Você limpa o micro-ondas com que frequência?
- Redação Saúde Minuto
- 10/06/2026
- Infectologista Saúde
Você provavelmente limpa a pia, a geladeira e o fogão com frequência. Mas e o micro-ondas?
Para muita gente, ele só recebe atenção quando começa a acumular gordura ou exalar aquele cheiro estranho de comida requentada. O problema é que a sujeira que fica ali pode ser mais do que uma questão estética.
Respingos de alimentos, gordura e restos de comida criam um ambiente favorável para a proliferação de microrganismos e podem aumentar o risco de contaminação cruzada na cozinha. Especialistas alertam que grande parte das infecções alimentares acontece dentro das próprias residências, muitas vezes por falhas simples de higiene.
O que acontece quando o micro-ondas não é limpo?
O principal problema não é o aparelho em si, mas os resíduos acumulados. Quando restos de alimentos permanecem por dias ou semanas nas paredes internas do micro-ondas, eles podem favorecer a proliferação de bactérias e fungos, contaminar recipientes e utensílios, provocar odores desagradáveis, atrair insetos e comprometer a qualidade dos alimentos aquecidos.
Segundo o médico infectologista e coordenador do curso de Medicina da FAMINAS, Ricardo Fontes, embora a radiação de micro-ondas tenha efeito bactericida, os aparelhos domésticos não são adequados para esterilização durante o uso habitual. Entre os microrganismos que podem se desenvolver com mais frequência em micro-ondas não higienizados adequadamente estão bactérias encontradas na pele humana e esporos, que são formas bacterianas muito resistentes ao calor.
Ele explica ainda que algumas bactérias patogênicas, como Campylobacter spp., frequentemente associada a aves cruas, Salmonella spp., Clostridium perfringens e Escherichia coli, além de algumas espécies de vírus, já foram isoladas em aparelhos de micro-ondas. “Esses microrganismos podem causar quadros de diarreia, vômitos e outras manifestações clínicas”, alerta o profissional.
Outro mito comum é acreditar que o calor do micro-ondas elimina automaticamente todos os microrganismos. Na prática, algumas bactérias podem sobreviver em determinadas condições e se concentrar em áreas específicas do aparelho.
Por isso, o especialista recomenda remover respingos assim que eles acontecerem e realizar uma limpeza completa pelo menos uma vez por semana. Em ambientes compartilhados, como empresas, escolas, faculdades ou refeitórios, esse cuidado deve ser ainda maior. De acordo com o professor, “aparelhos de micro-ondas utilizados por múltiplas pessoas precisam ser higienizados com ainda mais frequência, pois apresentam maior potencial de contaminação por restos alimentares devido ao uso intenso”.
Como limpar corretamente o micro-ondas
A boa notícia é que não é preciso recorrer a produtos agressivos. O ideal é retirar o aparelho da tomada, remover o prato giratório e lavá-lo com água e detergente neutro. Em seguida, basta limpar as paredes internas com um pano macio ou esponja não abrasiva, finalizando com um pano úmido.
Quando a gordura estiver mais impregnada, um truque simples pode ajudar. Coloque meia xícara de água e meia xícara de vinagre branco em um recipiente próprio para micro-ondas e aqueça por cerca de cinco minutos. O vapor ajuda a soltar a sujeira e facilita a limpeza. Água com limão também pode ser utilizada para reduzir odores.
Os produtos mais indicados são detergente neutro, pano de microfibra, esponja macia, vinagre branco, limão e bicarbonato de sódio. Já palha de aço, esponjas abrasivas, sapólio, removedores fortes, água sanitária e produtos corrosivos devem ser evitados, pois podem danificar o revestimento interno do aparelho.
Pequenos hábitos que fazem diferença
Algumas atitudes simples ajudam a manter o micro-ondas limpo por mais tempo. Usar tampas próprias para aquecer alimentos, limpar respingos imediatamente após o uso, evitar o acúmulo de resíduos e higienizar regularmente a maçaneta e os botões são medidas que contribuem para uma cozinha mais segura.
Texto por: Dr. Ricardo Fontes