratação leve, mas constante
Beber pouca água diariamente mantém os rins sob estresse contínuo. A desidratação reduz o fluxo sanguíneo renal e favorece cálculos, infecções urinárias e até lesão renal aguda em situações mais graves.
Segundo a Dra. Daphnne Camaroske, nefrologista da Fenix Nefrologia: “O primeiro sinal é a sede, que representa o alerta imediato de que nossos estoques de água estão diminuindo. Outros sintomas incluem boca seca, pele ressecada, dor de cabeça, fadiga e até prisão de ventre.”
Ela reforça que a cor da urina é um importante indicador: “Amarelo-claro ou amarelo-palha é a coloração considerada ideal da urina e, na maioria das vezes, indica boa hidratação.”
4. Excesso de sal e alimentos ultraprocessados
O consumo elevado de sal está diretamente associado ao aumento da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e a progressão da doença renal crônica. O excesso de sódio favorece a retenção de líquidos, eleva a pressão dentro dos glomérulos, estruturas responsáveis pela filtração do sangue, e, ao longo do tempo, contribui para o desgaste dessas unidades filtradoras.
Mas o impacto vai além da hipertensão. Como explica a Dra. Daphnne: “Quando consumimos muito sal, o corpo retém mais líquido e os rins passam a trabalhar sob maior sobrecarga. Além disso, o excesso de sódio altera o funcionamento dos pequenos vasos renais e pode aumentar a perda de proteína na urina.”
Outro ponto de atenção são os alimentos ultraprocessados, como embutidos, molhos prontos e refrigerantes, especialmente os de cola. Esses produtos concentram grandes quantidades de sódio e fósforo, além de açúcares e gorduras de baixa qualidade. Esse conjunto de fatores favorece o desenvolvimento de hipertensão, resistência à insulina e inflamação crônica, condições diretamente associadas ao avanço da Doença Renal Crônica (DRC).
5. Consumo excessivo de álcool
“O álcool interfere diretamente no equilíbrio hídrico e na regulação da pressão arterial, duas funções essenciais para os rins”, explica a Dra. Daphnne. “Ele inibe a ação do hormônio antidiurético, fazendo a pessoa urinar mais e perder líquidos e eletrólitos. Com isso, o fluxo sanguíneo renal diminui, sobrecarregando os néfrons.”
Em casos de excesso, pode ocorrer lesão renal aguda, especialmente quando associado a calor, desidratação ou uso de anti-inflamatórios.
Os rins trabalham 24 horas por dia filtrando o sangue, eliminando toxinas, regulando a pressão arterial, participando da produção de glóbulos vermelhos e mantendo o equilíbrio de minerais essenciais para o funcionamento do organismo. Como alerta a Dra. Daphnne: “O grande problema é que a doença renal costuma ser silenciosa: a pessoa pode perder grande parte da função dos rins sem apresentar sintomas.”
Por isso, esperar sinais do corpo pode significar descobrir a doença tardiamente. A avaliação preventiva é simples: exames de sangue, com dosagem de creatinina, e exame de urina para detectar perda de proteína são acessíveis e capazes de identificar alterações ainda nas fases iniciais, quando as chances de intervenção e controle são muito maiores.
Em um ano simbólico, no qual o Dia Mundial do Rim completa 20 anos, o tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta” reforça que a saúde renal vai além do indivíduo. Falar de rins é falar de prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento, mas também de sustentabilidade e justiça social. Diante de um cenário em que milhares de brasileiros ainda morrem antes de conseguir diálise ou transplante, o principal recado da campanha é claro: cuidar dos rins é um compromisso coletivo, com as pessoas, com o sistema de saúde e com o futuro.
Texto por: Dra. Daphnne Camaroske