Cardiopatias congênitas: o que são e como identificá-las
- Redação Saúde Minuto
- 12/06/2026
- Cardiologia Saúde
No Brasil, cerca de 30 mil crianças nascem anualmente com cardiopatia congênita. Dessas, aproximadamente 40% precisam ser submetidas a cirurgia ainda no primeiro ano de vida. A condição também representa a terceira principal causa de óbito no período neonatal, segundo dados do Ministério da Saúde. O Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, celebrado em 12 de junho, tem como objetivo alertar a população sobre a doença, seus sinais de alerta e formas de diagnóstico.
A Dra. Simone Fontes Pedra, Cardiologista Pediátrica e Chefe da Seção Médica de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatias Congênitas do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, explica como surgem as cardiopatias congênitas, quais são os tipos mais comuns da condição e como elas podem ser identificadas precocemente.
Malformação surge durante o desenvolvimento fetal
A cardiologista Dra. Simone Pedra explica que as cardiopatias congênitas são alterações na estrutura do coração presentes desde o nascimento. “Na maioria dos casos, elas ocorrem por falhas no processo de formação e desenvolvimento do coração durante as primeiras semanas da gestação, especialmente entre a 4ª e a 8ª semana gestacional”, afirma a especialista.
Existem diversos tipos de cardiopatias congênitas. Entre as malformações mais comuns estão:
- Comunicação interventricular – Ocorre quando existe um pequeno orifício na parede que separa os dois ventrículos do coração. Com isso, parte do sangue passa de uma cavidade para outra, fazendo com que uma quantidade maior chegue aos pulmões.
- Comunicação interatrial – É uma abertura na parede que separa os dois átrios do coração. Essa comunicação permite a passagem de sangue entre as cavidades, podendo aumentar o fluxo sanguíneo para os pulmões e, em alguns casos, sobrecarregar o coração ao longo do tempo.
- Válvula aórtica bicúspide – Alteração em que a válvula aórtica, responsável por controlar a saída do sangue do coração para o restante do corpo, possui apenas dois folhetos (estruturas que se abrem e fecham), em vez de três. Com o passar dos anos, essa condição pode dificultar o fluxo sanguíneo ou favorecer o surgimento de problemas na válvula.
- Estenose pulmonar: Ocorre quando a válvula que leva o sangue do coração para os pulmões é mais estreita do que o normal. Isso dificulta a passagem do sangue e pode aumentar o esforço do coração para bombear o sangue.
- Hipoplasia do coração esquerdo: Ocorre quando as estruturas do lado esquerdo do coração se desenvolvem de forma incompleta ainda durante a gestação. Isso dificulta o bombeamento do sangue para o restante do corpo e exige cuidados médicos imediatos após o nascimento.
- Transposição das grandes artérias: Ocorre quando as duas principais artérias que saem do coração estão conectadas às cavidades erradas. Isso faz com que o sangue rico em oxigênio não chegue adequadamente ao organismo, comprometendo a oxigenação dos órgãos e tecidos. Por isso, a condição geralmente requer intervenção médica logo após o nascimento.
Fatores de risco e diagnóstico
“Algumas condições maternas podem aumentar o risco de cardiopatias congênitas, como diabetes, hipertensão arterial, hipotireoidismo, lúpus e infecções durante a gestação, além do uso de substâncias ilícitas e determinados medicamentos. No entanto, na maioria dos casos, não é possível identificar uma causa específica” explica a Dra. Simone Fontes Pedra, Cardiologista Pediátrica e Chefe da Seção Médica de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatias Congênitas do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
O diagnóstico precoce depende da realização adequada do pré-natal. Os ultrassons morfológicos do primeiro e do segundo trimestres são fundamentais para a avaliação do desenvolvimento fetal e, quando há suspeita da condição, o ecocardiograma fetal é o exame mais indicado para avaliar o coração do bebê ainda durante a gestação.
Após o nascimento, sinais como respiração rápida, cansaço durante as mamadas, suor excessivo, dificuldade para ganhar peso, infecções respiratórias frequentes e coloração arroxeada da pele podem indicar a presença da doença.
Com acompanhamento especializado e tratamento adequado, que pode incluir procedimentos por cateterismo ou cirurgias cardíacas, crianças com cardiopatia congênita conseguem chegar à idade adulta e ter boa qualidade de vida.
Texto por: Dra. Simone Fontes Pedra, Cardiologista Pediátrica e Chefe da Seção Médica de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatias Congênitas do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.