Por que sentimos arrepios quando estamos com frio ou medo?
- Fabricio Colli
- 13/01/2025
- Curiosidades Saúde
Quando nosso corpo recebe estímulos, sejam eles fortes emoções, baixas temperaturas entre outros, sentimos os conhecidos “arrepios”. Saiba por que isso acontece.
Os arrepios que sentimos podem vir sem aviso quando sentimos emoções muito intensas como medo, ameaça, de uma experiência nova muito prazerosa, ou simplesmente quando estamos com frio. Seja por conta de uma música, um filme, uma cena, um momento de tensão importante, ou apenas um vento gelado, os arrepios podem ter mecanismos iniciais e propósitos diferentes.
O maior responsável por causar essa reação é o hipotálamo, região do encéfalo com o papel de controlar a maioria das funções endócrinas, liberando a adrenalina e regulando a temperatura, ciclo do sono e sistema nervoso autônomo.
Começando pelo medo, a explicação está na nossa linha evolutiva, que desenvolve uma tendência de duas respostas: fugir ou ficar diante daquela ameaça. Segundo a neurologista Dr.ᵃ Ana Carolina de Freitas Ferreira, temos uma descarga adrenérgica muito importante, nessa região cerebral, que leva a resposta pelos vasos sanguíneos, resposta muscular.
A partir disso, ao sentirmos medo, os vasos ficam mais apertados, processo chamado de vasoconstrição. Então surgem os possíveis arrepios que podemos ter. E quando temos uma explosão de sensações como essa, isso também serve para auxiliar a termos um feedback.
“Essa sensação toda e esses achados que acontecem em nosso corpo, de certa forma, perpetuam para o reconhecimento de que aquilo é uma situação de medo, uma situação, melhor dizendo, de ameaça, e que deve ser evitado.” – Explica a especialista – “Então, a gente sente e conhece isso, e o que o corpo sente é de novo percebido pelo nosso cérebro, auxiliando a solidificar isso como uma memória.”
Essa reação também pode ser resultada por uma sensação prazerosa, uma emoção muito intensa, que faz com que o corpo também fique todo arrepiado. Geralmente isso é mais visto na transição de uma experiência que está sendo sentida pela primeira vez e que, ao mesmo tempo, está sendo uma potencial fonte de recompensa no nosso cérebro, que está ali sempre atrás de recompensas.
Nesse caso, falamos da dopamina, se assemelhando ao que acontece nos vícios que as pessoas podem adquirir, por conta dessa sensação muito prazerosa que gera o disparo desse neurotransmissor. A experiência fica codificada como algo que, se visto ou vivido de novo, será mais uma vez uma fonte de prazer.
Já em relação ao frio, a resposta é um mecanismo um pouco mais rápido. Sabemos que o frio é uma situação que o corpo fica vulnerável, não é uma situação que deve ser mantida. Então, para a gente começar a gerar calor, o hipotálamo ajuda a enviar comandos que vão estimular as contrações musculares, que faz os pelos se arrepiarem
Essas contrações são termogênicas, que resultam em um reequilíbrio. A resposta para isso é auxiliar na indução de contrações musculares que vão produzir calor e ajudar o corpo a compensar a situação, mudar o aspecto da pele de lisa para áspera, e criar, através dos pelos arrepiados, uma barreira térmica de ar. Esse recurso, conhecido como cutis anserina é uma herança de nossos ancestrais mais peludos, que utilizavam esse processo para manter a temperatura corporal estável. Atualmente, essa “técnica” é mais eficaz em animais de pele grossa e maior quantidade de pelos, não sendo mais tão eficiente em humanos.
Profissional consultada: Dra. Ana Carolina de Freitas Ferreira, vice-coordenadora do Departamento Científico de Neurologia Geral, da Academia Brasileira de Neurologia
Texto por: Fabricio Colli | Redação Saúde Minuto | Editado por: Rafaela Navarro