Sente dor, mas os exames não explicam? Os hormônios podem ser a peça que falta nessa investigação
- Redação Saúde Minuto
- 02/09/2026
- Saúde
A dor persistente compromete o sono, o trabalho, as relações e a qualidade de vida. No entanto, é frequente a prática clínica se deparar com exames complementares que não revelam alterações proporcionais à intensidade do sintoma relatado pelo paciente.
Essa divergência ocorre porque a dor não é um evento isolado no local de acometimento: trata-se de um fenômeno complexo. Entre o estímulo doloroso e a sua percepção, opera uma sofisticada rede de modulação que envolve o sistema nervoso, mediadores bioquímicos e o sistema endócrino.
Para aprofundar essa relação, chega ao público o livro “Dor e Eixo Hormonal: da Fisiologia à Clínica”, editado por Mara Valéria Pereira Mendes, André Wan Wen Tsai, Luciano Ricardo Curuci de Souza e Manoel Jacobsen Teixeira — que também assinam capítulos da obra ao lado de um time multidisciplinar de renomados médicos colaboradores.
A publicação reúne a experiência convergente de ginecologistas, Obstetras,endocrinologistas, cardiologistas, clínicos gerais, ortopedistas, neurocirurgiões, Acupunturiatras ,especialistas em Medicina da Dor entre outras áreas médicas. Essa visão integrativa busca responder a uma questão fundamental: de que maneira as variações hormonais interferem na modulação e no enfrentamento da dor?
O tema ganha relevância ímpar no universo feminino, visto que o organismo da mulher passa por marcantes transições hormonais ao longo da vida — da menarca à menopausa, passando pelas gestações.
A Dra. Mara Valéria Pereira Mendes pondera sobre a necessidade de superar visões reducionistas na investigação clínica:
“A dor não começa e nem termina no local onde é referida; nosso organismo funciona de forma integrada. O sistema nervoso e as vias hormonais mantêm uma comunicação ininterrupta que interfere diretamente no limiar e na percepção dolorosa de cada indivíduo. Por isso, a abordagem precisa considerar o paciente em sua totalidade, sua história e seu momento biológico, sem se restringir ao laudo de um exame.
Quando a dor persiste e os exames de imagem ou laboratoriais não revelam uma alteração evidente, o sintoma continua sendo plenamente real. A investigação clínica precisa ir além da lesão estrutural visível. Os hormônios não devem ser vistos como causa única ou simplista, mas sim como elementos centrais na regulação da sensibilidade dolorosa. Compreender a influência dessas oscilações ao longo da vida é o passo fundamental para refinarmos o diagnóstico e estabelecermos condutas terapêuticas alinhadas às necessidades de cada paciente.”
Texto por: Dra. Mara Valéria Pereira Mendes

