Grávida pode viajar nas férias?
- Redação Saúde Minuto
- 09/07/2026
- Gravidez Saúde
Férias combinam com descanso, praia, serra, aeroporto lotado e aquela vontade de mudar de cenário. Mas quando a viagem acontece durante a gravidez, o planejamento ganha um item extra na lista: cuidar da saúde da mãe e do bebê.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, viajar durante a gestação é seguro. A menos que exista alguma complicação, não há motivo para cancelar os planos. O segredo está em escolher o momento certo, conversar com o obstetra e adotar alguns cuidados simples durante o trajeto.
“Cada gravidez tem suas particularidades. Antes de viajar, avaliamos a idade gestacional, os exames, a presença de doenças como hipertensão ou diabetes gestacional e se existe algum risco para a mãe ou para o bebê”, explica a obstetra Dra. Karina Belickas, do Hospital e Maternidade Santa Joana.
Existe uma fase mais tranquila para viajar?
Sim.
O segundo trimestre costuma ser o “queridinho” das gestantes. Nessa fase, os enjoos geralmente diminuem, a disposição melhora e a barriga ainda não dificulta tanto os deslocamentos.
Mas isso não significa que toda viagem esteja liberada. O destino, o tempo de percurso e a estrutura de atendimento médico do local também entram na conta.
Carro ou avião? Os dois pedem alguns cuidados
Seja na estrada ou nas alturas, passar muitas horas sentada não faz bem para ninguém — e durante a gravidez esse cuidado é ainda mais importante.
Levantar a cada duas horas, caminhar um pouco, movimentar os pés e alongar as pernas ajudam a ativar a circulação e diminuem o risco de trombose, que aumenta naturalmente durante a gestação.
“Hidratação, roupas confortáveis e pequenas caminhadas fazem muita diferença durante viagens longas”, orienta a médica.
Pode voar grávida?
Na maioria das vezes, sim.
As companhias aéreas costumam permitir o embarque normalmente até a 27ª semana. Entre a 30ª e a 35ª semana, geralmente é necessário apresentar um atestado médico. A partir da 36ª semana — ou da 32ª em casos de gestação gemelar — muitas empresas não autorizam o embarque.
Por isso, vale conferir as regras da companhia aérea antes de comprar as passagens.
O cinto de segurança continua obrigatório
Muita gente ainda acredita que o cinto pode machucar o bebê.
É mito.
O correto é posicionar a faixa inferior abaixo da barriga, apoiada sobre os ossos do quadril, enquanto a faixa diagonal deve passar entre as mamas e ao lado da barriga.
No avião, o cinto também deve permanecer afivelado sempre que a gestante estiver sentada.
O que não pode faltar na mala?
Além das roupas confortáveis, alguns itens merecem lugar garantido:
carteira do pré-natal;
exames recentes;
cartão do convênio;
medicamentos de uso habitual;
contatos do obstetra;
garrafa de água e lanches leves.
Também vale pesquisar antes onde fica o hospital ou maternidade mais próximo do destino.
Quando a viagem precisa parar?
Alguns sintomas nunca devem ser ignorados.
Procure atendimento imediatamente se aparecer:
- sangramento vaginal;
- perda de líquido;
- contrações frequentes;
- dor abdominal intensa;
- falta de ar;
- dor ou inchaço importante em uma das pernas;
- dor de cabeça forte;
- alteração na visão;
- redução dos movimentos do bebê.
“Se surgir qualquer sinal de alerta, a prioridade deixa de ser a viagem e passa a ser a saúde da mãe e do bebê. O ideal é procurar atendimento no local onde a gestante estiver”, reforça Dra. Karina.
Férias, sim. Pausa no pré-natal, nunca.
Por mais esperada que seja a viagem, ela não pode fazer a gestante adiar consultas, vacinas ou exames.
“O pré-natal continua sendo o maior aliado para acompanhar a saúde da mãe e do bebê. Com planejamento e orientação médica, é possível aproveitar a viagem com muito mais tranquilidade”, finaliza a especialista.
Texto por: Dra. Karina Belickas