Reserva ovariana: o que toda mulher precisa saber sobre o seu relógio biológico
- Redação Saúde Minuto
- 02/11/2025
- Saúde
Nosso corpo é uma verdadeira máquina, mas há um relógio que não dá trégua: o biológico.
Mal nascemos e ele já começa a contar. Com o passar dos anos, vamos gastando diferentes reservas, e uma das mais importantes para quem sonha em ser mãe é a reserva ovariana.
Mas afinal, o que isso significa na prática?
Para explicar de forma simples e direta, o Saúde Minuto conversou com a ginecologista e especialista em reprodução humana Prof.ᵃ Dra. Marise Samama, presidente da AMCR — Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil, que respondeu às principais dúvidas das nossas leitoras.
O que é a reserva ovariana e por que ela importa?
A reserva ovariana é o estoque de óvulos que a mulher tem ao longo da vida.
Diferente dos homens, que produzem espermatozoides continuamente, as mulheres nascem com todos os óvulos que terão.
Na puberdade, esse número gira em torno de 400 mil óvulos, mas a cada mês cerca de mil são perdidos, mesmo sem ovular, menstruar ou tomar anticoncepcional.
Por isso, o período fértil vai da primeira menstruação até a menopausa.
E atenção: a partir dos 33 anos, os óvulos começam a sofrer alterações genéticas, o que pode comprometer a fertilidade.
O ideal, segundo a médica, é planejar a maternidade até os 35 anos.
Quando a reserva começa a cair?
A queda é natural e começa cedo.
“Depois dos 25 anos já ocorre uma redução gradual, que se torna mais significativa entre 32 e 33 anos”, explica a Prof.ᵃ Dra. Marise Samama.
Quais exames avaliam a reserva ovariana?
Dois exames são fundamentais:
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Hormônio Anti-Mülleriano (AMH): exame de sangue que mostra a situação atual e futura da reserva.
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Contagem de folículos antrais: feita por ultrassom transvaginal no início do ciclo menstrual, permite estimar quantos óvulos estão prontos para amadurecer naquele período.
Toda mulher precisa medir sua reserva?
Nem sempre, mas há casos em que o exame é altamente recomendado:
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Histórico familiar de menopausa precoce (mãe, avó, irmã)
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Cirurgias que afetaram os ovários
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Perda de um ovário
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Planejamento de gravidez tardia
“Por volta dos 30 anos é uma boa idade para checar a reserva e, se for o caso, pensar no congelamento de óvulos entre 25 e 33 anos”, orienta a especialista.
Reserva baixa significa infertilidade?
Nem sempre.
“Uma reserva baixa não quer dizer que a mulher não possa engravidar. Significa apenas que o estoque é menor, mas se a idade for favorável, a qualidade dos óvulos pode ser boa”, explica a Prof.ᵃ Dra. Marise Samama.
O estilo de vida moderno, com estresse, poluição, agrotóxicos e alimentação processada, pode estar antecipando essa queda.
O que pode acelerar a perda da reserva?
Fatores como histórico familiar, cirurgias pélvicas, tabagismo, álcool, drogas e estresse são vilões conhecidos.
Já o uso de anticoncepcional não diminui a reserva ovariana, ressalta a médica.
Dá para preservar ou aumentar a reserva?
Aumentar, não.
“A reserva ovariana é o que é”, explica.
Mas é possível preservar os óvulos por meio da criopreservação (congelamento).
Hábitos saudáveis ajudam a manter a qualidade dos óvulos e evitar perdas aceleradas.
Para mulheres que farão quimioterapia, o congelamento antes do tratamento é essencial.
Medicina reprodutiva: uma aliada poderosa
Para mulheres com baixa reserva que desejam engravidar, a medicina reprodutiva oferece soluções como o congelamento de óvulos e a fertilização in vitro (FIV).
O primeiro passo é investigar o motivo da baixa reserva e agir rápido, pois o tempo é o principal fator.
Quais sinais podem indicar alerta antes da menopausa?
Falhas na menstruação, ondas de calor e sintomas típicos do climatério podem ser os primeiros indícios de que a reserva está diminuindo.
“Quando esses sinais aparecem, muitas vezes já é tarde. Por isso, é importante não esperar e fazer o exame de Hormônio Anti-Mülleriano e o ultrassom de contagem folicular o quanto antes”, recomenda a Prof.ᵃ Dra. Marise Samama.
Para mais informações, acesse o site: AMCR
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Instagram: https://www.instagram.com/amcr_conexaofertilidade/
Texto de: Prof.ᵃ Dra. Marise Samama