Colesterol alto: será que a gordura é mesmo a maior vilã?
- Redação Saúde Minuto
- 30/07/2026
- Cardiologia Saúde
Nem toda gordura faz mal. Na verdade, algumas são fundamentais para o coração e para o funcionamento do organismo. O problema é que muita gente ainda coloca tudo no mesmo pacote e acaba acreditando que basta cortar alimentos gordurosos para manter o colesterol sob controle.
A realidade é um pouco mais complexa.
Além da alimentação, fatores como genética, sedentarismo, obesidade, diabetes, tabagismo e até o envelhecimento influenciam diretamente os níveis de colesterol. Em muitos casos, quem leva uma vida saudável também pode desenvolver a doença.
Segundo o cardiologista Dr. Juliano Cardoso, docente da Faculdade Santa Marcelina, entender a diferença entre os tipos de gordura é um dos primeiros passos para proteger o coração.
Nem toda gordura merece fama de vilã
As gorduras saturadas, presentes em carnes gordurosas, manteiga, embutidos e laticínios integrais, podem aumentar o colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”, principalmente quando consumidas em excesso.
As gorduras trans, encontradas em muitos alimentos ultraprocessados, são ainda piores: além de elevar o LDL, reduzem o HDL, considerado o colesterol “bom”.
Já as chamadas gorduras boas fazem exatamente o contrário. Azeite de oliva, castanhas, abacate e peixes ajudam a proteger os vasos sanguíneos e fazem parte de uma alimentação saudável.
Afinal, o colesterol é ruim?
Não.
O colesterol é uma substância produzida pelo próprio organismo e indispensável para a produção de hormônios, vitamina D e para a formação das células.
O perigo aparece quando o LDL fica elevado por muito tempo.
Esse excesso pode se acumular nas paredes das artérias, formando placas de gordura que dificultam a circulação do sangue e aumentam o risco de infarto e AVC.
Além do LDL e do HDL, outro marcador importante são os triglicerídeos. Quando estão altos, o risco cardiovascular também aumenta.
O maior problema é que ele não avisa
O colesterol alto costuma evoluir sem causar sintomas.
Na maioria das vezes, a pessoa só descobre o problema depois de um exame de sangue ou, pior, após uma complicação como infarto ou derrame.
Por isso, fazer check-ups regularmente continua sendo uma das principais formas de prevenção.
Não é só culpa da alimentação
Embora a dieta tenha grande influência, ela está longe de ser a única responsável.
Genética, obesidade, sedentarismo, diabetes, hipotireoidismo, cigarro, excesso de álcool e idade também podem elevar o colesterol.
Em pessoas com hipercolesterolemia familiar, por exemplo, os níveis podem permanecer muito altos mesmo com alimentação equilibrada.
O que realmente ajuda a baixar o colesterol?
Não existe alimento milagroso.
O segredo está na soma de hábitos saudáveis:
- consumir mais frutas, verduras, legumes e grãos integrais;
- reduzir alimentos ultraprocessados;
- evitar excesso de gorduras saturadas;
- praticar atividade física regularmente;
- manter o peso adequado;
- não fumar;
- controlar pressão arterial, diabetes e estresse.
Os tratamentos evoluíram
Quando apenas as mudanças no estilo de vida não são suficientes, existem medicamentos bastante eficazes.
As estatinas continuam sendo o tratamento mais utilizado e têm efeito comprovado na redução do risco de infarto e AVC.
Nos últimos anos, surgiram terapias mais modernas, como os inibidores da PCSK9 e o inclisiran, um medicamento aplicado apenas duas vezes por ano, indicado para pacientes de alto risco ou com colesterol muito elevado de origem genética.
Mesmo com esses avanços, o especialista reforça que nenhum medicamento substitui os hábitos saudáveis e o acompanhamento médico periódico.
Texto por: Dr. Juliano Cardoso