Hipertensão Pulmonar: como a pressão alta nas artérias pulmonares afeta a vida dos pacientes?
- Redação Saúde Minuto
- 05/11/2024
- Pneumologia Saúde
Você provavelmente deve ter alguém (ou até mesmo ser um daqueles) que possui hipertensão arterial, a famosa “pressão alta” no coração, dentro de seu ciclo de amigos, familiares e colegas de trabalho. Deve ser mais difícil, no entanto, conhecer sequer uma pessoa portadora deste outro tipo de “hipertensão”: a pulmonar. Mais rara, a doença acomete entre 2 a 5 pacientes a cada milhão de adultos por ano em todo o mundo. No Brasil, estima-se que menos de 150 mil pessoas possuam a enfermidade.
O Ministério da Saúde define a hipertensão pulmonar como “uma síndrome clínica e hemodinâmica que resulta no aumento da resistência vascular na pequena circulação, elevando os níveis pressóricos na circulação pulmonar”. A sobrevida mediana, segundo o MS, é de 2,8 anos – um indício claro da gravidade do quadro.
“A hipertensão pulmonar compromete a circulação e leva a aumento da resistência vascular pulmonar e sobrecarga do ventrículo direito. Clinicamente, manifesta-se com dispneia aos esforços, fadiga intensa e síncopes, limitando as atividades diárias do paciente e comprometendo significativamente a qualidade de vida”, explica o Dr. Fernando Pellegrini, pneumologista e coordenador médico da UTI adulto na Rede D’Or São Luiz.
Ele ressalta que alguns sintomas iniciais, como a dispneia leve, o cansaço desproporcional ao esforço físico e o edema periférico, podem ser “atribuídos ao envelhecimento, descondicionamento físico ou estresse”, o que acaba contribuindo para “o atraso na procura por atendimento e, consequentemente, no diagnóstico”.
Segundo o médico, os principais fatores de risco incluem “histórico familiar, doenças autoimunes (como esclerodermia e lúpus), infecção por HIV, doenças hepáticas crônicas, apneia obstrutiva do sono, uso de drogas anorexígenas e exposição a toxinas”. “Essas condições”, acrescenta, “aumentam a suscetibilidade à hipertensão arterial pulmonar devido a alterações inflamatórias e estruturais nos vasos pulmonares”, pontua.
A dificuldade em diagnosticar se soma à raridade do quadro para, enfim, beneficiar um cenário de subnotificação. Adiante, pelo desconhecimento acerca até da existência da hipertensão pulmonar, vê-se um aumento da letalidade pela doença. Monitorar os sintomas previamente é fundamental, portanto. “O diagnóstico precoce e o encaminhamento para centros especializados em hipertensão pulmonar são fundamentais para o prognóstico e para a instituição de terapias específicas”, conclui o Dr. Fernando Pellegrini.
Profissional consultado: Dr. Fernando Pellegrini, pneumologista e coordenador médico da UTI adulto na Rede D’Or São Luiz.
Texto por: Francisco Varkala | Redação Saúde Minuto