Exagerou no preenchimento? Cresce busca pela desarmonização
- Redação Saúde Minuto
- 21/05/2026
- Harmonização Saúde
Teve uma época em que preencher o rosto parecia sinônimo automático de beleza. Maçãs marcadas, mandíbula superdefinida, boca volumosa, tudo “bem harmonizado”. Mas agora o movimento parece estar indo na direção contrária. E rápido.
Cada vez mais mulheres estão procurando clínicas e consultórios para desfazer excessos estéticos feitos nos últimos anos. O nome disso? Desarmonização facial. E sim, ela já virou uma das maiores tendências do universo beauty.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Fernando de Almeida Prado, referência na área, a procura aumentou muito recentemente, principalmente entre mulheres que perceberam que perderam a naturalidade do próprio rosto ao longo do tempo.
“A ideia agora não é parecer preenchida. É parecer descansada, saudável e natural”, explica o especialista.
O fim da era da “harmonização exagerada”?
Durante anos, procedimentos com ácido hialurônico dominaram consultórios e redes sociais. A promessa era tentadora: levantar a face, suavizar marcas do tempo e deixar tudo mais jovem sem cirurgia. Em muitos casos, funciona muito bem.
O problema começou quando o exagero virou tendência.
“Hoje vemos muitas pacientes transformadas pelo excesso de produto, muitas vezes utilizando materiais inadequados ou passando por profissionais sem qualificação”, alerta Dr. Fernando de Almeida Prado.
O resultado acabou ganhando apelidos nada gentis nas redes sociais e no universo da estética. Nos Estados Unidos, o visual excessivamente preenchido ficou conhecido como “Pillow Face” (“rosto travesseiro”) e “Duck Lips” (“boca de pato”). No Brasil, o termo “Fofão” acabou viralizando entre internautas.
Quem mais procura a desarmonização?
Segundo o especialista, a maior parte das pacientes tem entre 45 e 70 anos. Muitas passaram anos tentando suavizar qualquer sinal do envelhecimento apenas com preenchimentos, evitando cirurgias faciais.
Só que, em determinado momento, vem o incômodo ao olhar no espelho.
“O rosto fica aumentado, artificial, congelado. E isso é exatamente o oposto do que buscamos em estética facial”, diz o médico.
Dá para reverter?
Depende do produto utilizado.
Quando o preenchimento foi feito com ácido hialurônico, existe uma enzima chamada hialuronidase, capaz de dissolver o material. O procedimento costuma ser realizado no próprio consultório, com anestesia local, e dura cerca de uma hora.
Depois disso, pode ocorrer vermelhidão, inchaço e até flacidez temporária. Em alguns casos, tratamentos complementares ajudam bastante na recuperação da pele.
Entre as opções mais utilizadas estão:
- bioestimuladores de colágeno;
- lasers;
- microagulhamento;
- tecnologias regenerativas;
- e, em alguns casos, cirurgia facial.
O problema dos produtos permanentes
Uma das maiores preocupações dos especialistas é o uso de substâncias não absorvíveis, como o PMMA. Diferente do ácido hialurônico, ele não pode ser simplesmente dissolvido e pode exigir até cirurgia para retirada.
Por isso, Dr. Fernando reforça a importância de pesquisar muito antes de qualquer procedimento estético.
“É fundamental saber qual produto está sendo aplicado no rosto. Muitas pacientes não sabem nem o nome da substância que receberam”, comenta o cirurgião plástico.
A nova estética: menos filtro, mais naturalidade
Se antes o objetivo era mudar completamente os traços, agora a tendência parece muito mais ligada ao equilíbrio.
A nova geração da estética quer suavizar o envelhecimento sem apagar expressões, sem transformar rostos em versões idênticas e sem aquele efeito artificial que dominou as redes sociais nos últimos anos.
Texto por: Dr. Fernando de Almeida Prado