Unha encravada tem cirurgia? Entenda como funciona a cantoplastia
- Redação Saúde Minuto
- 11/09/2026
- Beleza
Quem já teve unha encravada sabe: um pedacinho minúsculo consegue causar uma dor enorme. Primeiro incomoda no sapato. Depois, o cantinho fica vermelho, inchado, dolorido e até aquela sandália linda começa a ser deixada de lado.
Na maioria das vezes, o problema pode ser controlado sem cirurgia. Mas quando a unha insiste em crescer para dentro da pele, as inflamações se repetem ou surgem dor intensa e infecção, pode ser necessário partir para uma solução mais definitiva. É aí que entra a cantoplastia, nome usado para a cirurgia que corrige a lateral da unha responsável pelo encravamento.
Segundo especialistas, casos mais leves podem ser tratados com medidas conservadoras. Já quando há inflamação importante, dor e pus, pode ser necessária a retirada da parte da unha que está penetrando na pele. Quando o problema volta repetidamente no mesmo dedo, o médico pode também tratar a região da matriz responsável pelo crescimento daquele pedaço da unha, reduzindo a chance de ele nascer e encravar novamente.
Para a dermatologista Natália Venturelli, a indicação do procedimento deve considerar não apenas a intensidade do quadro naquele momento, mas principalmente a frequência com que a unha encrava e a resposta aos tratamentos anteriores. “A unha encravada pode começar como um problema simples, mas, quando existe recorrência, inflamação frequente ou formação de tecido inflamado, é importante avaliar a causa e buscar uma abordagem que diminua a possibilidade de novos episódios”, explica.
Mas quando é hora de operar?
Ter uma unha encravada uma vez não significa automaticamente precisar de cirurgia.
A cantoplastia costuma entrar em cena principalmente quando o problema é recorrente, quando as medidas conservadoras não funcionaram ou quando existe um quadro mais importante de dor, inflamação ou infecção. Protocolos do NHS britânico também incluem entre as indicações cirúrgicas unhas muito curvas e dolorosas que não melhoraram com tratamentos menos invasivos.
E atenção: se houver pus, vermelhidão que está aumentando, calor local, dor intensa ou inchaço progressivo, nada de tentar fazer uma “cirurgia caseira” com alicate. A recomendação é uma avaliação profissional nesses casos. Pessoas com diabetes, problemas circulatórios ou alterações de sensibilidade nos pés precisam ter cuidado ainda maior.
Natália Venturelli ressalta que tentar cortar profundamente a lateral da unha em casa pode piorar a inflamação e criar um ciclo de trauma e crescimento inadequado. “Muitas pessoas tentam resolver o problema cavando o canto da unha, mas isso pode provocar mais lesão na pele e favorecer a recorrência. Quando há sinais de infecção ou inflamação importante, a avaliação médica é fundamental para definir a conduta mais segura”, afirma.
Como é feita a cantoplastia? Dói?
A palavra “cirurgia” pode assustar, mas o procedimento costuma ser pequeno e realizado com anestesia local no dedo.
Depois que a região está anestesiada, o profissional remove a faixa lateral da unha que está entrando na pele. Dependendo do caso e da técnica escolhida, também pode ser tratada a matriz ungueal, que é a região onde a unha é produzida.
O objetivo é simples: impedir que aquele cantinho problemático volte a crescer da mesma maneira.
Uma das técnicas utilizadas é a matricectomia química, na qual uma substância como o fenol é aplicada na matriz correspondente à parte retirada da unha. Outras técnicas também podem ser empregadas, e a escolha depende das características da lesão e da avaliação médica.
Segundo a dermatologista, a anestesia local torna o procedimento mais confortável para o paciente. “O momento da anestesia pode causar um desconforto breve, mas, depois que o dedo está anestesiado, o paciente não deve sentir dor durante a retirada da porção da unha. A escolha da técnica, inclusive o tratamento ou não da matriz, depende da avaliação individual de cada caso”, explica Natália.
Vou ficar sem unha?
Não necessariamente.
