Métodos contraceptivos: Como escolher o melhor?
- Redação Saúde Minuto
- 23/08/2023
- Ginecologia Saúde
Os métodos contraceptivos permitem a mulher moderna uma maior liberdade sexual, com controle da saúde reprodutiva, representando um avanço na sua qualidade de vida.
Mas qual é o melhor de todos os métodos?
A escolha do melhor método para cada mulher não é uma coisa simples, depende de muitos fatores que levam em consideração os critérios médicos além de aspectos sociais, psicológicos e comportamentais de cada paciente.
O médico deve explicar de forma simples como funciona cada um dos métodos disponíveis e paciente, juntamente com a ajuda do médico, vai escolher qual o método de sua preferencia
Vamos falar um pouco sobre cada um dos diferentes métodos contraceptivos e suas peculiaridades.
Preservativo
Os preservativos são feitos de látex ou de poliuretano (para quem tem alergia ao látex).
O uso do preservativo deve ser sempre incentivado também pela sua capacidade de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis como por exemplo o papiloma vírus humano (HPV) e o vírus da imunodeficiência humana (HIV).
Métodos hormonais que utilizam a combinação de dois hormônios (o estrogênio e o progestagênio)
Existem diferentes formulações: a pílula combinada que é tomada por via oral, a injeção mensal intramuscular (no bumbum ou no braço, uma vez por mês), o adesivo que é colado na pele e o anel vaginal.
Esses métodos apresentam grande eficácia quando utilizados corretamente, além de trazerem outros benefícios como alívio das cólicas e do fluxo menstrual e diminuição do risco de câncer de ovário e de endométrio.
Pílula combinada (com dois hormônios: estrogênio e progestagênio)
Com a pílula anticoncepcional, a mulher adquiriu um controle maior sobre dois aspectos importantes para sua saúde, saber quando vai menstruar e decidir quando vai engravidar.
O inconveniente é a necessidade de tomada diária, ou seja, para as mulheres “esquecidas”, não é o melhor método.
Para as mulheres que desejam menstruar todos os meses, temos apresentações com esquema de 21 dias de utilização com 7 dias de pausa e outras com 24 dias de utilização com 4 dias de pausa, com sangramento ocorrendo durante a pausa (sangramento cíclico mensal).
Para as pacientes que não desejam menstruar, temos a opção do regime contínuo, emendando uma cartela a outra de pílula combinada.
Atualmente, também temos a opção do regime estendido, em que a paciente emenda uma ou mais cartelas da pílula combinada, fazendo a pausa para menstruar quando desejar. No regime estendido, as mulheres tem a opção de menstruar de três a quatro vezes por ano, com o controle de decidir quando menstruar.
Injeção mensal intramuscular (com dois hormônios: estrogênio e progestagênio)
A injeção deve ser tomada no bumbum ou no braço, uma vez por mês.
Uma das vantagens em relação a pílula é que a injeção precisa ser lembrada apenas uma vez por mês, enquanto a pílula tem que ser tomada todos os dias. A injeção melhora muito os sintomas da TPM (dor de cabeça, sensibilidade nas mamas, irritabilidade e dores nas pernas), melhora a cólica menstrual e não leva a ganho de peso.
O incômodo ocorre por ser uma injeção, ruim para quem não gosta de tomar a picada.
Adesivo transdérmico (com dois hormônios: estrogênio e progestagênio)
É um adesivo quadrado de 4,5 x 4,5 cm que é colado no braço, nas costas ou na barriga e tem duração de 7 dias. Cada caixa vem com 3 adesivos que devem ser trocados a cada 7 dias (total: 21 dias de uso), com uma pausa sem adesivos por 7 dias antes de iniciar outra caixa. A paciente menstrua durante a pausa dos adesivos.
Uma desvantagem é que o adesivo fica aparecendo, ruim para as mulheres que não querem que outros saibam que está utilizando um anticoncepcional.
Anel vaginal (com dois hormônios: estrogênio e progestagênio)
É um anel flexível de silicone que deve ser introduzido na vagina e mantido por 21 dias. Após sua retirada, faz se pausa de 7 dias antes de iniciar novo ciclo. A menstruação acontece nesta pausa.
Apesar de ser um método de fácil compreensão, com um ótimo controle sobre o fluxo menstrual, algumas mulheres podem se sentir constrangidas pela necessidade da manipulação do próprio genital para inserção do anel na vagina.
Métodos contraceptivos hormonais que utilizam apenas um hormônio (progestagênio)
Os métodos anticoncepcionais que utilizam dois hormônios (estrogênio e progestagênio) são muito eficazes, porém, o estrogênio pode aumentar a chance de trombose em algumas situações e, portanto, seu uso é contraindicado em mulheres com:
– Pressão alta descontrolada
– Trombose, infarto ou derrame (acidente vascular cerebral, AVC)
– Trombofilias (que tem uma alteração genética que leva a uma tendencia maior a trombose)
– Alguns tipos de diabetes ou mulheres tabagistas
Para essas situações, existem 03 diferentes métodos contraceptivos hormonais que utilizam apenas o progestagênio: a pílula só de progestagênio (oral), a injeção que é utilizada a cada 3 meses e implante subcutâneo (no braço).
Pílula apenas um hormônio (progestagênio)
Devem ser utilizadas todos os dias, sem pausa, emendando uma cartela a outra. Essas pílulas podem ser utilizadas por mulheres que estão amamentando.
Injeções trimestrais que utilizam apenas um hormônio (progestagênio)
A injeção deve ser tomada no bumbum ou no braço a cada três meses.
É um ótimo método para pacientes com anemia, pois muitas vezes a paciente fica sem menstruar com esta injeção.
Como desvantagem, as mulheres que utilizam essa injeçao podem ter um ganho de peso de até 4 a 5 Kg por ano de utilização.
Métodos mais modernos: os LARCs (Long Action Reversible Contraceptives)
A contracepção reversível de longa duração (LARCs – long acting reversible contraceptives, em inglês) é representada pelos: Implante subdérmico, o DIU sem hormônios (cobre ou prata) e o DIU com hormônios.
Esses métodos tem como principal vantagem o fato de que seu uso correto não depende da mulher. Ela faz a inserção do implante ou do DIU e pode ficar tranquila quanto ao funcionamento do método sem precisar ficar lembrando todos os dias de tomar a pílula ou uma vez por mês ou a cada três meses de tomar a injeção.
Implante subdérmico com apenas um hormônio (progestagênio)
O implante é um bastão plástico de 4,0 cm inserido no braço, que libera hormônio para inibir a ovulação.
Sua eficácia é muito grande e sua duração é de três anos.
Ele tem a vantagem de não modificar o peso corporal. Porém, o sangramento menstrual, embora pequeno, pode ser um pouco irregular.
Dispositivo intrauterino (DIU)
Os DIUs constituem métodos contraceptivos muito utilizados no mundo.
Existem dois tipos de DIUs:
– O DIU sem hormônios
– O DIU com hormônios
Os DIUs tem duração de 5 a 10 anos.
O DIU sem hormônios pode aumentar o sangramento menstrual e as cólicas menstruais. Enquanto o DIU com hormônios tem um efeito contrário (diminuindo muito as cólicas e o sangramento menstrual).
Após uma pequena explicação sobre os principais métodos anticoncepcionais, chegamos a conclusão que não existe o melhor de todos os métodos. Para cada mulher, conforme o seu perfil, existe o melhor método contraceptivo!
Texto por: Dr. Cezar Noboru/ Ginecologista