Escoliose: doença afeta milhões de brasileiros e pode surgir ainda na infância
- Redação Saúde Minuto
- 08/06/2026
- Escoliose Saúde
Junho Verde, mês de conscientização da doença, destaca a importância de ampliar o conhecimento sobre a escoliose, suas causas e avanços no tratamento
Em junho, é celebrada no Brasil uma campanha para aumentar a conscientização sobre a escoliose, uma condição que afeta milhares de pessoas em todo o mundo. A iniciativa busca transmitir informações sobre essa condição, suas causas e tratamento.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a escoliose afeta aproximadamente 4% da população mundial. No Brasil, são aproximadamente 6 milhões de pessoas convivendo com algum grau da doença, muitas vezes sem diagnóstico.
A condição pode surgir em diferentes fases da vida. O tipo mais comum é a escoliose idiopática, que representa cerca de 80% dos casos e não possui causa definida. Ela é mais frequente na adolescência, especialmente entre os 10 e 18 anos, durante o estirão de crescimento, e apresenta maior incidência em meninas.
“Embora a maioria dos casos de escoliose seja idiopática, ou seja, sem uma causa específica conhecida, existem também casos em que a condição está relacionada a problemas neuromusculares, má postura, lesões traumáticas e doenças congênitas”, explica Dr. Luciano Miller, ortopedista e cirurgião de coluna do Einstein Hospital Israelita.
A escoliose pode evoluir de forma silenciosa e, em muitos casos, não causa dor no início. Entre os principais sinais de alerta estão alterações no alinhamento do corpo, como curvatura anormal da coluna vertebral em formato de “S” ou “C”, ombros ou quadris em alturas diferentes, desalinhamento da cintura, um lado das costas parecer mais alto ou mais saliente que o outro e inclinação do tronco para um dos lados. Quando a condição está mais avançada, podem surgir dores nas costas, impacto na mobilidade e, mais raramente, comprometimento da função respiratória.
A doença não tem cura na maioria dos casos, mas pode ser controlada por meio de tratamento adequado. Os tipos de tratamento variam conforme o grau da curvatura, a idade do paciente e o risco de progressão, incluindo acompanhamento médico, fisioterapia, uso de coletes ortopédicos e, em casos mais graves, cirurgia corretiva.
Felizmente, avanços significativos têm sido alcançados no tratamento da escoliose. Terapias não invasivas têm mostrado resultados promissores na correção e estabilização da curvatura da coluna em pacientes jovens. Além disso, novas técnicas cirúrgicas têm sido desenvolvidas, permitindo uma recuperação mais rápida e menos desconforto para os pacientes.
Luciano Miller ressalta a importância de iniciativas como o Junho Verde para aumentar a conscientização sobre a escoliose e promover a detecção precoce da condição. “É fundamental alertar a população sobre os sinais e sintomas da escoliose, incentivando o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado”, enfatiza o cirurgião de coluna.
Texto por: Dr. Luciano Miller – Ortopedista e Cirurgião de Coluna
CRM: 89832
RQE: 146199