Anvisa aprova tratamento que pode mudar a rotina de quem tem Parkinson avançado
- Redação Saúde Minuto
- 04/06/2026
- Parkinson Saúde
Uma nova opção de tratamento para pessoas com Parkinson avançado acaba de chegar ao Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento foslevodopa/foscarbidopa hidratada, uma terapia desenvolvida para pacientes que enfrentam oscilações importantes dos sintomas ao longo do dia.
Na prática, muitos pacientes convivem com momentos em que a medicação funciona bem e outros em que tremores, rigidez e dificuldade para se movimentar voltam a aparecer de forma intensa. É justamente esse efeito “montanha-russa” que a nova terapia pretende reduzir.
Segundo o neurocirurgião Dr. Marcelo Valadares, responsável pela área de Neurocirurgia Funcional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista no tratamento da doença de Parkinson, a novidade representa mais uma alternativa para casos avançados da doença.
“O tratamento oferece uma liberação mais estável da medicação no organismo, o que pode proporcionar um controle mais uniforme dos sintomas motores ao longo do dia”, explica.
O que acontece no Parkinson?
O Parkinson é uma doença neurológica que afeta a produção de dopamina, substância fundamental para o controle dos movimentos.
Com a redução desse neurotransmissor, surgem sintomas como tremores, lentidão para realizar atividades, rigidez muscular e dificuldades de equilíbrio. Com o passar dos anos, muitos pacientes passam a apresentar períodos em que os medicamentos perdem parte do efeito, comprometendo a autonomia e a qualidade de vida.
O que muda com a nova terapia?
Diferentemente dos comprimidos tradicionais, a foslevodopa/foscarbidopa hidratada é administrada continuamente por meio de uma bomba portátil que libera a medicação sob a pele durante 24 horas.
A proposta é manter níveis mais estáveis do medicamento no organismo, reduzindo as oscilações motoras que costumam surgir nas fases mais avançadas da doença.
A tecnologia já era utilizada em países como Estados Unidos e Canadá e agora passa a integrar as opções terapêuticas disponíveis no Brasil.
Levodopa continua sendo o tratamento principal
Apesar da novidade, a levodopa em comprimidos continua sendo o tratamento mais utilizado para controlar os sintomas do Parkinson.
Segundo o Dr. Marcelo Valadares, a maioria dos pacientes apresenta boa resposta à medicação oral, especialmente nos primeiros anos da doença.
“A progressão do Parkinson pode exigir ajustes de dose, associações de medicamentos e, em alguns casos, terapias mais avançadas para manter o controle adequado dos sintomas”, afirma.
Mais opções para pacientes avançados
A nova terapia passa a fazer parte de um grupo de tratamentos destinados a pacientes com sintomas mais complexos, ao lado de estratégias já consolidadas, como a estimulação cerebral profunda, conhecida pela sigla DBS.
Para o especialista da Unicamp, a aprovação da Anvisa amplia as possibilidades de cuidado e reforça a evolução dos tratamentos disponíveis para a doença.
“Quanto mais alternativas seguras tivermos para individualizar o tratamento, maiores são as chances de preservar a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes”, conclui.
Fonte: Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião, responsável pela área de Neurocirurgia Funcional da Unicamp e especialista no tratamento da doença de Parkinson.