Está usando caneta emagrecedora? Veja quais exames ajudam a saber se está tudo bem por dentro
- Redação Saúde Minuto
- 20/10/2026
- Bem-estar Saúde
Você perdeu peso, mudou o manequim e fez as pazes com o espelho. Mas como estão seus rins, fígado, pâncreas e a saúde de modo geral? Saiba o que acompanhar durante o tratamento com tirzepatida.
Você foi do manequim 46 para o 38, voltou a usar aquele jeans esquecido no armário, está recebendo elogios e já não foge das fotografias. A balança virou sua melhor amiga e o espelho, finalmente, parou de ser motivo de briga.
Tudo maravilhoso, certo?
Calma lá! Enquanto você comemora os quilos perdidos, uma pergunta merece atenção: como anda a saúde por dentro?
A tirzepatida, princípio ativo de medicamentos como o Mounjaro, ganhou popularidade por seus resultados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Mas, apesar da fama nas redes sociais, estamos falando de um medicamento que exige prescrição e acompanhamento médico.
E tem um detalhe: emagrecer não significa, automaticamente, que todos os indicadores de saúde estejam em ordem.
Rins, fígado, pâncreas, metabolismo e estado nutricional podem precisar de atenção durante o tratamento. Isso não significa sair pedindo todos os exames do laboratório, mas entender o que deve ser acompanhado em cada caso.
Segundo Marcos Kozlowski, responsável técnico do LANAC – Laboratório de Análises Clínicas, não existe uma lista universal de exames para quem utiliza tirzepatida.
O histórico de saúde, as doenças associadas, os medicamentos utilizados e a resposta ao tratamento determinam quais avaliações são necessárias.
1. Glicose e hemoglobina glicada: como anda o açúcar no sangue?
A tirzepatida atua sobre mecanismos envolvidos no controle da glicose e do apetite.
Por isso, exames como glicemia e hemoglobina glicada podem ajudar a avaliar o metabolismo do açúcar, especialmente em pessoas com diabetes ou pré-diabetes.
A hemoglobina glicada funciona como uma espécie de retrospectiva dos níveis de glicose dos últimos dois a três meses.
É uma informação importante para verificar a resposta ao tratamento e, quando necessário, ajustar outras medicações.
2. Rins: atenção se você anda comendo e bebendo pouco
Aquela sensação de estômago cheio por mais tempo pode ser ótima para controlar a fome. Mas, se vier acompanhada de náuseas, vômitos ou diarreia, merece atenção.
Esses efeitos podem provocar desidratação e, em situações mais graves, comprometer a função dos rins.
Exames como creatinina e, conforme o caso, ureia e eletrólitos ajudam a investigar alterações, principalmente em pessoas com doença renal ou que apresentam sintomas gastrointestinais intensos.
O recado é simples: perder peso não pode significar esquecer de beber água.
3. Fígado: o que acontece enquanto a gordura vai embora?
O fígado também participa dessa história.
Pessoas com obesidade e diabetes tipo 2 podem apresentar acúmulo de gordura no fígado, condição conhecida como esteatose hepática.
A perda de peso pode melhorar essa alteração, mas o acompanhamento depende da situação clínica.
Exames como ALT (TGP) e AST (TGO) podem fazer parte da avaliação, quando indicados pelo médico.
Vale lembrar que a tirzepatida não exige exames hepáticos frequentes para todos os usuários. O objetivo é acompanhar doenças preexistentes ou investigar possíveis alterações.
4. Pâncreas: existe motivo para preocupação?
Aqui, o assunto merece atenção especial.
A pancreatite, uma inflamação do pâncreas, é uma reação adversa importante associada ao uso de medicamentos como a tirzepatida, embora não seja frequente.
Mas isso não significa que todo mundo precise fazer exames de amilase e lipase regularmente.
Esses marcadores são utilizados principalmente quando existe suspeita clínica de pancreatite.
