Dor nas costas não é normal: conheça as quatro condições que mais afetam a coluna dos brasileiros
- Redação Saúde Minuto
- 03/08/2026
- Saúde
Lombalgia, hérnia de disco, escoliose e artrose da coluna estão entre as principais causas de dor e limitação funcional; diagnóstico precoce pode evitar complicações
Seja após um longo dia de trabalho, horas em frente às telas ou até mesmo ao acordar, a dor nas costas faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Embora muitas pessoas a encarem como consequência natural do envelhecimento ou do excesso de esforço, conviver com esse desconforto não é saudável e nem deve ser considerado normal.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 619 milhões de pessoas no mundo convivem com algum tipo de dor lombar. A estimativa é que esse número chegue a 843 milhões até 2050, impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo sedentarismo e pelo aumento da obesidade. Atualmente, a lombalgia é considerada a principal causa de incapacidade em todo o mundo.
O ortopedista especialista em cirurgia da coluna, Dr. Luciano Miller, do Einstein Hospital Israelita, chama atenção para o aumento das queixas entre adultos jovens.
“Antigamente, os problemas de coluna eram mais associados ao envelhecimento. Hoje vemos pacientes cada vez mais jovens com dores provocadas pelo sedentarismo, excesso de tempo sentado, uso frequente de tecnologias, má postura e sobrepeso.”
Conheça as quatro condições que mais afetam a coluna
Lombalgia: a principal causa de dor nas costas é a dor localizada na região inferior da coluna e representa a queixa mais frequente nos consultórios médicos. Estima-se que até 80% das pessoas terão pelo menos um episódio de dor lombar ao longo da vida.
Os sintomas mais comuns são dor na região lombar, rigidez ao levantar, dificuldade para permanecer muito tempo em pé ou sentado e limitação dos movimentos. A condição pode surgir a partir dos 20 ou 30 anos e está relacionada a fatores como sedentarismo, obesidade, longos períodos sentado, má postura, esforço físico repetitivo e estresse. O tratamento pode incluir medicamentos, fisioterapia, fortalecimento muscular e mudanças nos hábitos de vida.
Hérnia de disco: afeta cerca de 15% da população brasileira e é considerada uma das doenças que mais afastam trabalhadores de suas atividades. O problema ocorre quando o disco localizado entre as vértebras sofre desgaste ou ruptura e passa a comprimir estruturas nervosas.
Os principais sintomas são dor intensa na coluna lombar ou cervical, dor irradiada para braços ou pernas, formigamento, perda de força muscular e dificuldade para caminhar ou realizar determinados movimentos.
“Embora seja mais comum entre pessoas de 30 e 50 anos, a hérnia de disco também pode surgir em pacientes mais jovens, principalmente quando existem fatores de risco como tabagismo, sedentarismo, excesso de peso e atividades que exigem levantamento frequente de cargas”, destaca o cirurgião de coluna.
Escoliose: aproximadamente 6 milhões de brasileiros convivem com algum grau da doença, muitas vezes sem diagnóstico. Caracterizada por uma curvatura anormal da coluna vertebral, a escoliose costuma surgir durante a infância ou a adolescência, embora também possa aparecer na vida adulta.
A doença pode evoluir de forma silenciosa e, em muitos casos, não causa dor no início. Entre os principais sinais de alerta estão a curvatura da coluna em formato de “S” ou “C”, ombros ou quadris em alturas diferentes, desalinhamento da cintura, um lado das costas mais alto ou mais saliente que o outro e inclinação do tronco para um dos lados.
“Mesmo que a maioria dos casos de escoliose seja idiopática, ou seja, sem uma causa específica conhecida, existem situações em que a condição está relacionada a doenças neuromusculares, lesões traumáticas e alterações congênitas”, explica o médico.
O tratamento depende do perfil do paciente e da gravidade da doença, podendo variar entre acompanhamento médico, fisioterapia, uso de colete ortopédico e cirurgia.
Artrose da coluna: é causada pelo desgaste das articulações da coluna ao longo dos anos. É mais comum após os 50 anos, mas fatores como histórico familiar, obesidade e atividades que sobrecarregam a coluna podem antecipar o problema.
Os sintomas mais frequentes são dor crônica, rigidez ao acordar, dor após permanecer muito tempo em pé e diminuição da mobilidade. O tratamento inclui fortalecimento muscular, fisioterapia, controle do peso e medicamentos para aliviar os sintomas.
Quando a dor deixa de ser normal?
A dor merece atenção quando persiste por mais de quatro semanas, desperta o paciente durante a noite, irradia para os braços ou pernas, vem acompanhada de formigamento frequente, perda de força muscular, dificuldade para caminhar ou surge após quedas ou acidentes.
“O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quanto antes identificamos a origem do problema, maiores são as chances de controlar a doença e aliviar a dor”, destaca o Dr. Luciano Miller.
Embora nem todas as doenças da coluna possam ser prevenidas, alguns hábitos ajudam a reduzir significativamente o risco de dores e lesões. Entre eles estão praticar atividade física regularmente, manter boa postura e peso adequado, evitar permanecer muito tempo sentado e adotar uma postura correta ao utilizar computadores, celulares e outras telas.
Texto por: Dr. Luciano Miller.