Guia do sexo seguro entre mulheres
- Maria Luiza Cesario
- 04/07/2025
- Assuntos Delicados Saúde
Muito se fala sobre a prevenção de ISTs entre casais héteros e gays, mas e o sexo lésbico? Existem riscos? Existem maneiras de prevenção?
Um dos mitos mais comuns é acreditar que o sexo lésbico é livre de perigos. No entanto, há troca de secreções, contato direto entre mucosas, sexo oral, uso de brinquedos e, em algumas situações, presença de sangue. Esses fatores tornam possíveis as transmissões de sífilis, herpes, HPV, clamídia, gonorreia, HIV, hepatites B e C, além de outras ISTs.
Então vamos ao que interessa: como praticar o sexo lésbico de forma segura?
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Brinquedos sexuais:
Dildo, vibrador, bullet, plug… tudo é bem-vindo, mas com responsabilidade. Em caso de compartilhamento, o uso de preservativo de látex é indispensável (uma nova a cada uso, tá?). E mesmo que seja só para você: higienize antes e depois com água e sabão. Revezar entre vulva e ânus? Só com troca de preservativo no meio do caminho.
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Penetração com dedos:
Recomenda-se lavar bem as mãos antes da relação, manter as unhas curtas e limpas, e utilizar luvas ou dedeiras, principalmente se houver qualquer lesão ou machucado na pele. O contato com sangue pode transmitir ISTs como HIV e hepatites.
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Sexo oral (vulva-boca ou ânus-boca):
É aí que complica, porque o mercado ainda não pensa no sexo entre mulheres. O ideal seria usar dental dam, uma folha fina de látex usada como barreira entre boca e vulva ou ânus. Dificuldade de achar? Corta as duas pontas de um preservativo masculino e abre ele ao meio. Pronto, você tem uma película protetora.
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Contato vulva-vulva:
Não existe uma barreira protetora 100% eficaz para esse tipo de prática. Nos EUA, já existe até calcinha de látex própria. Aqui ainda não existem métodos de barreira eficazes e acessíveis para essa prática. O ideal é manter os exames de ISTs em dia, observar sinais de lesões, verrugas ou feridas genitais e utilizar lubrificante para diminuir atrito e evitar fissuras. Mas a dica é: fazer exames regularmente, vacina em dia (HPV e Hepatite B principalmente), olho vivo em qualquer lesão, verruga ou feridinha, e lubrificante sempre, para evitar fissuras.
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Menstruação e lesões visíveis:
Evitar o contato com sangue menstrual e feridas abertas é uma forma importante de prevenção. Se estiver menstruada, use coletor ou absorvente interno, ou então combine outras práticas que não envolvam contato direto com sangue. Se tiver qualquer lesão, o sexo deve ser evitado até a cicatrização completa.
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Higiene:
Lave as mãos, a boca, a vulva, os brinquedos… tudo. Sexo seguro é também sobre carinho e cuidado com o corpo da outra. Manter a higiene das mãos, boca, genitália e acessórios sexuais é fundamental para evitar infecções. A higienização deve ser feita antes e depois das práticas sexuais.
A importância do cuidado
A proteção sexual entre mulheres ainda é pouco discutida, e os números refletem isso. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande (2016) mostrou que apenas 6,1% das mulheres lésbicas utilizam alguma barreira no sexo oral, e 28,3% utilizam proteção com brinquedos sexuais. A escassez de métodos específicos e a falta de informação são parte do problema.
Manter a vacinação contra HPV e hepatite B em dia, fazer testagens regulares para ISTs e realizar consultas ginecológicas frequentes são atitudes indispensáveis.
Cuidar da saúde sexual é um direito. Em um cenário onde a sexualidade de mulheres lésbicas segue sendo marginalizada, buscar informação e adotar práticas seguras é também um gesto de resistência.