Dor abdominal forte e persistente, especialmente quando irradia para as costas, com ou sem vômitos, é sinal de alerta. Nessa situação, é necessário procurar atendimento médico imediatamente.
5. Vesícula: emagrecer rápido também exige atenção
Sim, a vesícula entra nessa conversa!
A perda de peso rápida pode aumentar o risco de formação de cálculos biliares, as famosas pedras na vesícula. Além disso, eventos relacionados à vesícula são reconhecidos entre os possíveis efeitos adversos do tratamento.
Dor na parte superior direita do abdômen, principalmente quando acompanhada de náuseas, febre ou pele amarelada, merece investigação.
O médico poderá solicitar uma ultrassonografia abdominal se houver suspeita de alteração.
Mas atenção: não é necessário fazer ultrassom de vesícula periodicamente apenas porque você usa tirzepatida.
6. Tireoide: preciso dosar os hormônios?
A tireoide também costuma aparecer nas dúvidas de quem usa canetas emagrecedoras.
Exames como TSH e T4 livre podem ser indicados para investigar alterações hormonais, mas não são obrigatórios para todos os pacientes durante o tratamento.
Existe ainda um alerta importante na bula da tirzepatida relacionado a tumores de células C da tireoide observados em estudos com roedores. Não está estabelecido se esse risco ocorre em humanos.
Por isso, o médico precisa conhecer o histórico pessoal e familiar do paciente, especialmente em relação ao carcinoma medular de tireoide e à neoplasia endócrina múltipla tipo 2, condições que contraindicam o uso do medicamento.
Exames de tireoide feitos rotineiramente não substituem essa avaliação.
7. Vitaminas, proteínas e músculos: emagreceu, mas está se alimentando bem?
Aqui está um ponto que merece tanta atenção quanto o número na balança.
Com a redução do apetite, algumas pessoas passam a comer muito menos. E, dependendo da qualidade da alimentação, podem deixar de consumir nutrientes importantes.
Hemograma e exames de vitaminas e minerais podem ser indicados quando houver suspeita de deficiência nutricional.
Mas existe outro cuidado: nem todo peso perdido é gordura.
Durante o emagrecimento, também pode ocorrer perda de massa muscular. Por isso, avaliar força, composição corporal, consumo de proteínas e prática de exercícios é importante.
Afinal, a ideia é emagrecer preservando saúde, funcionalidade e qualidade de vida.
Afinal, quais exames devo fazer?
Não existe um check-up padrão para todas as pessoas que usam tirzepatida.
Entre os exames que podem ser considerados, conforme a avaliação médica, estão:
- Glicemia e hemoglobina glicada: para acompanhar o controle do açúcar no sangue.
- Creatinina e eletrólitos: especialmente diante de desidratação, doença renal ou outros fatores de risco.
- Perfil lipídico: para avaliar colesterol e triglicerídeos.
- Enzimas hepáticas: quando houver indicação de investigar ou acompanhar alterações no fígado.
- Hemograma e marcadores nutricionais: conforme a alimentação, os sintomas e o risco de deficiências.
- Amilase, lipase, TSH e T4 livre: apenas quando houver indicação clínica específica.
A periodicidade também varia. O médico pode solicitar exames antes de iniciar o tratamento, durante o acompanhamento ou diante de sintomas e mudanças importantes no estado de saúde.
É claro que vestir uma roupa menor, sentir-se mais disposto e perceber mudanças no corpo pode ser motivo de comemoração.
Mas o sucesso do tratamento não deve ser medido apenas pelos quilos eliminados.
Controle da glicose, pressão arterial, colesterol, preservação da massa muscular, alimentação adequada e bem-estar também fazem parte dos resultados que importam.
Como explica Marcos Kozlowski, os exames laboratoriais ajudam a ampliar a avaliação clínica, mas não substituem a consulta e o acompanhamento individualizado.
Texto por: Marcos Kozlowski, responsável técnico do LANAC – Laboratório de Análises Clínicas

