TDAH: Como a acupuntura pode ajudar?
- Redação Saúde Minuto
- 11/07/2023
- Acupuntura Saúde
A hiperatividade e a TDAH é uma condição psiquiátrica que passou muito tempo sem ser reconhecida como tal, mas é de fato uma doença que precisa de tratamento.
Antes era tratado como Disfunção Cerebral Mínima (DCM), clinicamente caracterizada por dificuldade de aprendizagem e de controlar os impulsos, manter as atenções nas atividades escolares e controlar atividades motoras.
A hiperatividade pode ser um sintoma de uma condição subjacente, sendo que uma das principais condições associadas a ela é o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
As principais características da hiperatividade são: inquietação; comportamento agressivo e impulsivo; distração. Podem levar a dificuldades na escola, nos relacionamentos com amigos e família, a acidentes e lesões, além de aumentarem o risco de abuso de álcool e drogas na vida adulta.
Os principais sintomas de TDAH são: hiperatividade, desatenção e impulsividade. O diagnóstico pode ser feito por volta dos 6, 7 anos, mas em muitos casos só ocorre na vida adulta.
A TDAH é uma das queixas mais comuns de pais que procuram um neurologista infantil e acomete de 8 a 10% das crianças em idade escolar. Muitos casos não são diagnosticados na infância ou se manifestam somente na idade adulta.
As complicações para vida adulta especialmente a masculina. A difícil maturidade. 2,8% dos adultos do mundo têm o transtorno contra 2,2% das crianças, 2/3 das crianças com TDAH manifestam os sintomas na idade adulta. A depender do país, a quantidade de homens é de 3 a 16 vezes maior que o número de mulheres. (fonte, ADHD e Associação Brasileira do Deficit de Atenção)
Qual a causa do TDAH?
Não se sabe ao certo, mas parece haver uma cascata de adventos multifatoriais que interferem no funcionamento do Sistema Nervoso Central. Não foi definido genes causadores do problema, mas acredita-se que a exposição a alguns fatores estão associados ao aparecimento do distúrbio, tais como:
- Uso de substâncias psicoativas (drogas ilícitas, álcool e tabagismo durante a gravidez)
- História familiar de TDAH em parente de primeiro grau (pais e irmãos)
- Parto prematuro e baixo peso ao nascer
- Infecções e exposição à substâncias neurotóxicas nos primeiros meses de vida.
As queixas e os sintomas são os mais variados como falta de atenção, impulsividade/hiperatividade, baixo rendimento escolar levando os pais muitas vezes a procurar reforço pedagógico para uma criança que tem dificuldade de concentração.
Quando não diagnosticado na infância ou quando manifesta-se na idade adulta os sintomas podem ficar escondidos ou mascarados por baixa produtividade, falta de organização, autoestima diminuída, abuso de sustâncias estupefacientes.
O deficit de atenção leva o indivíduo a um prejuízo individual e social, pois, por não prestar atenção aos detalhes comete muitos erros e descuidos nas atividades da vida diária. Não consegue se concentrar para fazer as atividades mais simples e nem mesmo no lazer. Faz as atividades com muita pressa e desleixo. Parece que não ouve quando se fala com ele, o pensamento é disperso como se estivesse no “mundo da lua”. Perde coisa e objetos com extrema facilidade e não consegue cumprir os compromissos.
A hiperatividade faz com que não consiga permanecer sentado ou concentrado por muito tempo, mudando de lugar ou posição o tempo inteiro, numa verdadeira inquietação, não tem habilidade para as atividades lúdicas e se as experimenta fazer não se envolve de maneira calma. Tem dificuldade de esperar sua vez, fala em excesso, interrompe os outros ou se intromete onde não é chamado, assumindo uma pecha de inconveniente.
O diagnóstico é clínico, muitas vezes a família e a escola corroboram com este diagnóstico pelo convívio diário dos que o acompanham com observações mais amiúde do comportamento.
O tratamento quanto mais precoce mais chance terá de ser exitoso, se não tratado pode haver prejuízo no desempenho escolar e no trabalho, ou cursar com outros transtornos com TOC e depressão. Medidas comportamentais como Terapia Cognitivo comportamental e organização são essenciais.
O cérebro dum paciente com TDAH não é um cérebro normal do ponto de vista funcional. Neurotransmissores excitatórios como o glutamato, estão em hiperatividade em desequilíbrio com os neurotransmissores inibitórios (GABA) hipoativos. Algumas medicações podem corrigir estas alterações bioquímicas, como o cloridrato de metil fenidato (ritalina), o dimesilato de lisdexanfetamina (venvanse).
A acupuntura pode beneficiar o tratamento, pois os estímulos meurais, através de nervos periféricos, podem modular a produção e a liberação dos neurotransmissores cerebrais, pelo seu mecanismo de ação neural já conhecidamente definida pela neuro fisiologia, podendo agir como terapia associada aos medicamentos ou como terapia única.
Do pontos de vista da ótica da Medicina Chinesa, existem duas forças opostas e complementares no universo: o Yin e o Yang, Para os chineses o equilíbrio do Yin e Yang significa a saúde, mas se há a diminuição de um deles ou a sobreposição de um sobre o outro manifesta-se a doença.
No TDAH e a hiperatividade, haveria então a sobreposição do Yang (movimento, agitação) sobre o Yin (repouso, hipoatividade) e nesta ótica a punção de pontos específicos são capazes de repor este equilíbrio, aumentando o Yin ou diminuindo o Yang.
Texto por Dr. Agamenon Honório | Médico Acupunturista