Meu cachorro é carinhoso e gosta de me beijar com lambidas, mas será que eu deveria deixar?
- Redação Saúde Minuto
- 24/11/2025
- Saúde
Lambidas: afeto ou risco à saúde?
O gesto que muitos tutores interpretam como uma prova de amor o famoso lambeijo pode não ser tão inofensivo quanto parece. Embora as lambidas sejam uma forma natural de comunicação e afeto entre cães, elas também podem representar riscos à saúde humana.
A professora Fabiana Volkweis, do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB), explica que o hábito deve ser evitado, mesmo em animais aparentemente saudáveis e com as vacinas em dia.
Por que os cães lambem?
A lambedura é um comportamento instintivo e social, herdado dos ancestrais selvagens. Os cães lambem para demonstrar afeto, aliviar o estresse e reforçar laços sociais.
“É uma forma de interação que remete ao convívio em matilha, onde o gesto representa respeito e vínculo”, afirma Fabiana.
Apesar disso, a veterinária alerta que não é recomendável permitir que o cão lamba o rosto, boca ou nariz do tutor:
“A boca do cão é porta de entrada para vírus, bactérias, fungos e protozoários”.
Riscos à saúde: o que pode estar escondido no lambeijo
Os cães usam a língua para se higienizar, inclusive em áreas íntimas, feridas e locais sujos ou contaminados. Assim, sua cavidade oral pode abrigar microrganismos potencialmente perigosos.
Mesmo cães vacinados podem transmitir infecções, já que:
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vacinas não impedem o contato com parasitas intestinais;
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bactérias e protozoários podem estar presentes na saliva;
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fungos também podem ser transmitidos.
Possíveis doenças transmitidas pela lambida
Entre os riscos estão:
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bactérias;
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fungos;
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verminoses;
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protozoários.
A giardíase é um exemplo comum, podendo causar:
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diarreia intensa;
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dor abdominal;
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vômitos.
“O cão pode, por exemplo, lamber o próprio ânus após defecar e, em seguida, lamber o tutor, transmitindo parasitas e outros agentes patogênicos”, explica Fabiana.
Cuidados para proteger a saúde do tutor e do pet
A prevenção começa com higiene e cuidados diários, fundamental para manter o bem-estar de ambos.
1. Escovação dental
A escovação de preferência diária ajuda a:
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reduzir bactérias;
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evitar acúmulo de tártaro;
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prevenir doenças periodontais.
“As placas bacterianas podem liberar bactérias na corrente sanguínea, afetando coração, rins e outros órgãos.”
Sinais de alerta:
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mau hálito;
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gengivas inflamadas;
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perda dentária.
Nesses casos, é indicado procurar um veterinário especializado em odontologia.
2. Água limpa sempre
É importante evitar que o animal beba:
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de poças;
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de recipientes sujos;
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de fontes contaminadas.
3. Vermifugação e acompanhamento veterinário
A vermifugação elimina parasitas presentes, mas não impede reinfecções.
“Por isso, o acompanhamento veterinário é indispensável”, reforça Volkweis.
Texto de: Fabiana Volkweis