Paracoccidioidomicose: o nome assusta, a falta de informação preocupa ainda mais
- Redação Saúde Minuto
- 01/02/2026
- Saúde
Paracoccidioidomicose. Difícil de falar, fácil de ignorar e perigosa de subestimar. Apesar do nome complicado, essa doença causada por um fungo presente no solo pode trazer consequências graves e ainda passa praticamente despercebida pelo sistema de saúde no Brasil.
Segundo especialistas, a paracoccidioidomicose, conhecida como PCM, é hoje uma doença invisível nas estatísticas oficiais. Isso acontece porque ela não faz parte da lista nacional de doenças de notificação compulsória, ou seja, os casos não precisam ser comunicados formalmente às autoridades de saúde. Na prática, isso significa falta de dados, falta de planejamento e atraso no diagnóstico.
“Sem números reais, fica muito difícil saber onde a doença está mais presente, planejar a distribuição de medicamentos e estruturar serviços especializados”, explica Guilherme Ferreira de Oliveira, presidente da SBPC/ML. Para ele, tornar a notificação obrigatória seria um passo fundamental para dar visibilidade ao problema e salvar vidas.
Uma doença que avança com o progresso
Tradicionalmente mais comum nas regiões sudeste e sul, a PCM vem avançando para o Norte e o Centro-Oeste do país. O motivo não é mistério. Grandes obras de infraestrutura, expansão agrícola e desmatamento revolvem o solo e facilitam a dispersão do fungo no ar.
Os mais afetados continuam sendo trabalhadores rurais e populações com menor acesso à informação, equipamentos de proteção e serviços de saúde. Muitas vezes, o diagnóstico só acontece quando a doença já está em estágio avançado.
Tratamento longo e sem espaço para interrupções
Outro ponto de alerta é o tratamento. A paracoccidioidomicose não se resolve rápido. Mesmo nos casos considerados leves, o uso de antifúngicos pode durar muitos meses. Nos quadros mais graves, é necessária internação e medicação endovenosa.
“O tratamento pode se estender de nove meses a até dois anos, e não pode ser interrompido”, reforça Guilherme. A suspensão precoce aumenta o risco de recaídas e de sequelas permanentes. Em alguns casos, o paciente precisa de acompanhamento por toda a vida, incluindo fisioterapia respiratória ou reposição hormonal.
Não existe vacina, nem formas eficazes de controle ambiental. Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento correto são as principais armas contra a doença.
Educação, ciência e políticas públicas
Diante desse cenário, a SBPC/ML defende uma atuação mais ampla e integrada. A entidade trabalha na capacitação de profissionais de laboratório, incentiva a padronização de exames e o uso de novas tecnologias diagnósticas, como testes moleculares, além de dialogar com o Ministério da Saúde para que a PCM passe a ser uma doença de notificação obrigatória.
“Reduzir a mortalidade passa por fortalecer os laboratórios, qualificar profissionais e dar visibilidade a uma doença grave, mas ainda negligenciada”, conclui o especialista.
Texto por: Dr. Guilherme Ferreira de Oliveira