Retirar ou não as amigdalas?
- Eduardo Ventura
- 27/10/2025
- Kids Saúde
A amigdalectomia, ou cirurgia de retirada das amígdalas, é um procedimento comum na infância, mas nem toda criança precisa passar por ele. As amígdalas são pequenas glândulas localizadas na parte de trás da garganta e fazem parte do sistema de defesa do corpo, ajudando a combater vírus e bactérias.
Embora importantes para o organismo, as amígdalas podem, em alguns casos, causar problemas de saúde. É por isso que os médicos só indicam a cirurgia quando há necessidade real.
Quando a amigdalectomia é indicada em crianças?
Existem principalmente dois motivos para recomendar a cirurgia:
- Infecções de repetição (amigdalites):
Se a criança apresenta vários episódios de amigdalite por ano, que não melhoram com tratamento medicamentoso, o médico pode indicar a remoção das amígdalas.
Critérios comuns incluem:
- 7 ou mais episódios em um ano;
- 5 episódios por ano em dois anos consecutivos;
- 3 episódios por ano em três anos consecutivos.
- Problemas de sono e respiração:
Algumas crianças têm amígdalas grandes que dificultam a passagem de ar pelo nariz e pela garganta. Isso pode causar ronco frequente, sono agitado ou até apneia do sono (interrupções temporárias da respiração durante a noite). Nesses casos, a cirurgia pode melhorar a respiração e a qualidade do sono.
Em algumas situações, ambos os problemas podem ocorrer juntos, mas normalmente a cirurgia é indicada por apenas uma das razões.
Como é feita a cirurgia?
A cirurgia é feita em ambiente hospitalar, com anestesia geral, para garantir segurança e conforto. Existem duas técnicas principais:
- Amigdalectomia tradicional: retira toda a amígdala. É indicada quando o tecido está muito inflamado ou quando há infecções frequentes.
- Amigdalectomia intracapsular (ou raspagem): remove parte do tecido, preservando a cápsula da amígdala. É indicada principalmente para crianças com problemas de sono, pois reduz o desconforto e acelera a recuperação.
Cuidados antes e depois da cirurgia
Antes da cirurgia:
- Avaliação médica completa;
- Suspensão de alguns medicamentos conforme orientação do cirurgião;
- Preparação da criança para o procedimento de forma segura e tranquila.
Após a cirurgia:
- Alimentação inicial com líquidos e alimentos pastosos, frios ou em temperatura ambiente;
- Evitar atividades físicas intensas nas primeiras semanas;
- Hidratação constante;
- Uso de analgésicos conforme prescrição médica;
- Retorno ao médico para acompanhamento e liberação gradual das atividades.
A recuperação completa geralmente leva de 10 a 20 dias, dependendo da idade e da técnica utilizada.
Retirar ou não?
A decisão de retirar as amígdalas depende do impacto que elas têm na saúde e na qualidade de vida da criança. Quando indicadas corretamente, a cirurgia pode melhorar a respiração, reduzir infecções e proporcionar noites de sono mais tranquilas.