Estresse de fim de ano aumenta riscos ao coração, alertam especialistas
- Redação Saúde Minuto
- 12/12/2025
- Cardiologia Saúde
O final de ano costuma ser marcado por confraternizações, viagens, metas acumuladas e uma rotina mais acelerada. Para muitas pessoas, essa combinação eleva significativamente os níveis de estresse e, embora muitas vezes seja percebido apenas como um desconforto emocional, a pressão constante pode ter impacto direto e perigoso na saúde cardiovascular.
Um levantamento da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM) aponta que os níveis de estresse aumentam cerca de 75% nesse período, impulsionados pela sobrecarga de trabalho, obrigações sociais e pela pressão típica das festividades. A preocupação é ainda maior entre as mulheres. Um estudo publicado na revista Neurology revelou que mulheres jovens expostas a altos níveis de estresse crônico apresentam até 78% mais risco de sofrer AVC isquêmico, indicando danos silenciosos que se acumulam ao longo do tempo.
De acordo com o Dr. Ítalo Menezes Ferreira, Coordenador da Unidade Coronária do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), a relação entre estresse e saúde do coração é mais profunda do que se imagina. Ele explica que o estresse crônico provoca descarga prolongada de hormônios como adrenalina e cortisol, o que eleva a pressão arterial, aumenta a frequência cardíaca e favorece processos inflamatórios envolvidos na formação de placas nas artérias. No fim do ano, quando a rotina se intensifica, esses efeitos podem se somar a outros fatores de risco e facilitar eventos como infarto e AVC.
O cardiologista também alerta que sintomas como irritabilidade constante, cansaço excessivo, insônia, palpitações e dores no peito não devem ser ignorados, especialmente por pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares ou que convivem com hipertensão, diabetes ou colesterol alto.
Mesmo diante da correria típica dessa época, algumas estratégias simples ajudam a proteger o coração: manter algum nível de atividade física, regular o sono, moderar o consumo de álcool e café, organizar prioridades e reconhecer limites. Para o especialista, buscar equilíbrio entre metas e bem-estar é essencial. Ajustar expectativas ou distribuir melhor as tarefas já reduz a sobrecarga emocional e fisiológica que afeta o sistema cardiovascular.
Para que o período seja realmente de celebração, é fundamental manter a saúde mental e o cuidado com o coração em foco, evitando que o excesso de pressão transforme a época mais festiva do calendário em um risco silencioso.
Texto de: Dr. Ítalo Menezes Ferreira