Dia Mundial de Conscientização do Autismo: como promover a inclusão escolar e profissional de pessoas com autismo
- Redação Saúde Minuto
- 02/04/2025
- Bem-estar Neurologia Saúde
Para a Academia Brasileira de Neurologia, a data é fundamental para difundir informações para a população sobre o autismo e assim reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas pelo transtorno
Estabelecido desde 2007, o Dia do Mundial de Conscientização do Autismo traz à tona uma série de questões sobre o transtorno, que afeta crianças e adultos no mundo todo. Estimar o número exato de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil é desafiador
devido à falta de dados epidemiológicos abrangentes. No entanto, com base em estudos internacionais e na prevalência estimada pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) de 1 em 36 crianças, estima-se que haja aproximadamente 6 milhões de pessoas com TEA no Brasil.
Um dos principais desafios diante dessa população é a inclusão escolar e profissional de autistas. De acordo com a Dra. Ana Carolina Coan, vice coordenadora do Departamento Científico de Neurologia Infantil da Academia Brasileira de Neurologia, a inclusão escolar de alunos com TEA deve ser planejada e adaptada às necessidades individuais.
“Isso envolve a elaboração de um Plano Educacional Individualizado (PEI), adaptações curriculares, uso de recursos de comunicação alternativa, e a promoção de um ambiente escolar acolhedor que favoreça a interação social e a aprendizagem, diz a médica.
Professores e escolas podem se qualificar por meio de cursos de formação continuada, workshops e palestras sobre o Transtorno de Espetro Autista (TEA). “É fundamental que os educadores compreendam as características do transtorno, estratégias de ensino inclusivas e
formas de manejar comportamentos desafiadores, promovendo um ambiente educativo que respeite as diferenças e potencialize as habilidades dos alunos com TEA.”
Autismo em adultos: desafios da inclusão profissional
O termo “autismo tardio” não é oficialmente reconhecido, mas há casos em que o diagnóstico de TEA ocorre na vida adulta. Isso pode acontecer quando os sintomas foram sutis na infância ou mascarados por estratégias de compensação. O aumento da conscientização e a ampliação dos critérios diagnósticos permitem que mais adultos busquem e obtenham o diagnóstico adequado.
Pessoas com TEA podem trabalhar e contribuir significativamente em diversas áreas profissionais. A adequação do ambiente de trabalho às necessidades individuais, o respeito às particularidades sensoriais e sociais, e a valorização das habilidades únicas de cada indivíduo são fundamentais para o sucesso profissional.
A inclusão profissional envolve a adaptação do ambiente de trabalho, flexibilização de rotinas, oferta de treinamentos específicos e promoção de uma cultura organizacional inclusiva. Programas de mentoria e suporte contínuo também são importantes para auxiliar na integração e no desenvolvimento profissional de pessoas com TEA.
O que é o TEA?
O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição neurológica e de desenvolvimento que afeta a maneira como uma pessoa percebe o mundo e interage com os outros. Caracteriza-se por dificuldades persistentes na comunicação social e na interação, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.
Como é diagnosticado?
O diagnóstico do TEA é clínico e se baseia nos critérios estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, Quinta Edição (DSM-5). Os critérios incluem déficits persistentes na comunicação e interação social em múltiplos contextos e a presença de comportamentos restritos e repetitivos. Profissionais de saúde realizam entrevistas e observações comportamentais para avaliar os sintomas.
Houve um aumento no número de diagnósticos ou o diagnóstico ficou mais preciso?
Estudos indicam um aumento significativo no número de diagnósticos de TEA nos últimos anos. Esse aumento é atribuído a uma maior conscientização sobre o transtorno, mudanças nos critérios diagnósticos com a introdução do DSM-5 e melhor acesso aos serviços de saúde. Esses fatores contribuíram para diagnósticos mais precisos e abrangentes.
A partir de qual idade o TEA pode ser identificado?
Os sinais do TEA podem ser detectados já nos primeiros anos de vida. Embora algumas crianças apresentem sintomas logo após o nascimento, na maioria dos casos os sinais tornam-se mais evidentes entre 12 e 24 meses de idade, à medida que as demandas sociais aumentam.
Os principais sintomas do TEA incluem:
- Dificuldades na reciprocidade socioemocional, como dificuldade em manter uma conversa ou compartilhar emoções.
- Déficits na comunicação não verbal, incluindo contato visual reduzido e dificuldade em compreender gestos.
- Padrões de comportamento, interesses ou atividades restritos e repetitivos, como movimentos motores estereotipados ou adesão inflexível a rotinas.
- Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais, como resposta intensa a sons ou texturas específicas.
Quais são os principais desafios do tratamento?
Os principais desafios do tratamento do TEA incluem a necessidade de abordagens individualizadas, a disponibilidade limitada de profissionais especializados e a integração de diferentes terapias para atender às necessidades específicas de cada indivíduo. Além disso, garantir o
acesso contínuo aos serviços e o envolvimento da família são aspectos cruciais para o sucesso do tratamento.
O TEA pode ser tratado no SUS?
Sim, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento para pessoas com TEA, incluindo diagnóstico e intervenções terapêuticas. Os serviços são disponibilizados por meio de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) e outros programas de saúde mental. No entanto, a disponibilidade e a qualidade dos serviços podem variar conforme a região.
Texto por: Dra. Ana Carolina Coan, vice coordenadora do Departamento Científico de Neurologia Infantil da Academia Brasileira de Neurologia | Redação Saúde Minuto