Mitos e verdade sobre a mamografia
- Redação Saúde Minuto
- 07/02/2022
- Aline Ambrósio Ginecologia Saúde
O câncer de mama, segundo tipo mais frequente de câncer no mundo e o mais frequente entre as mulheres, tem elevada chance de cura quando diagnosticado e tratado precocemente, ou seja, quando a doença se apresenta como lesões muito pequenas.
A pessoa leiga geralmente vai reconhecer um tumor de mama quando ele causa dor, desconforto ou deformar o contorno mamário, em estágios geralmente mais avançados do câncer de mama.
Com o exame mamográfico é possível identificar lesões não palpáveis, como nódulos pequenos ou profundamente localizados no tecido mamário e as microcalcificações, que são deposições de cálcio na área tumoral, tão pequenas que nem se pode tocar ainda. Nos países onde se faz este rastreamento, a taxa de sobrevida em cinco anos da doença atinge 85%, e nos países subdesenvolvidos permanece mais baixa, em torno de 50%.
Dito isto, a mamografia digital é hoje o método de escolha para diagnóstico inicial do câncer de mama, já havendo vários estudos na literatura médica demonstrando sua validade para redução da mortalidade pelo câncer desde a década de 1960, e também a sua segurança. É importante frisar que a dose de radiação da mamografia digital não eleva a chance de ocorrência do câncer de mama, sendo este um mito que deve ser rebatido.
Atualmente, existe a tomossíntese associada à mamografia 2D, indicada em mulheres com mamas densas, ou seja, com muito tecido glandular que dificulta a visibilização das lesões. Também é indicada para mulheres com alto risco de desenvolvimento de câncer de mama familiar. Mesmo tendo uma dose maior de radiação, não passa da dose recomendada pelos órgãos reguladores, e os benefícios dela se sobrepõem aos riscos, já que ela avalia as mamas tridimensionalmente, diagnosticando lesões precoces nestas mulheres em até 30% a mais do que a técnica convencional digital.
Toda mulher com 40 anos de idade ou mais deve realizar mamografia anualmente. Aquelas mulheres que apresentarem alto risco familiar, ou cuja família tiver mulheres com câncer de mama em idade jovem, devem subtrair dez anos da idade do parente acometido, e iniciar seu rastreamento nesta época. Por exemplo, se numa família houver uma pessoa com câncer de mama diagnosticado aos 45 anos de idade, os parentes de primeiro grau devem iniciar suas mamografias aos 35 anos. Porém, quanto mais cedo, mais tecido glandular e menos gordura haverá na composição das mamas, dificultando o diagnóstico se não for feita adição da tomossíntese, ou da ultrassonografia, ou da ressonância nuclear magnética.
A mamografia pode definitivamente salvar vidas se indicada corretamente.
Texto por Aline Ambrósio | Ginecologista