Arritmias cardíacas na menopausa
- Fabricio Colli
- 14/01/2025
- Cardiologia Saúde
A fase em que se manifesta a menopausa é o período de diversas mudanças na vida e no corpo das mulheres, uma dessas mudanças ocorre na saúde do coração. Com diversas alterações hormonais, como a diminuição dos níveis de estrogênio, o sistema cardiovascular pode sofrer com essa transição por conta da função protetora que esse hormônio possui sobre o coração.
A menopausa é um declínio natural dos hormônios reprodutivos das mulheres, que ocorre entre os 45 e 55 anos e age, principalmente, na suspensão da menstruação, fazendo com que os ovários deixem de produzir os hormônios do ciclo menstrual, sendo o estrogênio e a progesterona.
Quando associamos esses hormônios à saúde cardíaca das mulheres, o estrogênio é o mais crucial, por estar relacionado à proteção e bom funcionamento do coração.
Conforme o Dr. Alexsandro Fagundes, cardiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), à medida que a idade avança e as mulheres passam pela menopausa, o coração pode ter palpitações, e aumentam os riscos de doenças cardíacas.
“Por conta da queda da produção de estrogênio, a proteção do coração e vasos sanguíneos é enfraquecida, o que pode aumentar as chances de doenças cardiovasculares.” – Explica o Dr. Alexsandro – “Essa deficiência hormonal pode resultar no aumento do colesterol total e LDL, havendo riscos de aumentar a pressão arterial.”
O risco de doenças cardiovasculares são maiores nas mulheres que nos homens, segundo dados do Hospital do Coração de São Paulo (HCor), os casos de condições cardíacas aumentam em 30% em mulheres nessa etapa da vida.
“É importante que nos alertemos, também, a fatores de pré-disposição que podem contribuir para que essas mulheres desenvolvam doenças cardíacas durante esse período. Aquelas que têm histórico familiar de problemas com a saúde do coração, tabagistas, obesas, sedentárias ou outras condições que já poderiam agravar os riscos de arritmias cardíacas ou demais doenças, podem se tornar ainda mais preocupantes nessa fase.” Argumenta o especialista.
Relatos de palpitações e batimentos acelerados ou descompassados devem receber maior atenção, lembrando que em alguns casos podem estar associados a sensação de tontura. Alguns distúrbios psicológicos, como a ansiedade, o estresse, a insônia ou até mesmo a depressão, podem contribuir para essa sensação de palpitações.
Juntos à palpitação na menopausa, sintomas como cansaço, falta de ar, tonturas, desmaios ou dores no peito são sinais de que pode estar se desenvolvendo alguma doença cardíaca durante essa etapa.
Para proteger o coração e evitar riscos à sua saúde, as recomendações são de que seja mantida uma dieta saudável, atividades físicas regulares, evitar o tabagismo e consumo excessivo de álcool, evitar estresse e melhorar a qualidade do sono. Além disso, manter um acompanhamento médico para garantir a observação de um cardiologista caso surjam complicações.
Profissional consultado: Dr. Alexsandro Fagundes, cardiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC)
Texto por: Fabricio Colli | Redação Saúde Minuto