Nos procedimentos parciais, apenas a faixa que está causando o encravamento é retirada. O restante da unha permanece. Se a matriz daquele trecho também for tratada, essa pequena lateral pode não voltar a crescer, deixando a unha um pouco mais estreita.
A retirada completa existe, mas não é obrigatória em todos os casos. O tipo de cirurgia depende da extensão e, principalmente, da recorrência do problema.
Natália Venturelli explica que a retirada parcial busca preservar a maior parte possível da unha. “Quando retiramos apenas a porção lateral responsável pelo encravamento, a aparência da unha tende a ser preservada. Se a matriz daquela área for tratada, a intenção é justamente evitar que aquele segmento volte a crescer e provoque um novo encravamento”, diz.
E como fica o pé depois?
Aqui entra uma informação importante para quem já está pensando na agenda, na academia e, claro, no sapato que vai usar.
Após a cirurgia, o dedo fica protegido por um curativo e pode apresentar sensibilidade, pequeno sangramento ou secreção durante o processo de cicatrização. As orientações variam conforme a técnica utilizada.
Após procedimentos de retirada da unha, repousar e manter o pé elevado nas primeiras 12 a 24 horas, além de evitar atividades que provoquem dor. Natação e banheira de hidromassagem também devem esperar a liberação do profissional.
Não espere, porém, que a pele esteja completamente cicatrizada em dois ou três dias. Em procedimentos que envolvem a retirada parcial da unha e cauterização química da matriz, apontam um período médio de cicatrização de aproximadamente quatro a seis semanas.
Isso não significa ficar um mês sem andar. A retomada das atividades depende do procedimento realizado, da evolução da ferida e da orientação do profissional.
“É importante que o paciente entenda que cicatrização não significa necessariamente ficar sem caminhar ou sem realizar qualquer atividade por várias semanas. O retorno à rotina é individual e deve respeitar a evolução da região operada. Atividades que gerem pressão, atrito ou dor no dedo precisam ser retomadas gradualmente”, orienta Natália Venturelli.
E quando posso voltar para a pedicure?
Essa é uma daquelas horas em que a saúde precisa ganhar da pressa pela unha perfeita.
Enquanto houver ferida aberta, secreção ou tecido cicatrizando, não é hora de cutucar cantinhos, retirar cutícula agressivamente ou fazer procedimentos estéticos sobre a região operada. A liberação deve acontecer depois que a cicatrização estiver adequada.
E depois vale rever um hábito clássico de salão: arredondar demais os cantos das unhas dos pés. A recomendação é que elas sejam cortadas retas, sem cavar as laterais, justamente para reduzir o risco de novos episódios.
Sapatos muito apertados também entram na lista dos inimigos. Eles comprimem os dedos e estão entre os fatores associados ao desenvolvimento da unha encravada.
A dermatologista reforça que os cuidados depois da cirurgia também ajudam a evitar novos problemas. “Depois da cicatrização, cortar a unha de forma adequada é uma medida simples e importante. O ideal é evitar cavar os cantos ou retirar excessivamente as laterais. Também é importante observar o calçado, porque a pressão contínua sobre os dedos pode contribuir para o encravamento”, afirma Natália.
Pode encravar de novo?
Pode. Nenhum procedimento oferece garantia absoluta.
Mas tratar a matriz responsável pelo crescimento da lateral problemática é justamente uma estratégia utilizada nos casos recorrentes para diminuir a possibilidade de a unha voltar a crescer naquela região.
Por isso, se o dedão vive inflamado e você já perdeu as contas de quantas vezes cortou aquele mesmo cantinho, talvez seja hora de parar de brigar com a unha toda vez que ela cresce.
“A recorrência é um dos principais motivos para considerar uma abordagem mais definitiva. O objetivo não é simplesmente retirar a unha naquele momento, mas corrigir o mecanismo que está favorecendo o encravamento. Ainda assim, os cuidados posteriores e os hábitos do paciente continuam sendo importantes para reduzir novos episódios”, destaca Natália Venturelli.
Às vezes, a solução não está em cortar mais fundo. Está justamente em tratar a causa para que aquele cantinho deixe de ser um problema recorrente.

