Setembro Amarelo alerta população sobre importância do debate acerca da prevenção ao suicídio
- Redação Saúde Minuto
- 22/09/2021
- Rosalina Moura
Campanha tem como objetivo abordar o tema, considerado um tabu para muitos, de forma ampla
Dia 10 de Setembro foi o dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e desde 2014 acontece no Brasil a campanha Setembro Amarelo, iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), junto ao Conselho Federal de Medicina (CFM). A campanha visa promover eventos que abram espaço para debates sobre o tema e alertar a população sobre a importância de sua discussão. Neste ano, o tema da campanha é “agir salva vidas!”.
O suicídio é um problema complexo para o qual não existe uma única causa ou uma única razão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ele resulta de uma complexa interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais.
Algumas doenças mentais representam um risco de suicídio, estima-se que cerca de 96,8% dos casos consumados estavam relacionados a transtornos mentais. Os principais grupos diagnósticos de risco são a depressão, os transtornos de personalidade (antissocial e borderline com traços de impulsividade, agressividade e frequentes alterações do humor), o alcoolismo (e/ou abuso de substância em adolescentes) e esquizofrenia.
O Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina, afetando cerca de 11,5 milhões de brasileiros, de acordo com a OMS, e a depressão grave é o principal fator de risco de suicídio, hoje a quarta causa de morte entre os jovens no Brasil.
Existem diferentes níveis de depressão e, muitas vezes, a pessoa deixa de buscar ajuda por não reconhecer a existência de uma doença que pode e deve ser tratada. Sentimentos de menos valia, autodepreciação, mudanças de apetite, dormir de mais ou de menos, sensação de cansaço e falta de energia constante, sentimento de incapacidade, insegurança, perda de prazer e de sentido na vida podem estar presentes. Muitas vezes estes sintomas aparecem sem um motivo aparente que os “justifique”.
Alguns transtornos mentais estão associados ao estresse, dado que este afeta os sistemas nervoso, endócrino e imunológico do indivíduo, podendo desencadear ou agravar doenças físicas e psíquicas. Situações de crise podem provocar intensa angústia e sofrimento emocional. Estressores como dificuldades financeiras e grande endividamento, perda do emprego, doenças graves, dolorosas ou incapacitantes, condições de sofrimento no trabalho, perdas significativas sem a elaboração do luto saudável, problemas escolares ou no emprego, separação conjugal, conflitos familiares, quando associados ao desespero, ao desamparo e à desesperança podem aumentar o risco de suicídio.
Diante do próprio sofrimento, de pensamentos muito pessimistas ou negativos e da percepção de mal-estar emocional, conversar com alguém em quem se confia e buscar apoio pode ser decisivo. No entanto, muitas pessoas não reconhecem a necessidade de ajuda ou sofrem caladas por vergonha, medo ou preconceito, o que contribui para agravar o seu estado mental.
O que pode ser feito?
Temas que cercam a doença mental ainda são tabus e a prevenção do suicídio passa pela conscientização e desmistificação destes temas.
A capacidade de lidar com situações de estresse e com as emoções é fundamental para a saúde mental e a plena realização do potencial humano. Em um mundo repleto de estímulos e informações, saber filtrar e separar o essencial do trivial diminui a ansiedade, aumenta o foco e elimina desperdícios de tempo e energia. Investir no autoconhecimento, aprimorar a capacidade de lidar com conflitos e pressão, focar nas soluções para os problemas, desenvolver hábitos saudáveis, construir e manter relacionamentos significativos e uma rede de apoio são aspectos importantes. E, acima de tudo, aceitar o fato de que somos todos seres interdependentes, imperfeitos e em permanente construção.
Se você está sofrendo, não hesite em pedir ajuda. E na maior parte dos casos, a ajuda especializada de um psicólogo e/ou psiquiatra pode fazer toda a diferença. Falar das próprias dores diante de um profissional que ofereça uma escuta empática, poder compreender e acolher o próprio sofrimento, ampliar o autoconhecimento e se tratar com autocompaixão possibilitam cuidar das feridas, traumas e descobrir recursos internos para enfrentar os dilemas e desafios da vida com menos sofrimento e mais esperança.
E se alguém te procurar para desabafar com pensamentos que possam indicar sinais de risco, acolha, procure identificar as pessoas próximas de suporte (amigos, familiares) e indique um canal de atendimento profissional.
Onde buscar ajuda?
Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita) www.cvv.org.br/chat
CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde).
UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais.

Rosalina Moura
Psicóloga | CRP 06 41867-1