InCor alerta para crescente risco de doenças cardíacas em mulheres
- Redação Saúde Minuto
- 18/07/2024
- Coração saúde da mulher
Entre as mulheres, principalmente acima dos 40 anos, as cardiopatias chegam a representar 30% das causas de morte; a maior taxa da América Latina. Muitas mulheres ainda acreditam que o infarto é uma doença predominante no sexo masculino; no entanto, essa é uma percepção equivocada. As doenças cardíacas têm crescido significativamente na população feminina.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares respondem por um terço das mortes de mulheres no mundo, com 8,5 milhões de óbitos por ano; ou seja, mais de 23 mil por dia. No Brasil, estima-se que mais de 30% das mortes femininas sejam derivadas dessas doenças; superando outras causas que costumam ser relacionadas às mulheres, como cânceres de mama e de colo do útero.
Entre as mulheres, as principais causas de mortalidade cardiovascular são a doença isquêmica cardíaca (DIC) e a doença cerebrovascular. Após a menopausa, a prevalência e mortalidade por DCV entre as mulheres têm aumentado, destacando a necessidade de atenção especial à saúde feminina nesse período da vida.
De acordo com a Dra. Walkiria Samuel Ávila, coordenadora do Programa de Cardiopatia e Gravidez e Aconselhamento Reprodutivo do InCor – HCFMUSP, é importante que mulheres procurem cuidados médicos além da ginecologia, como consultas regulares com cardiologistas. “A prevenção é essencial: praticar exercícios físicos, perder peso, não fumar, gerenciar o estresse e controlar os fatores de risco são medidas que diminuem significativamente os perigos do infarto e outras doenças vasculares”, analisa a cardiologista.
Menopausa: um alerta para a saúde da mulher
A menopausa é um período crítico, pois a queda nos níveis de estrogênio, um hormônio que protege o coração, eleva o risco de doenças cardiovasculares. Segundo a médica, é importante lembrar que as mulheres que entram na menopausa precocemente ficam vulneráveis mais cedo.
Além dos fatores biológicos, questões sociais e de estilo de vida também contribuem para a incidência de DCV nas mulheres. Muitas mulheres enfrentam jornadas duplas ou triplas, cuidando da casa, filhos e carreira, o que contribui para um estilo de vida menos saudável, com mais sedentarismo, consumo de álcool, tabaco e aumento do peso corporal.
De acordo com as estatísticas, cerca de 40% das mulheres apresentam aumento da circunferência abdominal, mais de 20% fumam, 23% têm pressão arterial alta, e 21% possuem níveis alterados de colesterol, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A importância desse conhecimento levou à sanção do Projeto de Lei nº 1.136, de 2019, que institui o Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher, celebrado em 14 de maio. O entendimento sobre os riscos cardiovasculares nas mulheres é essencial. O InCor, referência em doenças cardiovasculares, destaca a necessidade de políticas públicas focadas na saúde feminina e a importância de uma abordagem preventiva para reduzir a mortalidade por doenças cardíacas entre as mulheres.
Prevenção: uma questão de saúde pública
“Mulher: Cuide do seu Coração” é uma campanha liderada pela médica que tem o objetivo de implementar ações de prevenção primária e conscientizar a população sobre os sinais e sintomas das doenças cardiovasculares nas mulheres. “Existe a necessidade de atenção especial não apenas para as mulheres na menopausa, mas também para as jovens, que estão cada vez mais em risco”, conta a Dra. Walkiria.
Um dos principais objetivos é educar as mulheres sobre os sinais e sintomas das doenças cardiovasculares, que podem ser diferentes dos apresentados pelos homens. “Sintomas como dor no peito, falta de ar, náusea, fadiga extrema, dor no braço ou nas costas podem ser indicadores de problemas cardíacos”, alerta a médica. A Dra. Walkiria destaca a importância de procurar atendimento médico ao primeiro sinal de desconforto, pois o diagnóstico precoce pode salvar vidas. Estudos mostram que o estilo de vida moderno, caracterizado por altos níveis de estresse, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados, está aumentando a prevalência de DCV entre as jovens.
A iniciativa visa desmistificar a ideia de que infarto e outras doenças cardiovasculares são problemas apenas em pessoas com mais de 40 ou 50 anos, destacando a importância de intervenções precoces e a necessidade de campanhas educativas, como as lideradas pela Dra. Walkiria. O objetivo é empoderar as mulheres com conhecimento e ferramentas para proteger sua saúde cardiovascular. “Ao implementar ações de prevenção primária e conscientização, podemos reduzir significativamente a incidência de doenças cardiovasculares nas mulheres e salvar vidas”, conclui a médica.
Sobre o InCor:
O InCor é um hospital de alta complexidade, especializado em cardiologia, pneumologia e cirurgias cardíacas e torácicas. Reconhecido pela sua excelência, o Instituto oferece atendimento para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), convênio e particular. Além de ser um polo de assistência – desde a prevenção até o tratamento, se destaca também como um grande centro de pesquisa, ensino e inovação. Integra o Hospital das Clínicas e é afiliado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O Instituto recebe suporte financeiro da Fundação Zerbini, uma entidade privada sem fins lucrativos. Sua equipe é composta por médicos e especialistas multiprofissionais de renome nacional e internacional. Equipado com tecnologia de ponta, o InCor oferece os mais modernos e avançados equipamentos de diagnóstico cardiopneumológico da América Latina.
Texto por Dr.ª Walkiria Samuel Ávila | Redação Saúde Minuto