EUA aprovam a primeira pílula para câncer de pâncreas metastático. O que muda de fato?
- Redação Saúde Minuto
- 02/09/2026
- Saúde
Medicamento daraxonrasib dobra a sobrevida mediana em pacientes com doença metastática, mas ainda não tem registro no Brasil
Na quarta-feira (26 de agosto), o FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou o daraxonrasib, primeiro medicamento capaz de bloquear a proteína RAS, o “interruptor” que fica ligado em mais de 90% dos cânceres de pâncreas. Em junho os resultados foram apresentados no maior congresso da ASCO, o maior de oncologia do mundo, e receberam aplausos de pé.
A indicação é para adultos com câncer de pâncreas que já se espalhou para outros órgãos, o chamado tumor metastático, e que já fizeram um primeiro tratamento com quimioterapia.
O estudo que embasou a aprovação acompanhou 500 pacientes. A sobrevida mediana foi de 13,2 meses, contra 6,7 meses com quimioterapia, na prática o dobro do tempo. Um ano após o início do tratamento, 53% dos pacientes estavam vivos, ante 19% no grupo da quimioterapia. O tumor diminuiu em 1 a cada 3 pacientes e a dor demorou mais que o dobro do tempo para piorar. É um comprimido tomado em casa, uma vez ao dia, e poucos pacientes precisaram interromper o tratamento por efeitos colaterais, sendo os mais comuns lesões na pele parecidas com acne, feridas na boca, diarreia e cansaço.
O medicamento, no entanto, não cura a doença. O ganho é medido em meses e, na maioria dos casos, o tumor volta a crescer. Também não é indicado para tumores iniciais, situação em que a cirurgia segue como o único tratamento com chance de cura. E ainda não está disponível no Brasil: não há registro na ANVISA nem prazo definido.
Estudos em andamento já testam a pílula como primeiro tratamento e também depois da cirurgia, para reduzir o risco de a doença voltar.
Para o Dr. Felipe Coimbra, líder do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto (CR-ADA) do A.C.Camargo Cancer Center, o avanço é real e muda a conversa com quem tem a doença avançada. A mensagem principal, porém, continua a mesma: diagnóstico cedo, avaliação por equipe especializada e teste genético do tumor desde o início.
O A.C.Camargo Cancer Center disponibiliza especialistas para entrevistas e esclarecimentos sobre a aprovação, o perfil de pacientes que podem se beneficiar do medicamento e o cenário de diagnóstico e tratamento do câncer de pâncreas.
Texto por: Dr. Felipe Coimbra, líder do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto (CR-ADA) do A.C.Camargo Cancer Center

