Otite em bebês exige tratamento adequado para evitar transtornos futuros
- Redação Saúde Minuto
- 27/09/2021
- Jamal Azzam Otorrinolaringologia
O problema pode não só levar á perda de audição como até mesmo ao desenvolvimento de tumor
Cerca de 90% das crianças até três anos de idade já tiveram pelo menos uma otite. Um número tão expressivo não pode ser deixado de lado nas avaliações pediátrica e também otorrinolaringológica. Muitos casos são bastante evidentes, com quadros clínicos de dor de ouvido, febre, saída de pus dos ouvidos etc. Mas, muitos são silenciosos, sem sintomas agudos ou exuberantes, podendo então passar despercebidos.
Os ouvidos dos bebês têm características especiais, pois as tubas auditivas, que são os canais que comunicam os ouvidos ao nariz, são mais horizontais e mais abertas. Isso pode predispor com que secreções, ou até alimentos, possam ir facilmente do nariz para os ouvidos. No ouvido médio isso desencadeia uma inflamação ou infecção local, configurando a otite média.
O diagnóstico é clínico e, por vezes, simplesmente ao olhar do médico através do aparelho que chamamos de “otoscópio”. O médico poderá ver a inflamação na membrana do tímpano com vermelhidão acentuada, aumento da vascularização, abaulamento, secreções e até perfurações.
Os tratamentos mais comuns são com antibióticos, corticoides, descongestionantes e também cuidando do nariz. Lavar o nariz do bebê com soro fisiológico é sempre recomendável. Para aliviar imediatamente a dor, recomendamos sempre compressas mornas repetidas.
Para a prevenção das otites em bebês, destacamos a higienização constante das vias respiratórias, evitar a entrada de água nos ouvidos e a principal recomendação: proibido mamar deitado, seja mamadeira ou peito.
Em caso de falha no diagnóstico ou tratamento, consequências podem ocorrer. Uma infecção ou inflamação curada parcialmente e sem acompanhamento podem gerar predisposição a perdas auditivas persistentes. Alguns casos podem até desenvolver retrações nas membranas dos tímpanos e até um tumor benigno, chamado de colesteatoma.
Portanto, não deixem de avaliar corretamente os ouvidos dos bebês, para o alívio dos sintomas, mas também para prevenção de transtornos futuros.
Texto por Jamal Azzam | Otorrinolaringologista