Entenda os riscos dos acidentes domésticos em idosos
- Redação Saúde Minuto
- 04/11/2024
- Geriatria Últimas notícias
Na tarde desta segunda-feira (04), o Brasil foi impactado com o falecimento do cantor Agnaldo Rayol, de 86 anos. O artista sofreu um acidente doméstico, uma queda, durante a madrugada de ontem (03).
As quedas são um dos maiores medos dos idosos e de seus familiares, e a frequência de casos no Brasil é assombrosa. De acordo com informações do DATASUS, 17.136 atendimentos hospitalares e 9.658 atendimentos ambulatoriais envolvendo idosos (de 60 a 110 anos) foram registrados no primeiro bimestre de 2024. Além de causar fraturas e outros ferimentos graves, elas podem levar à perda de autonomia e até mesmo à morte. Diversos fatores contribuem para o aumento do risco de quedas nessa faixa etária, tornando a prevenção uma tarefa complexa, mas essencial.
O Dr. Marco Aurelio Janaudis, médico geriatra com doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), conta que, dentre os principais fatores de risco, destacam-se os medicamentos. “Muitos idosos fazem uso de diversos medicamentos controlados e de tarja preta ao longo do dia, e alguns deles podem causar tonturas, sonolência e outros efeitos colaterais que comprometem o equilíbrio e a coordenação motora”, conta.
Adaptações no ambiente domiciliar do idoso são fundamentais. O Dr. Marco Aurélio explica que “remover tapetes soltos e instalar barras de apoio no banheiro” são medidas simples que podem prevenir acidentes. Ele explica, também, que muitos dos acidentes – inclusive o sofrido por Agnaldo Rayol – ocorrem durante a noite ou madrugada, período em que a pessoa idosa costuma levantar da cama para ir ao toalete. Para evitar uma queda durante esse percurso habitualmente escuro, uma iluminação com uma pequena lanterna seria uma boa alternativa, segundo o médico.
O geriatra Marco Tulio Gualberto Cintra, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, alerta para a importância de um check-up regular: “Um check-up de rotina ajuda a identificar medicamentos que podem causar risco, doenças como arritmia e dificuldade visual. O geriatra vai identificar tudo isso.” O especialista também chama a atenção para a importância da avaliação da mobilidade e do equilíbrio do idoso, além da necessidade de adaptar o ambiente doméstico para torná-lo mais seguro.
Dr. Marco Tulio ainda soma à questão os cuidados com a sarcopenia, uma alteração da musculatura esquelética caracterizada pela redução da força e da massa muscular. O problema é agravado, também, se na presença de hipotensão ortostática – a queda de pressão repetitiva sempre que o idoso se levanta – e osteoporose. Todos esses fatores precisam ser mapeados e checados para maior segurança da pessoa idosa, e é a isso que se soma a necessidade da realização de exames de rotina.
A combinação de atividade física regular, adaptada às necessidades e capacidades individuais, com uma alimentação balanceada e rica em nutrientes essenciais, é fundamental para a prevenção de quedas em idosos, por fim. A prática de exercícios que trabalham o equilíbrio, a força muscular e a coordenação, associada à adaptação do ambiente domiciliar, pode reduzir significativamente o risco de quedas e melhorar a qualidade de vida.
Profissional consultado 1: Dr. Marco Aurelio Janaudis, médico geriatra com doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP)
Profissional consultado 2: Dr. Marco Tulio Gualberto Cintra, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG)
Texto por: Francisco Varkala | Redação Saúde Minuto