Dor do crescimento é normal? Quando se preocupar com as queixas das crianças
- Eduardo Ventura
- 18/04/2026
- Kids Saúde
A dor nas pernas é uma queixa comum na infância e costuma preocupar muitos pais. Em grande parte dos casos, trata-se da chamada dor do crescimento, uma condição benigna, mas que exige atenção para não ser confundida com problemas mais sérios.
Afinal, o que é a dor do crescimento?
Apesar do nome, a dor do crescimento não está diretamente ligada ao crescimento físico. Ela é um quadro de dor musculoesquelética recorrente, mais frequente em crianças entre 3 e 10 anos, que aparece principalmente no fim do dia ou durante a noite. Muitas vezes, a criança acorda chorando por causa da dor, mas, no dia seguinte, está bem, ativa e sem qualquer limitação.
Por que essa dor acontece?
A dor costuma atingir as pernas, especialmente coxas, canelas e a região próxima aos joelhos. Um ponto importante é que ela não segue um padrão fixo: pode aparecer em uma perna, depois na outra, ou até nas duas ao mesmo tempo. Também é comum melhorar rapidamente com medidas simples, como massagem, calor local ou uso de analgésicos leves.
Ainda não existe uma causa única definida. Especialistas consideram que fatores como maior sensibilidade à dor, sobrecarga muscular após atividades do dia e até aspectos emocionais possam estar envolvidos. Mesmo assim, nenhuma dessas hipóteses foi comprovada de forma definitiva.
Outro ponto essencial é entender o que não faz parte desse quadro. A dor do crescimento não provoca inchaço, vermelhidão ou calor nas pernas. Também não causa mancar, nem impede a criança de brincar ou realizar suas atividades normalmente. Se esses sinais estiverem presentes, é importante investigar.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, feito a partir da avaliação do médico, geralmente o pediatra ou ortopedista. Não há exames específicos para confirmar a condição, e testes só são solicitados quando há sinais de alerta ou dúvidas no diagnóstico.
Qual é o tratamento?
O tratamento, na maioria das vezes, não é necessário além de medidas para aliviar o desconforto. Massagens, compressas mornas, banho quente e analgésicos simples costumam resolver rapidamente. Mais importante do que qualquer intervenção é tranquilizar a criança e os responsáveis, já que se trata de um quadro transitório.
Mesmo sendo comum e benigna, toda dor deve ser observada com cuidado. Situações como dor persistente em um único local, dor durante o dia, presença de mancar ou limitação nas atividades merecem avaliação mais detalhada, pois podem indicar outras condições.
No fim das contas, a dor do crescimento tende a desaparecer com o tempo. O maior risco não está nela, mas em ignorar sinais que fogem do padrão e podem indicar algo mais sério.