Brasil confirma primeiro caso de gripe aviária em granja comercial e acende alerta para saúde pública e setor produtivo
- Redação Saúde Minuto
- 16/05/2025
- Bem-estar Saúde
O Brasil confirmou, na última quinta-feira (15), o primeiro caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial. O foco foi identificado em um estabelecimento de matrizes — que produz ovos férteis para a criação de frangos — localizado na cidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul. A doença, que circula mundialmente desde 2006, só havia sido detectada em aves silvestres no Brasil até o ano passado.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o surto foi confirmado por exames laboratoriais após a morte de cerca de 35 aves no local. Também há a suspeita de um segundo foco no zoológico da cidade de Sapucaia do Sul, também no Rio Grande do Sul, onde dezenas de aves em cativeiro morreram subitamente.
A Influenza Aviária, causada pelo vírus influenza A(H5N1), é uma doença infecciosa que pode atingir aves e mamíferos, inclusive os seres humanos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), desde 2022 têm sido registrados surtos persistentes do vírus em países das Américas, como Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, México e, mais recentemente, no Brasil. É a primeira vez que se observa uma persistência prolongada de casos entre as aves nesses países.
“A confirmação do primeiro foco de gripe aviária (H5N1) em uma granja comercial no Brasil representa uma mudança significativa no cenário epidemiológico do país. Até então restrito a aves silvestres, o vírus agora entra no setor produtivo, o que amplia o risco de disseminação e requer vigilância rigorosa”, destaca Dr. Klinger Soares Faíco Filho.
Apesar do baixo risco de infecção em humanos, a preocupação aumenta com a possibilidade de mutações do vírus em ambientes de alta densidade animal. A transmissão para pessoas ainda é rara, ocorrendo geralmente por contato direto com aves contaminadas ou ambientes infectados. Desde 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu notificações de 874 infecções humanas por H5N1 no mundo, com 458 mortes, o que revela alta letalidade.
Nas Américas, três casos de infecção em humanos foram identificados nos últimos anos: nos Estados Unidos (2022), no Equador (2023) e no Chile (2023).
“Do ponto de vista da saúde pública, esse é um alerta importante. É fundamental intensificar o monitoramento de trabalhadores expostos, garantir protocolos de biossegurança e reforçar a comunicação clara com a população. Ainda não há transmissão sustentada entre humanos, mas o vírus da influenza tem um histórico de mutações rápidas e rearranjos genéticos. Por isso, todo surto em ambiente produtivo deve ser tratado com seriedade, responsabilidade técnica e coordenação entre saúde humana, animal e ambiental, dentro da perspectiva de saúde única (One Health)”, ressalta o Dr. Klinger Soares Faíco Filho.
Diante do cenário, autoridades brasileiras reforçam a importância de manter ações integradas entre vigilâncias sanitária, animal e ambiental, além de medidas de biossegurança rigorosas nas granjas e estabelecimentos que lidam com aves. O objetivo é conter a disseminação da doença, proteger a cadeia produtiva e reduzir o risco à saúde humana.