ETC: conheça a ‘demência pugilística’ que tirou a vida de Maguila
- Fabricio Colli
- 24/10/2024
- Neurologia
Nesta quinta-feira, 24, faleceu o ex-boxeador Adilson Maguila, aos 66 anos. O ex-atleta conviveu por cerca de 18 anos com uma doença, conhecida como demência pugilística e clinicamente denominada Encefalopatia Traumática Crônica (ETC); é uma doença degenerativa progressiva do cérebro, muito similar ao Alzheimer, que pode se desenvolver após trauma craniano repetitivo ou lesões por explosão.
Essa condição é popularmente conhecida como ‘demência pugilista’ pelo estilo de lutas e treinos dos boxeadores, que implica em repetidos traumatismos no crânio relacionados aos golpes aferidos nos ringues, assim podendo desencadear essa tipificação neurodegenerativa.
De acordo com Dr. Guilherme Rossoni, neurocirurgião membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, não há uma quantidade ou frequência exata de traumas para originar a encefalopatia. Segundo o neurocirurgião, isso varia bastante, especialmente considerando que a intensidade de cada impacto é diferente. Em geral, a ETC surge após múltiplos golpes e traumas na cabeça ao longo do tempo. O acúmulo de lesões é o que leva à degeneração cerebral, mas é essencial avaliar cada paciente de maneira individual e individual.
“Os principais sintomas e sinais da ETC são dificuldades cognitivas e alterações no comportamento. O paciente começa a apresentar mudanças na personalidade, tremores, dificuldade em equilibrar, dificuldades na fala, alterações no humor e até no sono” explica o especialista.
Ainda não há cura para a ETC. Os tratamentos mais indicados são focados apenas nessas estratégias e manejo dos sintomas, como: medicamentos para tratar os sintomas como alterações de humor e ter uma equipe multidisciplinar que cuide também da saúde mental do paciente, além de mudar o estilo de vida e tentar manter uma dieta equilibrada, fazer atividades físicas regulares e estar, principalmente, rodeado de uma rede de apoio.
Portanto, a melhor forma de combater a doença é a prevenção, feita pela proteção da cabeça visando amenizar os fortes impactos e acompanhamento médico regular.
Sobre a letalidade da condição, o Dr. afirma: “Ainda que não seja diretamente fatal, ela pode contribuir para a deterioração significativa da saúde, trazendo diversos problemas que comprometem a qualidade de vida.” – Ainda completa – “Em estágios avançados ou a longo prazo, pode levar a complicações que aumentam, sim, o risco de morte.”
José Adilson Rodrigues dos Santos, mais conhecido como Maguila, estava internado há 28 dias, e faleceu hoje, deixando três filhos.
Profissional consultado: Dr. Guilherme Rossoni, neurocirurgião membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia
Texto por: Fabricio Colli | Redação Saúde Minuto