Fevereiro Roxo destaca a acupuntura no cuidado integral da fibromialgia
- Redação Saúde Minuto
- 22/02/2026
- Acupuntura Saúde
Campanha nacional chama atenção para terapias complementares no tratamento de doenças crônicas e sem cura.
A fibromialgia, condição crônica que afeta entre 2% e 3% da população brasileira, cerca de 6 milhões de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), representa um dos principais desafios atuais para a saúde pública no país. Marcada por dores musculoesqueléticas difusas e persistentes, fadiga intensa, alterações do sono, ansiedade e depressão, a síndrome compromete de forma significativa a qualidade de vida dos pacientes, sobretudo das mulheres, que correspondem a mais de 70% dos casos.
No Fevereiro Roxo, campanha nacional de conscientização sobre doenças crônicas e sem cura, como a fibromialgia, o debate sobre diagnóstico correto, acolhimento e cuidado integral ganha ainda mais relevância, especialmente com a entrada em vigor da Lei Federal nº 15.176/2025, que passou a reconhecer oficialmente a fibromialgia como deficiência em todo o território nacional.
“A fibromialgia é uma doença que se caracteriza por dor intensa, exagerada ao toque, ao movimento e ao contato, além de um cansaço muito importante, depressão frequente e um mal-estar geral bastante acentuado”, explica Dr. Sidney Brandão, médico acupunturista e presidente do Colégio Médico de Acupuntura de São Paulo.
Segundo o especialista, embora a etiologia da fibromialgia ainda não seja completamente esclarecida, há um consenso crescente de que o problema está relacionado à forma como o sistema nervoso processa os estímulos. “É como se o sistema nervoso amplificasse as sensações dolorosas. Estímulos pequenos passam a gerar um desconforto muito importante para o paciente”, afirma.
Outro fator central é o comprometimento do sono. “Esses pacientes têm um sono muito ruim, especialmente na fase REM, fundamental para a recuperação da memória, do relaxamento e do equilíbrio emocional. Como esse distúrbio é crônico, a qualidade do dia seguinte e dos dias posteriores piora muito”, destaca.
De acordo com o Dr. Sidney, a acupuntura tem papel fundamental no cuidado da fibromialgia justamente por atuar no equilíbrio global do paciente. “Na medicina tradicional chinesa, a fibromialgia aparece como uma deficiência de equilíbrio. Tudo que é exagerado acontece porque o contraponto não está presente. Se a dor é excessiva, é porque a capacidade de analgesia do organismo está comprometida”, explica.
Nesse contexto, a acupuntura não atua apenas sobre a dor, mas sobre os mecanismos que modulam a resposta do corpo ao sofrimento físico e emocional. “Do ponto de vista neurológico, sabemos que a acupuntura estimula a liberação de opioides endógenos, aumentando a analgesia e melhorando a resposta do paciente à dor. Isso já tem comprovação científica”, afirma o médico.
Além disso, a técnica contribui para o equilíbrio das funções orgânicas e emocionais. “Quando o paciente desequilibra sua qualidade de vida devido à dor, muitas outras coisas aparecem. Por isso, tratamos a dor, mas também o humor, a ansiedade, a depressão e, principalmente, o sono”, reforça.
Segundo o especialista, um dos efeitos mais importantes da acupuntura em pacientes com fibromialgia é a melhora do sono. “Dormindo melhor, o humor melhora, o equilíbrio geral melhora e, inclusive, a capacidade analgésica do organismo aumenta. É um processo em cadeia”, explica.
A resposta ao tratamento costuma ser percebida já nas primeiras sessões. “Durante a sessão, o paciente sente uma analgesia imediata e um bem-estar importante. Com o tratamento semanal, esse efeito vai se acumulando, porque aumentamos a capacidade de reação do organismo. Quanto mais equilibrado o paciente está, mais tempo ele permanece bem”, afirma.
Outro benefício observado é a redução do uso de medicamentos. “É muito comum que, com a acupuntura, o paciente consiga diminuir a medicação. Isso acontece porque muitos tratamentos são empíricos e nem sempre trazem resultados consistentes”, pontua.
O Dr. Sidney reforça que a acupuntura não substitui o acompanhamento médico especializado. “É fundamental que o paciente procure o reumatologista para descartar outras doenças reumáticas ou condições físicas que possam causar sintomas semelhantes. A partir disso, a acupuntura entra como um cuidado complementar extremamente eficaz”, explica.
Para o especialista, o tratamento da fibromialgia deve sempre considerar o indivíduo como um todo. “A acupuntura não trata doenças, trata pessoas. Um paciente equilibrado briga melhor contra qualquer doença. A fibromialgia é uma das condições que mais se beneficia quando devolvemos esse equilíbrio”, afirma.
O Fevereiro Roxo reforça a necessidade de combater o preconceito, ampliar o acesso à informação e investir em abordagens integrativas e humanizadas. Reconhecer a fibromialgia, respeitar os limites do paciente e valorizar terapias como a acupuntura são passos essenciais para promover mais qualidade de vida aos milhões de pessoas que convivem diariamente com a dor crônica.
Texto por: Dr. Sidney Brandão