Dia Nacional de Combate à Dengue reforça importância de ações preventivas
- Redação Saúde Minuto
- 21/11/2024
- Saúde
O Brasil realiza no próximo sábado, 23, o Dia Nacional de Combate à Dengue, data criada para intensificar ações de controle e prevenção contra a doença. A dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, segue como um problema de saúde pública, com impactos significativos na população, especialmente nos meses quentes e chuvosos, quando há maior proliferação do vetor.
O Dr. Manuel Palácios, médico infectologista do Centro de Segurança Assistencial (CSA) do Hospital Anchieta, aponta que questões estruturais dificultam o controle da dengue. “A urbanização desordenada, com áreas sem saneamento básico e coleta regular de resíduos, cria condições favoráveis para a reprodução do mosquito”, explica.
Além de fatores sociais, as condições climáticas também influenciam diretamente a dinâmica da transmissão. “O aumento das temperaturas e alterações no regime de chuvas ampliam as áreas propícias para o vetor”, destaca o especialista.
Características e riscos da dengue
A dengue é causada por quatro sorotipos distintos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), o que apresenta implicações importantes para a saúde pública. “Infecções subsequentes por diferentes sorotipos podem aumentar o risco de formas graves da doença”, alerta Dr. Palácios. Ele destaca que a identificação do sorotipo predominante é essencial para entender os surtos e otimizar as estratégias de controle.
Os sintomas da dengue incluem febre alta, dores articulares, dor atrás dos olhos, manchas na pele e cansaço extremo. Casos graves podem evoluir para choque, hemorragias e falência de órgãos, com maior risco para idosos e pessoas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.
Avanços no controle
Embora o combate ao Aedes aegypti seja tradicionalmente baseado na eliminação de criadouros e no uso de inseticidas, novas tecnologias estão sendo incorporadas. “Mosquitos geneticamente modificados, como machos estéreis ou com genes letais, têm sido utilizados em algumas regiões para reduzir a população do vetor”, explica o infectologista.
Além disso, vacinas contra a dengue estão em desenvolvimento, mas a eficácia pode variar conforme o sorotipo predominante, o que reforça a necessidade de pesquisas contínuas.
Medidas preventivas
Para o controle efetivo da dengue, a participação da população é fundamental. A eliminação de locais que acumulam água, como recipientes descobertos, pneus e vasos de plantas, continua sendo a principal forma de prevenção.
A data busca conscientizar sobre a necessidade de uma abordagem integrada, envolvendo governos, profissionais de saúde e a sociedade, para reduzir os impactos da doença. “O enfrentamento da dengue exige esforço coletivo, especialmente em áreas vulneráveis onde o mosquito encontra as condições ideais para se proliferar”, conclui o Dr. Palácios.
Profissional consultado: Dr. Manuel Palácios, médico infectologista do Centro de Segurança Assistencial (CSA) do Hospital Anchieta.
Texto por: Francisco Varkala | Redação Saúde Minuto