Infecção após fazer as unhas leva mulher a 5 cirurgias e quase 70 sessões de fisioterapia
- Redação Saúde Minuto
- 16/07/2025
- Beleza Bem-estar Saúde
Caso alerta para os riscos do uso compartilhado de instrumentos em
salão; Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão explica o problema.
Crédito: Divulgação/Freepik
Fazer as unhas no salão é uma das rotinas de beleza mais comuns entre
as mulheres, mas o momento de autocuidado pode esconder sérios riscos,
se a esterilização dos materiais não estiver adequada. Foi o que
aconteceu com uma moradora de Goiás, de 66 anos que, após uma
infecção no polegar, teve que ser operada quatro vezes e já fez 68
sessões de fisioterapia.
A paciente foi pela manhã a um salão fazer a unha, pois ia viajar para
um casamento. Era a primeira vez que ia àquele estabelecimento, não
levou seu próprio equipamento e avisou a manicure que não gostava de
fazer cutícula. A profissional foi atenciosa, atendendo ao pedido, mas
enquanto lixava a unha, uma pelezinha se levantou, sem que a cliente
percebesse. O ardor só foi sentido no momento de retirada do excesso de
esmalte.
No fim da tarde, a paciente começou a sentir dor no polegar, tomou
analgésico e seguiu viagem. Porém, chegando ao destino, a dor piorou
e, na manhã seguinte, foi ao hospital. Ela tomou uma injeção na veia,
o médico receitou antibiótico e disse que, se não melhorasse, para
retornar.
A dor não melhorou, ela tomou mais alguns medicamentos e o dedo
começou a apresentar inchaço. Retornando a sua cidade, saiu
imediatamente do aeroporto para o hospital, onde um médico angiologista
indicou cirurgia de emergência. Embora a recomendação do profissional
era de que o procedimento fosse realizado por um cirurgião de mão,
diante da urgência, ele mesmo o realizou.
De lá para cá, o dedo da paciente necrosou e ela passou por mais duas
cirurgias para desbridamento (remoção de tecido morto), além de uma
para enxerto. Como consequência da infecção, perdeu a capacidade de
dobrar o polegar, que também apresenta dormência e hipersensibilidade
ao manusear objetos. Em agosto, será submetida à quinta cirurgia,
plástica, para melhorar não apenas a aparência do dedo, mas também a
mobilidade.
Mas, afinal, o que causou todo esse transtorno?
O médico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão, Dr.
Frederico Faleiro, que vem acompanhando o caso, explica que se trata de
uma paroníquia, inflamação da pele frequentemente causada por
bactérias ou fungos. “Com o uso de unhas em gel e a utilização
recorrente de materiais não esterilizados, têm
aumentado o número de pacientes com infecção na região da unha”,
fala o cirurgião.
O hábito de roer as unhas ou puxar a pele ao redor, também podem
causar o problema.
Gravidade:
Segundo Faleiro, na maioria das vezes, as infecções não são graves,
porém, em alguns casos, há severas complicações. “Essa infecção
bacteriana pode necrosar toda a parte da unha, do dedo, da polpa digital
e, eventualmente, se alastrar. A mesma coisa pode acontecer com
pacientes, com problema de saúde, como por exemplo, diabetes, ou
aqueles que não procuram tratamento precoce, visto que a infecção
pode espalhar-se pela mão, acometendo a ponta do dedo, que pode ser
perdida”, fala.
Nos casos mais simples, o tratamento é feito com medicamentos, como
antibiótico e compressas mornas para auxiliar na drenagem de
secreção. Já se a situação se tornar um abcesso, o médico pode
indicar a drenagem do pus por meio de cirurgia.
Prevenção
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Dr. Rui
Barros, lembra que a melhor forma de prevenção é a esterilização
completa dos materiais utilizados nos procedimentos de unha. “De
preferência que esses materiais sejam de uso exclusivo de cada
cliente”, pontua.
O médico ressalta, ainda, a importância de que os procedimentos não
sejam feitos de forma tão invasiva, causando ferimentos, já que isso
quebra a barreira de proteção natural da pele, significativamente
efetiva para evitar as infecções. “E, claro, manter as mãos sempre
limpas e higienizadas”, conclui.
Profissional consultado: Dr. Frederico Faleiro, Ortopedista e cirurgião da mão.